Na medida (exacta) em que são 1.52 da manhã, podia muito bem estar calmamente dando uma “ouvidela” a um disco de Nick Drake, Elliot Murphy, Tim Buckley (todos mortos, excepto Murphy, que eu saiba, mas mesmo assim calmo) ou mesmo Antohny & The Johnsons. Mas não. O que hoje ouço é o som da metralha, de bombásticas explosões que desmembram seres e esfacelam crâneos: pernas para um lado, tronco para o outro, sangue a tingir o verde da selva (sim estamos na selva, na tundra africana), tudo em nome do destino pátrio.
Ouço os que para lá foram e regressaram empacotados, pernas e tomates misturados (do género cabidela) e enviados às carpideiras do solo materno. Um burado de 2 metros e os ossos nele assentes para todo o sempre. Amén!
A alternativa ao saco plástico: o sanatório dos (poli)traumatizados de guerra, agarrados a veículos de um único lugar (não do morto, mas do deficiente) movido a braços, cansados por sinal.
Bolt Thrower colocam os dedos nas feridas das vidas leais, perdidas no cumprimento de um qualquer dever, que não o de ser, mas o da extinção, “the tragic waste of life once gave”. Colocam o dedo na hipócrisia dos memoriais de mármore idêntico ao das lápides que cobrem as sepulturas daqueles outrora leais. Dos que já não saúdam, ocupados num sono eterno, gentileza de um idiota qualquer ou de um punhado deles.
“Those once loyal”, um chuto de adrenalina e de raiva destilada ao longo de um disco de 4 estrelas, mas mesmo assim, não tantas quantas aquelas cujo brilho se apagou ao serviço de um ideal de vida que nem sequer existiu.
Hoje dormirei mais descansado.
“Brave are the deeds
Of fallen victorious
Never forgotten
Lonely are the glorious”.
Jun 112009


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