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A sardinha já era!

25 Maio 2008

A sardinha já era!

Dapunksportif - Music Box, Lisboa, 21.05.2008

A bem dizer, até alguns tempos atrás, de Peniche praticamente só se conheciam a sardinha, a caldeirada, aPaulo Franco sopa de peixe e outros excelentes pratos da rica gastronomia lusa.
No que concerne à expressão idiomática “Amigos de Peniche”, trata-se apenas de uma lenda, que, provindo da altura das invasões napoleónicas, não é de fiar. Além do mais não tem qualquer interesse para a presente prosa, ela própria já de si resultado de desmedido esforço do seu autor, atenta a sua parca queda para as letras.
Já a sardinha é diferente. Porquê? Ora a resposta a essa questão fica para mais tarde. Noutro dia, noutra hora e noutro local revelá-la-ei. Para já ficamos assim. Acresce que de boa sardinha não é tempo. Mais lá para a frente…
O que acaba, o prezado leitor, internauta, astronauta, cosmonauta, ou outra coisa qualquer que queira ser, se para ela tiver queda, de ler, só vem ao caso, como introdução mal parida, para umas letras que me deu para escrever, acerca João Leitãode uns excelentes interpretantes da chamada música rock (abreviatura de rock’n’roll), que por força das ocultas forças do destino, foram nados ou criados naquele afamado local piscatório.
Para mais, Peniche rima com DAPUNKSPORTIF!
Já vos contei aqui como os conheci, pelo que isso agora também não interessa para nada. O que na verdade interessa e para aqueles que não padecem do provincianismo de que falava o Fernando Pessoa, é que os DAPUNKSPORTIF, são portugueses, de Peniche, e que fazem do melhor Rock’n’Roll que se pode largar aos ouvidos de tipos, que, como eu, o ouvem desde os 8 anos e que de lápis em riste, tentavam de cada vez que passava na Rádio Altitude da Guarda, escrever a letra de “Deixa Meu Cabelo Em Paz”, da autoria de Oswaldo Nunes, cantada por um tipo chamado José Roberto.
Depois de um excelente inicio com “Ready, Steady, Go!”, Paulo Franco e João Guincho, construíram um disco, suportado pela sonoridade de amplificadores a válvulas. Os Anos 70 foram para o Rock’n’Roll um período áureo e de grandes idiossincrasias, facto aliás, que lhe deu o toque de magia que o tornou ouro puro. Inspirados nos sons que os viram nascer e que se habituaram a ouvir e com os quais cresceram os DAPUNKSPORTIF urdiram um disco que fica perfeito em qualquer colecção de Rock’n’Roll, não envergonhando a história da musica popular, ombreando com quaisquer outros autores e interpretes anglo-saxónicos. O salto, para nós meros ouvintes, está em perceber e aceitar, que por cá se toca tão bem ou melhor do que fora de portas. Podemos sempre fazer comparações: soam a isto ou aquilo. Os únicos que me vêm à cabeça, assim de repente, enquanto ouço “Electro Tube Riot”, sãTeamo os Queens Of The Stone Age” no seu melhor. Mas, para lá disso, ouço “apenas” um disco de Rock’n’Roll, com influências dos “seventies”, cujos textos elaboram sobres temas característicos: miúdas, os sonhos de “teenager”, ídolos de juventude, as desilusões de amores perdidos, enfim, tudo o que constitui o universo adolescente e que mais tarde, na idade adulta, verificamos que passado, presente e futuro, têm quase tudo em comum.
No passado dia 21 os DAPUNK vieram até a um Music Box completamente cheio, mostrar o seu novo trabalho, com os já habituais convidados, João Leitão e Zé Carlos, respectivamente, um baixista irrequieto e um baterista vindo do inferno!
Poucos terão dado por mal empregado o dinheiro gasto na entrada para assistir ao roncar de um motor que abriu ameno, com “Private Disco”, para depois ir acelerando com “Hurry” e “Lady Beat”, para finalmente entrar em velocidade de cruzeiro, com temas de “Electro Tube Riot”: “Teenager Headbanger”, “Boomerang”, “LSD”, etc., encostando para reabastecer com “Can’t Move (But My Head Runs Like a Horse)” e o muito solicitado “Summer Boys”, de “Ready, Set, Go!”
Paragem curta para aprovisionar o depósito e eis que a pista queimada pelos pneus deste “four wheel drive”, chega ao fim com “Gettin’ Old” e o êxito já certo: “Sharp Dressed Nerd”.
Saldo: não há saldos! Excelente “gig”. O disco é para comprar e ouvir, até que se saibam de memória todas as letras das 11 músicas que o compõem e o respectivo alinhamento. Por falar em alinhamento, ele aí fica, manuscrito apressadamente no final (!?) do concerto pelo Paulo Franco, para os mais curiosos.
E agora quando ouvirem falar de Peniche não se esqueçam: a sardinha já era!
As fotos do concerto estão no álbum dos DAPUNK na Galeria 70-200.net. Cliquem em qualquer das fotos para lhe aceder.

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11 Maio 2008

March of Metal Fest

Quando os STEPPENWOLF usaram no tema “Born to be Wild”, a expressão “heavy metal thunder”, jamais imaginariam que, neste nosso Portugal, também o viesse a haver, o HEAVY METAL, bem entendido.

LOSTLAND Fez ontem uma semana (sim, a esta hora 3.11 da manhã já não é Sábado, é Domingo) que decorreu a primeira (digo primeira porque espero sinceramente que se repita por muitos e longos anos) edição da MARCH OF METAL FEST. Uma noite dedicada ao HEAVY METAL clássico (como se houvesse outro), todo sonorizado por bandas nacionais: LOSTLAND, ARTWORX, DAWNRIDER e MINDFEEDER. Os GARGULA não puderam estar presentes devido a problemas de saúde do seu vocalista, ícone no metal nacional e antiga voz dos saudosos ALKATEYA. Daqui vai o desejo de rápidas melhoras para o João.
A industria discográfica nacional, a “major” anda, naturalmente, muito distraída do panorama musical nacional. E não só na área do METAL. Por isso as “indie” vão fazendo o seu papel e editando bandas que, apesar do seu excelente som e da preserverança com que estão aposARTWORXtadas em manter viva a chama do METAL, muitas das vezes tocam apenas pelo gozo que isso lhes dá, sem que financeiramente atinjam níveis que por certo desejariam. Mas aí pode estar o interessante da coisa: tocar pela partilha, pelo prazer, pelo “amor à camisola”. E daí só pode sair efectivamente o que se sente, sem cedências a editoras, tendências, ou o que quer que seja, que demasiadas vezes avilta a pureza do trabalho dos artistas, seja qual for a área de onde são oriundos.
Para lá dos GARGULA, não tinha ainda ouvido, senão no “myspace”, nenhuma das bandas que iam mostrar a sua valia no palco do cine-tDAWNRIDEReatro de Corroios, que há muito se tornou a capital da música mais pesada, que por cá passa.
Fui lá para fotografar e ouvir, já se vê! Estas são unha com carne para mim. E Por sugestão do João e aceite pelo Léo dos MINDFEEDER, tornei-me no “fotógrafo oficial” do evento. Espero não tê-los desiludido. O Léo foi o homem por detrás do festival, oficialmente, MINDFEEDER PRODUÇÕES e há que dar-lhe os parabéns, porque, de facto, a festa correu mais do que bem e penso que quem lá esteve não deu por mal empregados os 5€ que deu à entrada: foi muito por tão pouco.
As estrelas da noite eram os DAWNRIDER! Por imposições de calendário, digo eu, estes que deveriam subir ao palco em último lugar, trocaram comMINDFFEDER os MINDFEEDER que fecharam, e de que maneira, a festa do metal: a atitude que se espera de músicos que estão ao melhor nível, com momentos em que elementos das outras bandas presentes se juntaram em palco e o público que não desiludiu ninguém, acompanhando nos temas mais orelhudos e também a subir ao estrado para se juntar aos MINDFEEDER.
Do evento resultaram cerca de 3GB de fotos. Na Galeria 70-200 ficam 136, que espero dêem uma, ainda que pálida, ideia do que por lá se passou. Escolhi as que gostei! E já sabem: não gosto delas muito certas. Eu próprio não jogo com o baralho todo, portanto…
Para mim foi um prazer muito grande!
Espero estar na próxima edição, seja a que titulo for!

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8 Maio 2008

Afortunados os que lá estiveram!

DOWN - Coliseu dos Recreios - 27.04.2008

Phil AnselmoSe me tivessem contado, provavelmente, não acreditaria. Como estive lá, verifiquei a lamentável verdade de uma, de duas realidades: ou os fãs portugueses do HARD e do METAL andam distraídos, ou estão em poupança para os festivais de verão! Ambas são, naturalmente lastimáveis: a primeira porque significa que as hostes andam a dar ouvidos a quem não devem ou estão mal informadas, a segunda porque, efectivamente, o dinheiro é insuficiente para tantas solicitações e, confirma-se, vivemos num país apostado em por termo à classe média. Só isso justifica que uma banda como DOWN tivesse tocado mais de duas horas, para pouco mais de meio Coliseu, presumivelmente, o melhor concerto do ano, até agora.
A história da música rock tem conhecido algumas bandas, que alguém se lembrou de denominar de super grupos, por os respectivos membros serem oriundos de formações, por si só, com largos créditos firmados no panorama da música popular. Seguindo esse raciocínio, os DOWN são dessa jaez: formados em 1991, são o resultado da associação dos talentos do vocalista Phil Anselmo, ex-Pantera, do guitarrista Pepper Keenan, dos Corrosion of Conformity, do segundo guitarrista Kirk Windstein, dos Crowbar, do baixista Rex Brown, ex-Pantera (substituto de Todd Strange dos Crowbar, após o primeiro álbum NOLA), e do baterista Jimmy Bower, dos Eyehategod. Todos eles amigos e conhecidos pelas suas antigas ou actuais bandas fazem dos DOWN um dos super grupos do século XXI. Daí a minha estupefacção aos constatar um Coliseu nem sei se meio cheio se meio vazio. Uma coisa é certa, os que lá estiveram foram “os afortunados” da noite e levaram para casa uma mensagem de Phil Anselmo, agora com 39 anos, “spread the fucking word!” pois, da próxima vez, Phil quer ver o Coliseu a abarrotar pelas costuras. Talvez!
O fenómeno da parca audiência é ainda mais estranho se pensarmos que este super grKirkupo americano, oriundo da terra natal de Phil (Nova Orleães, Louisiana), pisou no dia 27 de Abril, pela primeira vez solo português. E mais ainda: aquando da saída de NOLA, a critica da especialidade deu, de 1 a 5, 4.5 a um disco do qual se disse, “quase perfeito” e “indispensável em qualquer colecção de heavy metal” (ver ALL MUSIC GUIDE).
Durante as mais de duas horas de concerto, como seria de esperar os DOWN foram percorrendo os temas mais sonantes dos seus três álbuns, sem tempos mortos, com uma grande participação do público e uma certa admiração de Phil, comentada a certa altura com Pepper, por todos aqueles que, na fila da frente ou mais atrás, entoavam em coro as canções que se iam ouvindo.
Já perto do final do set, aliás, no último tema do mesmo, “Bury Me In Smoke”, aconteceu o inesperado: após as palavras de elogio e agradecimento, por parte de Phil, a todos os que acompanharam os DOWN na sua “European Tour”, todos os músicos foram substituídos por “roadies” ou outro pessoal do Staff, Phil pela respectiva namorada, que continuaram a tocar o tema, enquanto toda a banda se felicitava mutuamente e agradecia ao público os aplausos e a devoção que demonstraram ao seu som.
Talvez por isso, tivemos todos direito a um tema extra: “Nothing In Return (Walk Away)”, que fecha “Over the Under”, o disco que serviu de suporte a esta “Tour”, com Phil a declarar que “há mais entre o céu e a terra” e que “os que nos são próximos um dia partirão”.
Dito isto todos partimos! Partimos deslumbrados e à espera do regresso.

TEXTO E FOTOS: Arlindo Pinto

Fonte: hardheavy.com

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24 Abril 2008

Mr. Danko “Rock’n'Roll” Jones

Die Mannequin + Danko Jones - Santiago Alquimista 20.04.2008

Não há necessidade disso, mas se houvesse, neste século, que dar outra designação ao Rock’n’Roll, ela seria sem dúvida DANKO JONES! PorDanko Jones duas ou três razões: pela formação básica com que toca, guitarra, baixo, e bateria, elementos eles próprios basilares do Rock’n’Roll, pela simples mas eficaz estrutura dos seus temas, em regra rápidos e ritmados, próprios do “hard” e pelos textos destes que, essencialmente, andam à volta do elemento feminino, sexo e masculinidade, esta bem patente nas suas actuações ao vivo. Se isso não bastasse os títulos dos seus discos reflectem o temperamento de quem acredita no que faz de alma e coração e percorreu um longo caminho até chegar ao ponto em que se encontra: “Born a Lion”, “We Sweat Blood”, “I’m Alive and on Fire” e que faz questão de demonstrar isso mesmo em palco.
Antes de iniciar o seu percurso no Vinil ou no Compacto se quiserem, DANKO JONES e respectivos acompanhantes, iniciaram em 1996 o seu percurso, tocando insistentemente, durante pelo menos dois anos, nos Estados Unidos e Canadá, de onde DANKO é natural, fazendo a primeira parte de bandas como THE NEW BOMB TURKS, NASHVILLE PUSSY, BLONDE REDHEAD, THE MAKE-UP, THE DIRTBOMBS, THE CHROME CRANKS e THE DEMOLITION DOLL RODS.
A Lisboa, mais propriamente, ao Santiago Alquimista, DANKO trouxe tudo isso e mais o sentimento de que, segundo as suas palavras “se sente mais em casa em Portugal do que no Canadá”, sobretudo, digo eu, pela vasta legião de fãs que por cá granjeou e o carinho que lhe dispensam sempre que por cá passa. Há já dois anos que isso não acontecia, mas DANKO, fez questão se afirDie Mannequinmar que gostaria de passar por á todos os anos, senão de seis em seis meses. A ver vamos.
No Santiago, abriu com o single de estreia do seu mais recente trabalho “Code of the road” e terminou com “I’m alive and on fire”, sucedendo-se durante a hora e meia de espectáculo os temas mais orelhudos, “Rock shit hot”, “Samuel sin”, “Lovercall”, “Way to my heart”, “Forget my name”, “Never to loud”, etc. Antes de “We sweat blood”, fez questão de pedir ao Staff para desligar o ar condicionado, porque ele o queria fazer: suar as estopinhas, como se deve num bom espectáculo de “Rock’n’Roll”. E foi isso mesmo que aconteceu. Não chegou a haver sangue, mas sim, suor houve em abundância.
Para abrir o concerto, DANKO JONES trouxe de Toronto, Canadá, “DIE MANNEQUIN”, liderados pela guitarrista de 21 anos Care Failure (nascida Caroline Kawa). Banda mais ou menos desconhecida por cá, com um nome a fazer pensar num grupo alemão, que destilou suor, um som próximo do punk, que assenta, tal como DANKO, na mesma estrutura básica: guitarra, baixo e bateria e que roda no circuito desde 2006. A rapariga gosta da interacção com o público, no meio do qual se misturou várias vezes, arrancando da sua guitarra os acordes com que foi aquecendo os presentes, nomeadamente, com temas como “Do it or die” e “Autumn canibalism”, retirados do seu mais recente EP “Slaughter Daughter”. Uma banda a considerar em futuras audições, e que conquistou por certo os ouvidos de alguns.
No final do espectáculo e depois de DANKO JONES ter tocado o último acorde de “I’m alive and on fire”, lá se foi a audiência, bebida, mas com estômago para muito mais, assim DANKO tivesse querido.

ARLINDO PINTO – texto e fotografia
Fonte:hardheavy.com (Live Report)

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1 Abril 2008

Punk(ada?) Rock no Lotús Bar

No dia 24 de Março, teve lugar no Lótus Bar em Cascais, mais um concerto demonstrativo de, que, efectivamente, 31 anos depois, o punk não morreu! Do cartaz constavam três bandas portuguesas: Enfrascados, Dalai Lume e Decreto 77. A cereja no topo do bolo era constituída pelos norte-americanos Dwarves que, depois de terem actuado em Coimbra, vieram mais a sul demonstrar a sua vitalidade e confirmar que o “Punk is not Dead”, apesar de no seu registo, datado de 2004, proclamarem que “The Dwarves Must Die”. Depois de quase 22 anos de carreira, foi a primeira vez que os “Dwarves” pisaram solo nacional e logo com uma actuação que, por certo, lhes ficará na memória.
Bom, comecemos pelo princípio, como é da praxe!
Os moços “Enfrascados” abriram a noite e, apesar de estarem no bom caminho, fiquei com a ideia de que, além de não terem feito jus ao nome, porque não estavam efectivamente, “enfrascados”, ainda têm um longo caminho a percorrer, no sentido de apurarem a sua sonoridade, apesar dos quatro rapazes de Cascais terem todos os ingredientes para singrar no meio punk nacional: atitude e vontade! Sendo filhos de Cascais e apesar do recinto estar ainda muito vazio à hora a que começaram a actuar, cerca das 22.30, sempre se foram ouvindo alguns fãs fazer coro com a banda. No final e após uns rápidos sete temas, saldou-se a sua prestação por um aceitável aquecimento, para o que havia de vir depois deste bons aprendizes de feiticeiro.
Formados em 2006, os “Dalai Lume”, têm rodado insistentemente no circuito dos concertos, o que constitui uma experiencia que lhes permite apresentar um som mais apurado e consistente, com letras corrosivas, “anti-sistema”, com uma acérrima critica social, como em “As moscas mudam” ou “Portugal”. Têm uma abnegada legião de fãs que não se coibiu de os apoiar durante a sua actuação, ao mesmo tempo que auxiliava Zorb nos refrães. 2008 poderá vir a ser um ano decisivo para os “Dalai Lume” se afirmarem definitivamente, como uma das cenas maiores no panorama do punk rock nacional.
Após um pequeno interlúdio para recompor o palco, aparecem os “Decreto 77”. Andam nesta vida de punk roqueiros desde 2003 e constituíram mais um dos ideais aperitivos que abriram as portas aos “Dwarves”, para uma noite suada e regada a preceito. A história dos “Decreto 77” está repleta de incidentes e até de um pouco de infortúnio. Não obstante, têm tido a oportunidade de tocar com bandas de várias tendências, desde o punk ao Ska passando pelo Metal. 2008 poderá também ser um ano decisivo, no sentido de incrementarem o seu exército de seguidores e cantarem mais alto a sua paixão pela liberdade e pelos princípios que advogam. Têm vindo a editar os seus temas em split-cd e o seu som é o que mais se aproxima de uma banda a quem apenas falta a sorte lançar o seu primeiro longa duração (como se dizia antigamente) em nome próprio, o que, aliás, penso que já merecem.
Depois dos cerca de 30 minutos em palco, os “Decreto 77”, fizeram as malas e juntaram-se ao público que enchia já o Lótus, aguardando que o palanque fosse colocado em ordem para receber os esperados “Dwarves”. Estes já quarentões apareceram enquanto teenagers como band punk, em Chicago, sob o nome de “The Suburban Nightmare” na segunda metade dos anos oitenta. Foram sendo conhecidos pelos seus temas, simples, ruidosos, e no entanto, repletos de nuances, tendo nos seus últimos trabalhos feito uma aproximação ao pop-funk, em detrimento do punk/hardcore original.
Umas das características das suas apresentações ao vivo é a já sua lendária agressividade em palco, protagonizando escaramuças (algumas violentas) com a audiência e até mesmo com a policia. A questão que todos se colocavam era: “Vai haver porrada?” Eu perguntava-me se “He Who Cannot Be Named” apareceria envergando a sua tanga ou todo nú! Este e Blag Dahlia têm sido ao longo dos tempos o núcleo duro do grupo que se apresentou em Cascais.
Palco devidamente arrumado, surgiu de tanga “He Who Cannot Be Named”, seguido dos restantes membros da banda que iniciaram desde logo as hostilidades. Empurrão daqui, empurrão dali, copo a mais, copo a menos, muito contacto físico entre a banda e a audiência e, a meio do segundo tema, já “He Who Cannot Be Named” tinha sido projectado para cima da bateria de Gregory Pecker!!! Quedaram-se mudos os instrumentos, ouvem-se alto os gritos e ameaças e a banda saiu do palco, coberto de cerveja! A pronta intervenção da organização ajudou a acalmar os espíritos mais inquietos e nervosos, até que depois das habituais cenas de dois ou três a agarrarem um mais furioso, as coisas acalmaram e a banda regressou, com Blag gritando: “Yeah, Rock’n’Roll”. A partir dali foi um desfilar de temas a grande velocidade, em que sempre esteve presente uma enérgica interacção entre o público e a banda, mas sem extremismos!
A actuação terminou quando “He Who Cannot Be Named”, que aqui vêem na foto à esquerda, se atirou deliberadamente para cima da bateria!!!
Para muitos ver os “Dwarves” ao vivo foi por certo o concretizar de um sonho. Para mim foi uma noite divertidíssima, repleta de energia, demonstrativa de que o punk está aí para durar.

 

Discografia “Dwarves”
Horror Stories LP (Voxx Records, 1986, VXS 200.037)
Toolin’ For A Warm Teabag LP (Nasty Gash Records, 1988, NG 001)
Blood Guts & Pussy LP (Sub Pop, 1990, SP 67)
Lucifer’s Crank 7″ EP (Rough Trade No.6 (Karbon), 1991, KAR 13/7)
Thank Heaven For Little Girls LP (Sub Pop, 1991, SP 126)
Sugarfix LP (Sub Pop, 1993, SP 197)
The Dwarves Are Young and Good Looking LP (Theologian Records, 1997, T53)
Free Cocaine DLP (Recess Records, 1999, RECESS #51) (singles)
Lick It DLP (Recess Records, 1999, RECESS #52)
The Dwarves Come Clean LP (Epitaph Records, 2000, 86575 1)
How To Win Friends And Influence People (Reptilian Records, 2001, REP 068)
The Dwarves Must Die (2004)
Fuck You Up And Get Live DVD (2004)
Greedy Boot 1 (2005) – só disponivel no site
FEFU DVD (2006)

Texto e Fotos: Arlindo Pinto
Fonte: www.hardheavy.com

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11 Março 2008

Vendaval em Corroios!

No passado Sábado teve lugar a última eliminatória do concurso integrado no XIII Festival de Música Moderna de Corroios. Foram concorrentes MAD DOGS e THE PROFILERS, aqueles do Porto, estes de Sintra. Convidados, os justos vencedores do ano de 2007, THE CYNICALS.
Este ano nem uma palavra tinha ainda escrito sobre o festival. Coisa estranha, mas, a meu ver, justificada, como passo a explicar.
De facto, tendo em conta as edições anteriores do mesmo certame, ao longo das várias sessões deste ano, fiquei com a sensação de que, salvo honrosas excepções, a “linha editorial” do festival tinha mudado e cedido espaço à electrónica em detrimento do rock puro e duro, da linha guitarras, baixo e bateria. Já o disse aqui em artigos anteriores, que a substituição daqueles instrumentos, tradicionais do rock’n’roll, por equipamentos electrónicos me causa algum rebuço. Mas admito-o e, em certos casos, gosto até! No entanto, não foi, em regra, o caso em Corroios 2008.
Por outro lado, fiquei com a sensação, num ou noutro passo, de que a escolha de alguns concorrentes por parte da organização, tinha sido, senão um lapso, pelo menos, uma distraçãozinha. Daí a falta de motivação para escrever sobre a matéria, mantendo sempre a bastante para fotografar o festival de fio a pavio.
Explicado o agora sustado silêncio, foi unanimemente aceite, pelo menos por aqueles com quem contactei que, no Sábado passado, o festival esteve ao seu mais alto nível, tendo em palco três bandas que fizeram, sem sombra de dúvidas, o rock’n’roll soar bem alto. O que se passou em Corroios foi um vendaval de guitarras à mistura com a brilhante atitude de quem faz o que faz com alma, com garra.
Para as actuações menos felizes de sessões anteriores veio a persuasiva explicação da organização, de que o que soa bem nas “maquetas”, nem sempre resulta ou é bem reproduzido em palco, onde não há “rede”, onde o que se ouve é efectivamente o que se está a executar no momento, sem produção, sem pozinhos de perlimpimpim, sem cereja que embeleze um bolo que não se tem a mestria de elaborar no instante. Ler mais »

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