Infante D. HenriqueAcida e velozmente penetro a
brancura exígua da
casa de banho antiga.
Ajoelho em oração.
Um sanitário mais onde, escuros e inertes,
jazem os restos de um dia sem qualquer coisa e
agradeci.
Sacrifico Sebastião.
Inicío o ritual.
Imagens, imaginário e tudo o mais concreto,
passa interurbano.
“Flash”… e visiono o incendiado Império de D. Henrique,
onde a nau chama a Oriente e a África não tarda de
sexo e abraços com marinheiros sedentos de terra quente e
sangue dos infiéis que estatelam o crânio envolto
na terra árida do Norte.
Sul.
Nada. E Henrique sorve a pátria no
mesmo hausto em ejacula colónias.
Nada. Aí está.
Estava já dentro e
eu próprio me ingeria, qual cerveja gelada em tarde tropical
onde quer que o mundo se encontre
em dia de nuvens sem água.
A areia não corria mais para aquele lado e
o oceano secara.
Praças eram o que havia.
Tantas com a força do verbo cristianizar
que os orgasmos de um navio atracado no
mais boquiaberto dos portos
não conseguiriam satisfazer tais lábios, do
desejo louco de ócio e moribundez.
-“Terra! Terra!”, gritava-se ali.
-“Remem!” Remem, pedaços de inconsciência lusa!”
gritavam os cães de Aljustrel
quando a Virgem apareceu aos pastores
que erravam bebedamente por entre a
boiada de cornos erguidos em preces opostas.
Rodopia Cristo e rodopia o Demónio e
a excentricidade oblíqua termina
numa dança que sobrevoa rasante os
pecados em que a carne é fraca e
abre estaladiça a flor que a inventa.
Quando pariremos nós a fome do terceiro mundo?
-“Avante tropas! Os cães não estão longe.
Dêem-lhes gasolina a beber e um cigarro a fumar.”
Não!
Não!
O dia ía alto e
só à noite a terra é fresca e
a cabeça consegue pensar.
Não tens frio?
Estava onde o houvesse.
E, sem dar por isso, hoje
era um ontem sem sentido,
perdido entre paços de paredes altas e
botas de um morcego coxo
escritor do ar, da luz e do tédio,
desaparecidos pelo esgoto
em que encontrei pela primeira vez a
nau de Henrique Piloto.
-“Ò leme, homem, ò leme.”
-“Senhor, e o Brasil?”
-“Merda, já me esquecia desse! Marcha à ré!”
Santo Infante.
Binómio Justo.
Olé!

2 Respostas a “Claro!”
  1. E por rodopiar, e por ” já me esquecia desse”, hoje é uma boa noite para um pifo!!!!!!!
    Lá te espero!

  2. Quiçá. Venham de lá essas margueritas. Olé!

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