Sisters of Mercy - Vision Thing Tenho, confesso, enfiado, de quando em vez, um ou outro barrete. Caído no logro. Ir ao engano. Tudo sinónimos do que ocorreu ontem no Coliseu dos Recreios de Lisboa.
Por 24 € dispus-me a ir até ao mítico local, arena de muitos circos, mal sabendo eu que quase iria assistir a um destes espectáculos, pelos quais nutro alguma indiferença, para não dizer mais.
Apesar de já não gravarem desde 1990, ainda assim, esperava mais dos Sisters of Mercy, que ontem se apresentaram (ou quase) no palco do Coliseu. Explico.
Ainda o glorioso não tinha terminado o seu sofrimento por terras da Catalunha, já eu ia entrando no recinto, quando o primeiro vislumbre do palco me fez temer o pior: não vi no palanque uma bateria. Medo. E ruminei: concerto ao vivo sem bateria… Afaguei o queixo com barba de fim de dia e continuei fitando o proscénio incrédulo. Tentei, em vão, encontrar indícios de instrumento tão característico do pop/rock. Apenas uma armação metálica com pequenas luzes que cintilavam oriundas do PA. Sempre tive algum rebuço em aceitar a substituição de instrumentos básicos do rock por sintetizadores ou fitas pré-gravadas. Ninguém me tinha dito que assim seria, mas também alma alguma da “Música no Coração” me iria, por certo, devolver parte dos 24 €. Até porque teriam que orçamentar o valor de cada um dos instrumentos utilizados no concerto e fazer repercutir tal contabilidade no preço final dos bilhetes. Só depois me poderiam restituir alguns cêntimos ou mesmo euros.
Mas, já que ali estava, pensei confiante: deixem lá ver no que isto dá, pelo menos haverá o resto… Errado!
Logo aos primeiros acordes se percebeu que para lá da bateria faltava ainda a guitarra baixo e os teclados!… Em frente à plateia pouco entusiasmada movimentavam-se três indivíduos envoltos numa constante nuvem de fumos oriundos de todos os lados, o que não permitia ver coisa alguma, quando muito umas silhuetas! Na verdade, os fumos foram uma constante em todo o espectáculo, só por vezes deixando entrever os dois guitarristas e o vocalista que soluçava ao microfone, mas com convicção. “En passant” devo dizer que outros fumos com algum interesse não vi muitos…
Ali estava eu, portanto, a ouvir três instrumentos pré-gravados e outros três ao vivo. Era como se me arrancassem os dentes.
Apesar de tudo lá fui abanando a pernita noite dentro que, diga-se, foi curta. Uma hora de show com três “encores” pouco solicitados, e que terminaram com o tema que hoje aqui fica: “Vision Thing”, talvez o melhor momento do espectáculo.
Impressionante foi o contacto mantido com o público. O amigo Andrew Eldritch mostrou-se muito comunicativo e proferiu três fantásticas palavras durante toda a função: “thank you” no final do show e “obrigado” no último dos encores. Foi bom ver que os ídolos de muitos dos pagantes comunicavam efusivamente com os seus fãs.
Teria feito a festa com menos dinheiro e menos fumo ficando em casa a ouvir os CD das irmãs, sem ter que pedir misericórdia.
Costuma dizer-se que não há fumo sem fogo. Pois eu sei que há.
Barrete enfiado.
Fim da maledicência!

2 Respostas a “O barrete!”
  1. quem te manda sapateiro…

  2. não tocar rabecão… que foi o caso!

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