MADRID
Só Deus e Demónio sabem
o que aquele orelhudo fazia olhado numa toma baixa,
naquela árvore ressequida pelo tempo em desespero de causa.
Abocanhava cebolas, inchado pelo fausto do momento.
Latia a vizinhança, uivava a cobiça.
Tudo perguntas vazias a um amigo,
distanciado pela sua própria pena.
Cansaço da existência moribunda,
de esquinas e calçadas poídas de arrasto vagaroso.
Liberdade sem som, sem chamada para o céu
ou outro lugar qualquer, iluminura de séculos anteriores.
Castração da moral barroca.
Viagens ao desconhecido paraíso da fé católica.
Istambul, Madrid, Reikjavik.


colocado em 4 Junho 2008 às 11:04 am
colocado em 4 Junho 2008 às 11:11 am