Mai 152007

ConviteTexto retirado do catálogo da exposição:

“Temos de deitar fora a camera, não passa de uma ferramenta que nos diz que o mundo existe, e o que ela nos mostra é quase sempre menos interessante do que o que realmente se passa.”
Peter Greenaway

A pintura clássica morreu no dia em que a fotografia nasceu, assim como o cinema se finou no dia em que o controle remoto foi introduzido nas nossas casas.
A fotografia não ficou a salvo desta sorte, já que muito provavelmente morreu em data incerta durante a década de noventa do século passado,
quando a utilização dos computadores se começou a vulgarizar, e se desenvolveram as suas capacidades de alterar tudo o que é passível de se transformar em linguagem binária.
Em qualquer destes meios de expressão, a maioria dos praticantes continuou a fazer o que sabia como se nada tivesse mudado, e não há nada de errado nisso.
No entanto, a partir do momento em que é possível utilizar vários meios de expressão artística e produzir um resultado final que não podemos classificar facilmente, houve artistas que começaram a pensar que podia ser muito estimulante trabalhar dessa forma. A partir dessa altura começámos a ter dificuldade em encaixar os artistas numa gaveta com uma etiqueta simples e segura.
Foram inventadas novas etiquetas, mas como acontece sempre, não chegaram para todos.
Os artistas fora da gaveta podem escolher entre querer entrar para uma, ou ficar de fora e preocuparem-se apenas com as suas criações, porque independentemente da técnica usada, o que conta é o resultado final.

Mário Filipe Pires
Fotógrafo e formador de fotografia
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