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A Mão de Deus - Rodin

Não, não creio que me possam provar a existência de um ser superior!
Porque nada há superior ao Homem, criador da sua existência e dos seus Deuses, reduzidos a um pela persuasão dum agitador, filho de um miserável carpinteiro e duma inexperiente sexual.
E não, não me importa ou preocupa o que pensam disso todos os outros, canibais do corpo inumado desse chamado filho do criador, em bafientos rituais domingueiros de pedinchice, a coberto de uma pouco convicta crença numa superioridade celestial, que apenas o Homem pôde construir.
O mesmo Homem que, pelas suas próprias mãos, constrói e destrói tudo o que o rodeia e o acaso lhe deu. O mesmo que criou o seu Deus, a sua salvação, o seu seguro vitalício de felicidade eterna supra terrena e que se obrigou a pagar um prémio em virtudes e bondades terrenas.
Não é o Homem dono de si mesmo? Acaso será que, por momentos, pensareis que algo mais lhe pode valer senão ele próprio? Por mera hipótese académica de estudo teológico, cuidareis que a vida e a morte estão nas mãos de outrem, que não do próprio Homem? Não sabeis que quando rezais olhando o infinito do céu, orais a vós próprios?
Vede agora o ridículo da situação! Pedir a vós próprios, criadores desse Deus, que este vos proteja ou vos agracie com mil e uma bênçãos, quando vós próprios o podíeis fazer sem solicitar intervenção extra terrena, sem vos constituirdes devedores perante um ente que desconheceis!
Porque vos cobris de ridículo? Porque persistis em esperar que do azul celeste venha algo mais do que sol, chuva ou outro fenómeno natural que dizime milhares?
Extraterrestres? Óvnis em forma de charuto ou em forma de ovo estrelado, fumegando do centro, em direcção a um buraco negro?
Acordai ò imbecis, porque o buraco negro está aqui à vossa mão, sugando-vos o discernimento, a vida, transmutando tudo o que dele se aproxima numa amálgama de carne retorcida e disforme.
Sim, o buraco que vós concebestes!

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Fotografia ♦ Photography
Fotografia e Textos de © Arlindo Pinto, excepto onde indicado.
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