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A Banda de Poi - MórPortugal e a Galiza estão ligados por factores culturais, geopolíticos e económicos. “Galegos e portugueses fazem parte da mesma nação cultural, até ao ponto de que um estudioso do facto nacional na Europa ocidental, como o italiano Salvi, autor de “Le nazioni proibite”, estima que a Galiza é uma das “false nazioni” da Europa. Para Salvi, Galiza é uma falsa nação, porque não é uma das que ele chama nazioni proibite, quer dizer, não é daquelas nações que não conseguiram constituir o próprio Estado nacional sobre alguma parte do seu território, pois a nação galego-portuguesa, na sua prolongação portuguesa, sim conseguiu dar-se um Estado, embora parte do seu território inicial (o território da actual Galiza) faça parte do Estado espanhol e, portanto, sem Estado próprio”. Xavier Vilhar Trilho
Talvez, a sul do Douro, esta questão não se equacione sequer, convencidos ou ignorantes, que somos das nossas raízes históricas e dos laços que nos unem com o povo a norte do Minho. Tão esquecidos que admitimos serenamente, tal qual um rebanho obediente às ordens do pastor ou aos avanços do canito sentinela, que traçam o caminho que as ovelhas dóceis devem seguir, sem pensar, sem indagar, que nos conformamos com as incursões espanholas de que paulatinamente vamos sendo alvo, prestes a tornar-nos uma colónia castelhana. No entanto, o Norte do país tem investido e tornado efectiva a ligação entre os dois territórios, nomeadamente através de colaborações conjuntas nas áreas cultural e científica.
“Nós, os portugueses, podemos dizer que, da Galiza, o seu cerne, a sua essência, está em Portugal, e que não temos medo de chamar Galiza a todo o Norte do nosso País, que as coisas são como são, por muito que pese aos espanhóis.” José Chão Lamas
Os portugueses em geral, são uma massa amorfa que permite tudo a todos, designadamente, aos seus governantes, por mais que lhe aumentem os impostos, ou diminuam as garantias e até atropelem direitos constitucionais. Não é de admirar que além de permitirem, com subserviência até, as investidas espanholas na área do comércio, com resultados desastrosos para o comércio genuinamente português, não se interessem em saber que ligações existiram, existem ou poderão existir entre Portugal e Galiza.
Mas, “nós, os portugueses, os que nos fazemos perguntas acerca destas coisas (só quem fizer as perguntas dará com as respostas; em saber perguntar, pesquisar, está o segredo da sabedoria e do conhecimento), pensamos que a Galiza é uma região espanhola que vêm caindo por cima de Portugal e na qual as pessoas falam um linguajar deturpado e feio como um espanhol com muitas palavras portuguesas, e onde as pessoas do povo entendem os portugueses e não têm essa atitude anti-portuguesa que se dá nos espanhóis quando o homem (ou mulher) português não é um iberista. Mas isso não é a Galiza, é somente uma parte da Galiza. A Galiza é na realidade grande parte de Portugal, de Santarém para cima, é aí que chegava o velho reino da Galiza. Haverá por acaso algo mais galego do que Braga, capital da Galiza romana, do reino suevo, da Igreja da Galiza? Lugo e Santiago sempre agiram por delegação do “verum caput” Braga, durante doze séculos a cabeça, e que por isso mesmo é ainda a cidade primaz de Portugal.” José Chão Lamas
A história diz-nos que “… ao emancipar-se a Galiza bracarense do império espanhol, aquela Galiza sueva tam altiva como compacta antes da Reconquista e despois da Reconquista, ficava, por dizê-lo assim, dividida por metade. Ou a Galiza lucense devia seguir a sorte da bracarense, ou impedi-lo a todo o transe, pois ficando afecta à monarquia espanhola, sobre ficar incompleta, ficava excêntrica, fora do seu assento moral e dos seus interesses de raça. De tolerar-se a separaçom do reino de Portugal, reino nascido e formado na Galiza bracarense, devemos ser portugueses antes que espanhóis, porque a emancipaçom da Galiza bracarense da Coroa de Leom e Castela significava o triunfo perfeito da nobreza sueva sobre a nobreza goda…” Bento Vicetto
Também na área da música popular, os músicos têm veículado a união existente entre Portugal e Galiza, reivindicando e fortalecendo as ligações entre os dois povos. São frequentes as referências a Portugal, à sua cultura e aos pontos de contacto entre as duas (?) culturas. Os Resentidos, Siniestro Total e, mais recentemente, A Banda de Poi, são exemplos desse sentir.
Hoje fica aqui um tema do primeiro disco d’ A Banda de Poi, que pela primeira vi em Vilar de Mouros. Na Linkaria em “Música” e em “E os outros” podem encontrar links à banda e à problemática “Galiza e Portugal, uma só nação!”.
Para que se entenda melhor o tema que, clicando na capa podem ouvir, fica aqui a letra, para cantarolarem:

Welcome To Spain

Cheguei a galiza á sua beira norte
Tres séculos passaram tras a minha morte
O fantasma de poi sobrevoa as casas
Espía aos políticos estuda o que se passa
Que grande surpresa a terra mudara
O galego era uma lingua extranha
Os músicos tocabam música feliz
Gaitas escocesas, os “hits” de madrid
Bienvenido a galicia welcom to spain
Comunidad autónoma made in usa
Viaxei á costa á costa da morte
Emporcada e preta deixada a sua sorte
Nom havía rios nom quedavam fontes
Só mini-centrais desertos e pontes
Parecía galiza a terra australiana
Um eucaliptal seca anteliana
Na televisom dabam boms programas
“reality shows” feitos para as vacas
Fui a portugal á beira do norte
A terra de henriques gama e camões
Viaxei ao douro ao minho e viana
Povoa do varzim porto leça e braga
Foi muito esquisito situação estranha
Aquele portugal pareceu-me espanha
Bancos e comércio lojas moda fábricas
E nas discotecas “spanish pimbalhada”
Bemvindo ao condado luso-português
O grande “eixo atlántico” welcom to spain
Bemvindo ao condado luso-português
O grande “eixo atlántico” made in usa
Bienvenido a galicia welcome to spain
Comunidad autónoma made in usa

Originalmente publicado em 2007-03-25 20:58:00. Republicado por Old Post Promoter

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sg1.jpgHoje mesmo, dia da publicação da já infame Lei n.º 12-A/2008, que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, alguém me enviava um SMS, de um número que continuo sem reconhecer, dizendo que o Eng.º (carece de confirmação) “Sócrates perdeu hoje a maioria absoluta em 2009 e talvez as eleições.” E continuava pressagiando que aquele diploma “ foi a sua sentença de morte”. E ainda que “os funcionários públicos não vão perdoar a Sócrates e a ÚNICA forma de demonstrar a sua insatisfação é “NÃO VOTAR PS em 2009!” Rogava no fim a reexpedição para todo o circulo de amigos, conhecidos, de pouca e de há longa data e blá, blá, blá.
Apesar de não saber quem foi na verdade o mensageiro, interrogo-me quem lhe terá confiado a mensagem. Ou nem quiçá existiu mandante. Foi o mensageiro, ele próprio, áugure de tão grande desdita para o partido do governo, o engendrador do texto que tão má fortuna augura, a quem daquela forma amesquinha os funcionários públicos.
Seja como for, com ou sem mandante, o facto é que, sem desmerecer do carácter patrício e oportunidade da mensagem, temo que o postilhão seja apenas mais um carneiro, perdido no rebanho nacional da porca da nossa democracia, onde todos querem mamar. Repentinamente fugiu-me a escrita para a brejeirice. É da raiva, da raiva de pertencer aqui e gostar.
O postilhão, augure da derrota eleitoral do engenheiro (a confirmar), é, em boa verdade, um carneiro, qualidade que sobrevém do facto de enfatizar que “NÃO VOTAR PS”, como maiusculiza na mensagem, é a “ÚNICA” feição que o rebanho tem de mostrar ao líder, que definha, que mais apostado está na morte ou numa débil sobrevivência, num amorfismo que o conduzirá, agora profetizo eu, à destruição, do que num balir alto que o líder é falso e embusteiro e que não precisa dele. Se pudesse seria assim, mas não é. E não é porque o povo é um rebanho e os rebanhos, e só os rebanhos, carecem de líderes. Líderes, pretensos arautos da interpretação da vontade popular, mas, no fundo, mamões numa porca já subnutrida.
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Agostinho da SilvaAgostinho da Silva, pensador controverso e enigmático.
Centenário do nascimento do pedagogo portuense assinala-se hoje com programa para todo o ano Controvérsia em redor da obra mantém-se, mas é consensual a atitude visionária e anti-institucionalista.
O centenário do nascimento de Agostinho da Silva - celebrado hoje com um programa que se prolonga ao longo de todo o ano - revela que a sua figura continua controversa e enigmática, mesmo para os que o conheceram. Nem a designação “filósofo” é consensual.
“Conheci-o e apreciei-o, embora sempre muito intrigado com a sua figura misteriosa, mas foi talvez a pessoa mais extraordinária com que alguma vez me deparei - não era parecido com ninguém excepto com ele próprio”, declarou Eduardo Lourenço, que esteve com Agostinho da Silva em 1958 no Brasil, onde este se exilara. O encontro deu-se no Estado de Santa Catarina, “onde ele era uma espécie de secretário da Cultura”, acrescentou o filósofo e ensaísta, recordando as circunstâncias que conduziram o pedagogo ao exílio voluntário. “A determinada altura da vida intelectual portuguesa, os funcionários públicos tinham de assinar uma declaração em como não eram comunistas e Agostinho da Silva, embora não o fosse, recusou, por considerar um atentado à sua liberdade”. Ler o resto desta entrada »

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Fotografia ♦ Photography
Fotografia e Textos de © Arlindo Pinto, excepto onde indicado.
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