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19 de Fevereiro de 2008 Resultados da votação do público Tal como está definido no artº nono do regulamento, a votação do público tem um peso de 20% na selecção dos três projectos finalistas. Na primeira edição, os Anne Love Joy obtiveram 82 votos e os Anjo Cão 72 preferências. |
18 de Fevereiro de 2008 Anjos e Demónios Anne Love Joy e Anjo Cão abriram, Sábado às 22.30, o palco do Ginásio Clube na primeira sessão da XIII edição do Festival de Música Moderna de Corroios. A diversidade marcaria a noite num arranque com chave de Ouro. Porque se em palco os músicos se portaram como profissionais, o público ao aparecer em força, realçou o trabalho de todos. Apareceu gente da terra, assim como dos concelhos vizinhos ou mesmo de Lisboa. Menos expansivo que o público habitual dos Festivais, de notar que os músicos tocaram para quem realmente os queria ouvir, a prová-lo, o silencio quase total que por vezes se instalava. Verdadeiros amantes de música, até João Aguardela (ex-Sitiados e actual Megafone e A Naifa) marcou uma presença discreta mas atenta ao trabalho das bandas, enquanto se fundia com o público anónimo. As estrelas da noite eram os Almadenses Anne Love Joy e os Lisboetas Anjo Cão – revelaram variantes diferentes na música, atitude e objectivos – oferecendo-nos, por isso, uma noite surpreendente e recheada qual bombom suíço. A primeira banda a actuar – Anne Love Joy – causou-nos a estranha sensação de viajar no tempo. Estaríamos em Corroios ou algures num clube dos subúrbios da Nova Iorque do final dos anos 70? Helga, a vocalista, de look punk/rocker a fazer lembrar a Madonna dos primeiros tempos - as pulseiras coloridas, a fita no cabelo ou mesmo os suspensórios - com direito a pulinhos joviais e despretensiosos. David, o guitarrista tinha-nos avisado “ela costuma dançar muito durante os espectáculos”.É ele que liga a dupla à terra acompanhando a batida tecnho com as suas guitarras eléctricas. Assim, mergulhamos em Manchester, ou como lhe chamaram nos loucos anos 80 “Mad Chester”, a lembrar os Happy Mondays ou New Order. Ficámos a saber que Anne Love Joy foi uma das impostoras mais famosas do mundo. Na noite de Sábado, a banda que escolheu um nome icónico para se apresentar ao público, deixou bem claro que a música é uma linguagem universal e isso é audível sob uma batida techno onde povoam mil e uma referências musicais. Até a voz de Helga nos momentos mais intensos assemelhava-se ao registo de uma Diva negra da Motown. Podemos dizer que estão b Logo depois ecoava poesia pura na língua de Camões. Anjo Cão gostam pouco de falar do que são enquanto banda. Guardam a energia vibrante do bom Rock n’ Roll à antiga para o palco. Se por um lado, os Anne Love Joy fizeram a festa usando e abusando das novas tecnologias a favor de uma actuação cujo objectivo era fazer as pessoas dançar, a banda de Lisboa, deixou-nos literalmente aterrados com os pés no chão. E se às vezes as palmas custavam a romper não era por falta de interesse, mas era difícil para o público recuperar daquela dose industrial de rock cavernoso e visceral. Antes do concerto o vocalista vagueava para onde o levavam, de olhos colados ao chão, note-se tom azul gélido a antítese do que seriam na noite de estreia em Corroios. Provavelmente estava a preparar-se para um processo de exorcismo público. Os demónios tinham dia e hora marcada e surgiram em palco ao serviço dos Anjo Cão. Um registo de voz grave - e embora não assumam, as primeiras impressões foram inevitavelmente para uma sonoridade semelhante a Mão Morta - é fantástico saber que nem todas as influencias musicais têm de vir de fora. Um rock e Por fim, os cabeça de Cartaz, Plastica. O passado da banda de Almada há muito que está intimamente ligado ao Festival e por isso estiveram a tocar em casa. Apresentaram músicas dos 3 Cds e passaram ao lado dos singles orelhudos – “Sleep All Day” ou “Around”. Houve ainda tempo para a versão de “Two Hearts” que ultimamente temos ouvido na versão mais Cabaret Rock de Kylie Minogue e uns pozinhos de “pirlimpimpim” para cair nas boas graças da MTV. Ao vivo o colectivo é francamente mais rock e menos psicadélico. Experimentaram ao vivo alguns temas que vão começar a gravar esta semana. Miguel Fonseca, o vocalista, revelou em primeira mão que a banda entra em estúdio na Segunda-Feira para a gravação do sucessor de “Kaleidoscope”.Não deixa de ser interessante que menos de uma hora antes os Plastica tocaram na Cova de Piedade, voaram até Corroios, entraram em palco a horas e enquanto o guitarrista Pedro Galhoz elogiava o poster de promoção da primeira noite do Festival, o baterista Rui Berton ainda embalado pelo espectáculo anterior confidenciava no backstage que nem teve tempo para tomar um banho “estou a cheirar a cavalo”. Mas o rock n’ roll é mesmo assim suado e apaixonado e nisso a primeira sessão do Festival de Corroios foi pródiga!
Texto: Claudia Matos Silva |
Tags: 2008, concerto, corroios, festival, festival de musica de corroios, rock, suprah, we not, you should go ahead
em longe de ser uma farsa!
stridente a contrastar com a atitude compenetrada dos músicos e a aparente contenção do “front man” que lutava permanentemente entre anjos e demónios.


