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Dapunksportif - Music Box, Lisboa, 21.05.2008

A bem dizer, até alguns tempos atrás, de Peniche praticamente só se conheciam a sardinha, a caldeirada, aPaulo Franco sopa de peixe e outros excelentes pratos da rica gastronomia lusa.
No que concerne à expressão idiomática “Amigos de Peniche”, trata-se apenas de uma lenda, que, provindo da altura das invasões napoleónicas, não é de fiar. Além do mais não tem qualquer interesse para a presente prosa, ela própria já de si resultado de desmedido esforço do seu autor, atenta a sua parca queda para as letras.
Já a sardinha é diferente. Porquê? Ora a resposta a essa questão fica para mais tarde. Noutro dia, noutra hora e noutro local revelá-la-ei. Para já ficamos assim. Acresce que de boa sardinha não é tempo. Mais lá para a frente…
O que acaba, o prezado leitor, internauta, astronauta, cosmonauta, ou outra coisa qualquer que queira ser, se para ela tiver queda, de ler, só vem ao caso, como introdução mal parida, para umas letras que me deu para escrever, acerca João Leitãode uns excelentes interpretantes da chamada música rock (abreviatura de rock’n’roll), que por força das ocultas forças do destino, foram nados ou criados naquele afamado local piscatório.
Para mais, Peniche rima com DAPUNKSPORTIF!
Já vos contei aqui como os conheci, pelo que isso agora também não interessa para nada. O que na verdade interessa e para aqueles que não padecem do provincianismo de que falava o Fernando Pessoa, é que os DAPUNKSPORTIF, são portugueses, de Peniche, e que fazem do melhor Rock’n’Roll que se pode largar aos ouvidos de tipos, que, como eu, o ouvem desde os 8 anos e que de lápis em riste, tentavam de cada vez que passava na Rádio Altitude da Guarda, escrever a letra de “Deixa Meu Cabelo Em Paz”, da autoria de Oswaldo Nunes, cantada por um tipo chamado José Roberto.
Depois de um excelente inicio com “Ready, Steady, Go!”, Paulo Franco e João Guincho, construíram um disco, suportado pela sonoridade de amplificadores a válvulas. Os Anos 70 foram para o Rock’n’Roll um período áureo e de grandes idiossincrasias, facto aliás, que lhe deu o toque de magia que o tornou ouro puro. Inspirados nos sons que os viram nascer e que se habituaram a ouvir e com os quais cresceram os DAPUNKSPORTIF urdiram um disco que fica perfeito em qualquer colecção de Rock’n’Roll, não envergonhando a história da musica popular, ombreando com quaisquer outros autores e interpretes anglo-saxónicos. O salto, para nós meros ouvintes, está em perceber e aceitar, que por cá se toca tão bem ou melhor do que fora de portas. Podemos sempre fazer comparações: soam a isto ou aquilo. Os únicos que me vêm à cabeça, assim de repente, enquanto ouço “Electro Tube Riot”, sãTeamo os Queens Of The Stone Age” no seu melhor. Mas, para lá disso, ouço “apenas” um disco de Rock’n’Roll, com influências dos “seventies”, cujos textos elaboram sobres temas característicos: miúdas, os sonhos de “teenager”, ídolos de juventude, as desilusões de amores perdidos, enfim, tudo o que constitui o universo adolescente e que mais tarde, na idade adulta, verificamos que passado, presente e futuro, têm quase tudo em comum.
No passado dia 21 os DAPUNK vieram até a um Music Box completamente cheio, mostrar o seu novo trabalho, com os já habituais convidados, João Leitão e Zé Carlos, respectivamente, um baixista irrequieto e um baterista vindo do inferno!
Poucos terão dado por mal empregado o dinheiro gasto na entrada para assistir ao roncar de um motor que abriu ameno, com “Private Disco”, para depois ir acelerando com “Hurry” e “Lady Beat”, para finalmente entrar em velocidade de cruzeiro, com temas de “Electro Tube Riot”: “Teenager Headbanger”, “Boomerang”, “LSD”, etc., encostando para reabastecer com “Can’t Move (But My Head Runs Like a Horse)” e o muito solicitado “Summer Boys”, de “Ready, Set, Go!”
Paragem curta para aprovisionar o depósito e eis que a pista queimada pelos pneus deste “four wheel drive”, chega ao fim com “Gettin’ Old” e o êxito já certo: “Sharp Dressed Nerd”.
Saldo: não há saldos! Excelente “gig”. O disco é para comprar e ouvir, até que se saibam de memória todas as letras das 11 músicas que o compõem e o respectivo alinhamento. Por falar em alinhamento, ele aí fica, manuscrito apressadamente no final (!?) do concerto pelo Paulo Franco, para os mais curiosos.
E agora quando ouvirem falar de Peniche não se esqueçam: a sardinha já era!
As fotos do concerto estão no álbum dos DAPUNK na Galeria 70-200.net. Cliquem em qualquer das fotos para lhe aceder.

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Fotografia ♦ Photography
Fotografia e Textos de © Arlindo Pinto, excepto onde indicado.
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