Arquivo para a categoria “Photopass”

Artigos sobre as fotos da galeria 70-200.net

DOWN - Coliseu dos Recreios - 27.04.2008

Phil AnselmoSe me tivessem contado, provavelmente, não acreditaria. Como estive lá, verifiquei a lamentável verdade de uma, de duas realidades: ou os fãs portugueses do HARD e do METAL andam distraídos, ou estão em poupança para os festivais de verão! Ambas são, naturalmente lastimáveis: a primeira porque significa que as hostes andam a dar ouvidos a quem não devem ou estão mal informadas, a segunda porque, efectivamente, o dinheiro é insuficiente para tantas solicitações e, confirma-se, vivemos num país apostado em por termo à classe média. Só isso justifica que uma banda como DOWN tivesse tocado mais de duas horas, para pouco mais de meio Coliseu, presumivelmente, o melhor concerto do ano, até agora.
A história da música rock tem conhecido algumas bandas, que alguém se lembrou de denominar de super grupos, por os respectivos membros serem oriundos de formações, por si só, com largos créditos firmados no panorama da música popular. Seguindo esse raciocínio, os DOWN são dessa jaez: formados em 1991, são o resultado da associação dos talentos do vocalista Phil Anselmo, ex-Pantera, do guitarrista Pepper Keenan, dos Corrosion of Conformity, do segundo guitarrista Kirk Windstein, dos Crowbar, do baixista Rex Brown, ex-Pantera (substituto de Todd Strange dos Crowbar, após o primeiro álbum NOLA), e do baterista Jimmy Bower, dos Eyehategod. Todos eles amigos e conhecidos pelas suas antigas ou actuais bandas fazem dos DOWN um dos super grupos do século XXI. Daí a minha estupefacção aos constatar um Coliseu nem sei se meio cheio se meio vazio. Uma coisa é certa, os que lá estiveram foram “os afortunados” da noite e levaram para casa uma mensagem de Phil Anselmo, agora com 39 anos, “spread the fucking word!” pois, da próxima vez, Phil quer ver o Coliseu a abarrotar pelas costuras. Talvez!
O fenómeno da parca audiência é ainda mais estranho se pensarmos que este super grKirkupo americano, oriundo da terra natal de Phil (Nova Orleães, Louisiana), pisou no dia 27 de Abril, pela primeira vez solo português. E mais ainda: aquando da saída de NOLA, a critica da especialidade deu, de 1 a 5, 4.5 a um disco do qual se disse, “quase perfeito” e “indispensável em qualquer colecção de heavy metal” (ver ALL MUSIC GUIDE).
Durante as mais de duas horas de concerto, como seria de esperar os DOWN foram percorrendo os temas mais sonantes dos seus três álbuns, sem tempos mortos, com uma grande participação do público e uma certa admiração de Phil, comentada a certa altura com Pepper, por todos aqueles que, na fila da frente ou mais atrás, entoavam em coro as canções que se iam ouvindo.
Já perto do final do set, aliás, no último tema do mesmo, “Bury Me In Smoke”, aconteceu o inesperado: após as palavras de elogio e agradecimento, por parte de Phil, a todos os que acompanharam os DOWN na sua “European Tour”, todos os músicos foram substituídos por “roadies” ou outro pessoal do Staff, Phil pela respectiva namorada, que continuaram a tocar o tema, enquanto toda a banda se felicitava mutuamente e agradecia ao público os aplausos e a devoção que demonstraram ao seu som.
Talvez por isso, tivemos todos direito a um tema extra: “Nothing In Return (Walk Away)”, que fecha “Over the Under”, o disco que serviu de suporte a esta “Tour”, com Phil a declarar que “há mais entre o céu e a terra” e que “os que nos são próximos um dia partirão”.
Dito isto todos partimos! Partimos deslumbrados e à espera do regresso.

TEXTO E FOTOS: Arlindo Pinto

Fonte: hardheavy.com

Comments 1 Comentário »

Die Mannequin + Danko Jones - Santiago Alquimista 20.04.2008

Não há necessidade disso, mas se houvesse, neste século, que dar outra designação ao Rock’n’Roll, ela seria sem dúvida DANKO JONES! PorDanko Jones duas ou três razões: pela formação básica com que toca, guitarra, baixo, e bateria, elementos eles próprios basilares do Rock’n’Roll, pela simples mas eficaz estrutura dos seus temas, em regra rápidos e ritmados, próprios do “hard” e pelos textos destes que, essencialmente, andam à volta do elemento feminino, sexo e masculinidade, esta bem patente nas suas actuações ao vivo. Se isso não bastasse os títulos dos seus discos reflectem o temperamento de quem acredita no que faz de alma e coração e percorreu um longo caminho até chegar ao ponto em que se encontra: “Born a Lion”, “We Sweat Blood”, “I’m Alive and on Fire” e que faz questão de demonstrar isso mesmo em palco.
Antes de iniciar o seu percurso no Vinil ou no Compacto se quiserem, DANKO JONES e respectivos acompanhantes, iniciaram em 1996 o seu percurso, tocando insistentemente, durante pelo menos dois anos, nos Estados Unidos e Canadá, de onde DANKO é natural, fazendo a primeira parte de bandas como THE NEW BOMB TURKS, NASHVILLE PUSSY, BLONDE REDHEAD, THE MAKE-UP, THE DIRTBOMBS, THE CHROME CRANKS e THE DEMOLITION DOLL RODS.
A Lisboa, mais propriamente, ao Santiago Alquimista, DANKO trouxe tudo isso e mais o sentimento de que, segundo as suas palavras “se sente mais em casa em Portugal do que no Canadá”, sobretudo, digo eu, pela vasta legião de fãs que por cá granjeou e o carinho que lhe dispensam sempre que por cá passa. Há já dois anos que isso não acontecia, mas DANKO, fez questão se afirDie Mannequinmar que gostaria de passar por á todos os anos, senão de seis em seis meses. A ver vamos.
No Santiago, abriu com o single de estreia do seu mais recente trabalho “Code of the road” e terminou com “I’m alive and on fire”, sucedendo-se durante a hora e meia de espectáculo os temas mais orelhudos, “Rock shit hot”, “Samuel sin”, “Lovercall”, “Way to my heart”, “Forget my name”, “Never to loud”, etc. Antes de “We sweat blood”, fez questão de pedir ao Staff para desligar o ar condicionado, porque ele o queria fazer: suar as estopinhas, como se deve num bom espectáculo de “Rock’n’Roll”. E foi isso mesmo que aconteceu. Não chegou a haver sangue, mas sim, suor houve em abundância.
Para abrir o concerto, DANKO JONES trouxe de Toronto, Canadá, “DIE MANNEQUIN”, liderados pela guitarrista de 21 anos Care Failure (nascida Caroline Kawa). Banda mais ou menos desconhecida por cá, com um nome a fazer pensar num grupo alemão, que destilou suor, um som próximo do punk, que assenta, tal como DANKO, na mesma estrutura básica: guitarra, baixo e bateria e que roda no circuito desde 2006. A rapariga gosta da interacção com o público, no meio do qual se misturou várias vezes, arrancando da sua guitarra os acordes com que foi aquecendo os presentes, nomeadamente, com temas como “Do it or die” e “Autumn canibalism”, retirados do seu mais recente EP “Slaughter Daughter”. Uma banda a considerar em futuras audições, e que conquistou por certo os ouvidos de alguns.
No final do espectáculo e depois de DANKO JONES ter tocado o último acorde de “I’m alive and on fire”, lá se foi a audiência, bebida, mas com estômago para muito mais, assim DANKO tivesse querido.

ARLINDO PINTO – texto e fotografia
Fonte:hardheavy.com (Live Report)

Comments 1 Comentário »

No dia 24 de Março, teve lugar no Lótus Bar em Cascais, mais um concerto demonstrativo de, que, efectivamente, 31 anos depois, o punk não morreu! Do cartaz constavam três bandas portuguesas: Enfrascados, Dalai Lume e Decreto 77. A cereja no topo do bolo era constituída pelos norte-americanos Dwarves que, depois de terem actuado em Coimbra, vieram mais a sul demonstrar a sua vitalidade e confirmar que o “Punk is not Dead”, apesar de no seu registo, datado de 2004, proclamarem que “The Dwarves Must Die”. Depois de quase 22 anos de carreira, foi a primeira vez que os “Dwarves” pisaram solo nacional e logo com uma actuação que, por certo, lhes ficará na memória.
Bom, comecemos pelo princípio, como é da praxe!
Os moços “Enfrascados” abriram a noite e, apesar de estarem no bom caminho, fiquei com a ideia de que, além de não terem feito jus ao nome, porque não estavam efectivamente, “enfrascados”, ainda têm um longo caminho a percorrer, no sentido de apurarem a sua sonoridade, apesar dos quatro rapazes de Cascais terem todos os ingredientes para singrar no meio punk nacional: atitude e vontade! Sendo filhos de Cascais e apesar do recinto estar ainda muito vazio à hora a que começaram a actuar, cerca das 22.30, sempre se foram ouvindo alguns fãs fazer coro com a banda. No final e após uns rápidos sete temas, saldou-se a sua prestação por um aceitável aquecimento, para o que havia de vir depois deste bons aprendizes de feiticeiro.
Formados em 2006, os “Dalai Lume”, têm rodado insistentemente no circuito dos concertos, o que constitui uma experiencia que lhes permite apresentar um som mais apurado e consistente, com letras corrosivas, “anti-sistema”, com uma acérrima critica social, como em “As moscas mudam” ou “Portugal”. Têm uma abnegada legião de fãs que não se coibiu de os apoiar durante a sua actuação, ao mesmo tempo que auxiliava Zorb nos refrães. 2008 poderá vir a ser um ano decisivo para os “Dalai Lume” se afirmarem definitivamente, como uma das cenas maiores no panorama do punk rock nacional.
Após um pequeno interlúdio para recompor o palco, aparecem os “Decreto 77”. Andam nesta vida de punk roqueiros desde 2003 e constituíram mais um dos ideais aperitivos que abriram as portas aos “Dwarves”, para uma noite suada e regada a preceito. A história dos “Decreto 77” está repleta de incidentes e até de um pouco de infortúnio. Não obstante, têm tido a oportunidade de tocar com bandas de várias tendências, desde o punk ao Ska passando pelo Metal. 2008 poderá também ser um ano decisivo, no sentido de incrementarem o seu exército de seguidores e cantarem mais alto a sua paixão pela liberdade e pelos princípios que advogam. Têm vindo a editar os seus temas em split-cd e o seu som é o que mais se aproxima de uma banda a quem apenas falta a sorte lançar o seu primeiro longa duração (como se dizia antigamente) em nome próprio, o que, aliás, penso que já merecem.
Depois dos cerca de 30 minutos em palco, os “Decreto 77”, fizeram as malas e juntaram-se ao público que enchia já o Lótus, aguardando que o palanque fosse colocado em ordem para receber os esperados “Dwarves”. Estes já quarentões apareceram enquanto teenagers como band punk, em Chicago, sob o nome de “The Suburban Nightmare” na segunda metade dos anos oitenta. Foram sendo conhecidos pelos seus temas, simples, ruidosos, e no entanto, repletos de nuances, tendo nos seus últimos trabalhos feito uma aproximação ao pop-funk, em detrimento do punk/hardcore original.
Umas das características das suas apresentações ao vivo é a já sua lendária agressividade em palco, protagonizando escaramuças (algumas violentas) com a audiência e até mesmo com a policia. A questão que todos se colocavam era: “Vai haver porrada?” Eu perguntava-me se “He Who Cannot Be Named” apareceria envergando a sua tanga ou todo nú! Este e Blag Dahlia têm sido ao longo dos tempos o núcleo duro do grupo que se apresentou em Cascais.
Palco devidamente arrumado, surgiu de tanga “He Who Cannot Be Named”, seguido dos restantes membros da banda que iniciaram desde logo as hostilidades. Empurrão daqui, empurrão dali, copo a mais, copo a menos, muito contacto físico entre a banda e a audiência e, a meio do segundo tema, já “He Who Cannot Be Named” tinha sido projectado para cima da bateria de Gregory Pecker!!! Quedaram-se mudos os instrumentos, ouvem-se alto os gritos e ameaças e a banda saiu do palco, coberto de cerveja! A pronta intervenção da organização ajudou a acalmar os espíritos mais inquietos e nervosos, até que depois das habituais cenas de dois ou três a agarrarem um mais furioso, as coisas acalmaram e a banda regressou, com Blag gritando: “Yeah, Rock’n’Roll”. A partir dali foi um desfilar de temas a grande velocidade, em que sempre esteve presente uma enérgica interacção entre o público e a banda, mas sem extremismos!
A actuação terminou quando “He Who Cannot Be Named”, que aqui vêem na foto à esquerda, se atirou deliberadamente para cima da bateria!!!
Para muitos ver os “Dwarves” ao vivo foi por certo o concretizar de um sonho. Para mim foi uma noite divertidíssima, repleta de energia, demonstrativa de que o punk está aí para durar.

 

Discografia “Dwarves”
Horror Stories LP (Voxx Records, 1986, VXS 200.037)
Toolin’ For A Warm Teabag LP (Nasty Gash Records, 1988, NG 001)
Blood Guts & Pussy LP (Sub Pop, 1990, SP 67)
Lucifer’s Crank 7″ EP (Rough Trade No.6 (Karbon), 1991, KAR 13/7)
Thank Heaven For Little Girls LP (Sub Pop, 1991, SP 126)
Sugarfix LP (Sub Pop, 1993, SP 197)
The Dwarves Are Young and Good Looking LP (Theologian Records, 1997, T53)
Free Cocaine DLP (Recess Records, 1999, RECESS #51) (singles)
Lick It DLP (Recess Records, 1999, RECESS #52)
The Dwarves Come Clean LP (Epitaph Records, 2000, 86575 1)
How To Win Friends And Influence People (Reptilian Records, 2001, REP 068)
The Dwarves Must Die (2004)
Fuck You Up And Get Live DVD (2004)
Greedy Boot 1 (2005) – só disponivel no site
FEFU DVD (2006)

Texto e Fotos: Arlindo Pinto
Fonte: www.hardheavy.com

Comments Sem Comentários »

No passado Sábado teve lugar a última eliminatória do concurso integrado no XIII Festival de Música Moderna de Corroios. Foram concorrentes MAD DOGS e THE PROFILERS, aqueles do Porto, estes de Sintra. Convidados, os justos vencedores do ano de 2007, THE CYNICALS.
Este ano nem uma palavra tinha ainda escrito sobre o festival. Coisa estranha, mas, a meu ver, justificada, como passo a explicar.
De facto, tendo em conta as edições anteriores do mesmo certame, ao longo das várias sessões deste ano, fiquei com a sensação de que, salvo honrosas excepções, a “linha editorial” do festival tinha mudado e cedido espaço à electrónica em detrimento do rock puro e duro, da linha guitarras, baixo e bateria. Já o disse aqui em artigos anteriores, que a substituição daqueles instrumentos, tradicionais do rock’n’roll, por equipamentos electrónicos me causa algum rebuço. Mas admito-o e, em certos casos, gosto até! No entanto, não foi, em regra, o caso em Corroios 2008.
Por outro lado, fiquei com a sensação, num ou noutro passo, de que a escolha de alguns concorrentes por parte da organização, tinha sido, senão um lapso, pelo menos, uma distraçãozinha. Daí a falta de motivação para escrever sobre a matéria, mantendo sempre a bastante para fotografar o festival de fio a pavio.
Explicado o agora sustado silêncio, foi unanimemente aceite, pelo menos por aqueles com quem contactei que, no Sábado passado, o festival esteve ao seu mais alto nível, tendo em palco três bandas que fizeram, sem sombra de dúvidas, o rock’n’roll soar bem alto. O que se passou em Corroios foi um vendaval de guitarras à mistura com a brilhante atitude de quem faz o que faz com alma, com garra.
Para as actuações menos felizes de sessões anteriores veio a persuasiva explicação da organização, de que o que soa bem nas “maquetas”, nem sempre resulta ou é bem reproduzido em palco, onde não há “rede”, onde o que se ouve é efectivamente o que se está a executar no momento, sem produção, sem pozinhos de perlimpimpim, sem cereja que embeleze um bolo que não se tem a mestria de elaborar no instante. Ler o resto desta entrada »

Comments 1 Comentário »

Lady JaneTal como já tinha dito, as fotos resultantes dos curtos 30 minutos de nu feminino que pude realizar há uns dias atrás, estavam na incubadora. Vêem hoje a luz do dia, ou antes, a do monitor. Têm vindo a ser tratadas com carinho, como deve o corpo feminino, o que não significa necessariamente, que o resultado final seja algo a que vocês, comuns mortais, dispensem um segundo que seja. Para mim, enquanto fotógrafo, é uma aprendizagem contínua, numa área que não domino e considero até algo difícil, pelas razões que brevemente expus num artigo anterior.
O corpo nu carece de um olhar educado, no sentido do conhecimento extremo das suas possibilidades plásticas. Seja como for, o facto de não dominar a matéria também não me inibe de fotografar e aprender a olhar, num contínuo processo de enriquecimento pessoal e profissional.
Não são mais do que 4 fotos, na verdade, embora editadas com diferentes resultados, mas sempre aqueles que me agradam e, por vezes, mais do que um.
Espero que apreciem.
Para os que ainda não sabem, é só clicar na foto acima para aceder à galeria.

Comments 3 Comentários »

19 de Fevereiro de 2008

Resultados da votação do público

Tal como está definido no artº nono do regulamento, a votação do público tem um peso de 20% na selecção dos três projectos finalistas. Na primeira edição, os Anne Love Joy obtiveram 82 votos e os Anjo Cão 72 preferências.

18 de Fevereiro de 2008

Anjos e Demónios

Anne Love Joy e Anjo Cão abriram, Sábado às 22.30, o palco do Ginásio Clube na primeira sessão da XIII edição do Festival de Música Moderna de Corroios. A diversidade marcaria a noite num arranque com chave de Ouro. Porque se em palco os músicos se portaram como profissionais, o público ao aparecer em força, realçou o trabalho de todos. Apareceu gente da terra, assim como dos concelhos vizinhos ou mesmo de Lisboa. Menos expansivo que o público habitual dos Festivais, de notar que os músicos tocaram para quem realmente os queria ouvir, a prová-lo, o silencio quase total que por vezes se instalava. Verdadeiros amantes de música, até João Aguardela (ex-Sitiados e actual Megafone e A Naifa) marcou uma presença discreta mas atenta ao trabalho das bandas, enquanto se fundia com o público anónimo. As estrelas da noite eram os Almadenses Anne Love Joy e os Lisboetas Anjo Cão – revelaram variantes diferentes na música, atitude e objectivos – oferecendo-nos, por isso, uma noite surpreendente e recheada qual bombom suíço.

A primeira banda a actuar – Anne Love Joy – causou-nos a estranha sensação de viajar no tempo. Estaríamos em Corroios ou algures num clube dos subúrbios da Nova Iorque do final dos anos 70? Helga, a vocalista, de look punk/rocker a fazer lembrar a Madonna dos primeiros tempos - as pulseiras coloridas, a fita no cabelo ou mesmo os suspensórios - com direito a pulinhos joviais e despretensiosos. David, o guitarrista tinha-nos avisado “ela costuma dançar muito durante os espectáculos”.É ele que liga a dupla à terra acompanhando a batida tecnho com as suas guitarras eléctricas. Assim, mergulhamos em Manchester, ou como lhe chamaram nos loucos anos 80 “Mad Chester”, a lembrar os Happy Mondays ou New Order. Ficámos a saber que Anne Love Joy foi uma das impostoras mais famosas do mundo. Na noite de Sábado, a banda que escolheu um nome icónico para se apresentar ao público, deixou bem claro que a música é uma linguagem universal e isso é audível sob uma batida techno onde povoam mil e uma referências musicais. Até a voz de Helga nos momentos mais intensos assemelhava-se ao registo de uma Diva negra da Motown. Podemos dizer que estão bem longe de ser uma farsa!

Logo depois ecoava poesia pura na língua de Camões. Anjo Cão gostam pouco de falar do que são enquanto banda. Guardam a energia vibrante do bom Rock n’ Roll à antiga para o palco. Se por um lado, os Anne Love Joy fizeram a festa usando e abusando das novas tecnologias a favor de uma actuação cujo objectivo era fazer as pessoas dançar, a banda de Lisboa, deixou-nos literalmente aterrados com os pés no chão. E se às vezes as palmas custavam a romper não era por falta de interesse, mas era difícil para o público recuperar daquela dose industrial de rock cavernoso e visceral. Antes do concerto o vocalista vagueava para onde o levavam, de olhos colados ao chão, note-se tom azul gélido a antítese do que seriam na noite de estreia em Corroios. Provavelmente estava a preparar-se para um processo de exorcismo público. Os demónios tinham dia e hora marcada e surgiram em palco ao serviço dos Anjo Cão. Um registo de voz grave - e embora não assumam, as primeiras impressões foram inevitavelmente para uma sonoridade semelhante a Mão Morta - é fantástico saber que nem todas as influencias musicais têm de vir de fora. Um rock estridente a contrastar com a atitude compenetrada dos músicos e a aparente contenção do “front man” que lutava permanentemente entre anjos e demónios.

Por fim, os cabeça de Cartaz, Plastica. O passado da banda de Almada há muito que está intimamente ligado ao Festival e por isso estiveram a tocar em casa. Apresentaram músicas dos 3 Cds e passaram ao lado dos singles orelhudos – “Sleep All Day” ou “Around”. Houve ainda tempo para a versão de “Two Hearts” que ultimamente temos ouvido na versão mais Cabaret Rock de Kylie Minogue e uns pozinhos de “pirlimpimpim” para cair nas boas graças da MTV. Ao vivo o colectivo é francamente mais rock e menos psicadélico. Experimentaram ao vivo alguns temas que vão começar a gravar esta semana. Miguel Fonseca, o vocalista, revelou em primeira mão que a banda entra em estúdio na Segunda-Feira para a gravação do sucessor de “Kaleidoscope”.Não deixa de ser interessante que menos de uma hora antes os Plastica tocaram na Cova de Piedade, voaram até Corroios, entraram em palco a horas e enquanto o guitarrista Pedro Galhoz elogiava o poster de promoção da primeira noite do Festival, o baterista Rui Berton ainda embalado pelo espectáculo anterior confidenciava no backstage que nem teve tempo para tomar um banho “estou a cheirar a cavalo”. Mas o rock n’ roll é mesmo assim suado e apaixonado e nisso a primeira sessão do Festival de Corroios foi pródiga!

 

 

 

Texto: Claudia Matos Silva
Fotos: Arlindo Pinto

Fonte: XIII Festival de Música Moderna de Corroios

 

Comments 4 Comentários »

Fotografia ♦ Photography ♦ 70-200.net ♦ Since 2005
Fotografia e Textos de © Arlindo Pinto, excepto onde indicado.
Best viewed with a resolution of 1024x768 (or higher).