Olha,
Agora que os corpos se saciaram,
Em viagens de vai e vem,
Que comprazeram o apetite com que se deram,
Fala-me de ti e diz-me se o amor se tem.

Bem,
Agora que o amor despertou,
Por entre gemidos e uma adivinhada calma,
Encontrando o eu que sou,
Descanso o corpo suado olhando-te a alma.

Deixas-me na boca o fruitivo perfume de mulher
No inebriante abraço com que me arrastas para ti
Esquecido fico do tempo que passa, mas que se quer,
Acalentando o desejo de que permaneças aqui.

Na penumbra do quarto vejo o meu anjo-da-guarda sorrir,
Abençoando o que há em ti de mulher,
Lá fora, o vento sopra noticias que de ti hei-de ouvir,
E o meu coração diz-me que te quer.

Em sussurros de mim te falo,
E digo quanto amo o que me ofereces,
Replicas que tudo acaba, tarde ou cedo,
Mas que de mim não te esqueces.

E o amor, esse que sabe tão bem,
Por entre sussurros e gemidos, pertence a quem o tem.

Uma Resposta a “Viagem”
  1. Este poema toca-me e sensibiliza-me muito, não só pelo seu conteúdo que é a expressão do teu sentir, como também por, de alguma forma, ser eu e aquilo que faço despertar em ti, a inspiração ou a motivação para a sua escrita.
    Também é de enaltecer a qualidade literária do texto poético. Confesso que já tinha saudades desta tua faceta.
    Beijos.

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Fotografia ♦ Photography
Fotografia e Textos de © Arlindo Pinto, excepto onde indicado.
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