Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, faz hoje 65 anos. A importância da sua música e da sua atitude é por demais conhecida, sobretudo nos idos do século XX. Para celebrar mais um aniversário do mestre fica aqui um dos temas do album “Desire”, “One More Cup Of Coffee”, gravado ao vivo em 1975, disco de que tenho felizes recordações de adolescente e que um dia, quem sabe, vos contarei aqui.
Parabéns, senhor Robert Allen Zimmerman!
Portugal e a Galiza estão ligados por factores culturais, geopolíticos e económicos. “Galegos e portugueses fazem parte da mesma nação cultural, até ao ponto de que um estudioso do facto nacional na Europa ocidental, como o italiano Salvi, autor de “Le nazioni proibite”, estima que a Galiza é uma das “false nazioni” da Europa. Para Salvi, Galiza é uma falsa nação, porque não é uma das que ele chama nazioni proibite, quer dizer, não é daquelas nações que não conseguiram constituir o próprio Estado nacional sobre alguma parte do seu território, pois a nação galego-portuguesa, na sua prolongação portuguesa, sim conseguiu dar-se um Estado, embora parte do seu território inicial (o território da actual Galiza) faça parte do Estado espanhol e, portanto, sem Estado próprio”. Xavier Vilhar Trilho
Talvez, a sul do Douro, esta questão não se equacione sequer, convencidos ou ignorantes, que somos das nossas raízes históricas e dos laços que nos unem com o povo a norte do Minho. Tão esquecidos que admitimos serenamente, tal qual um rebanho obediente às ordens do pastor ou aos avanços do canito sentinela, que traçam o caminho que as ovelhas dóceis devem seguir, sem pensar, sem indagar, que nos conformamos com as incursões espanholas de que paulatinamente vamos sendo alvo, prestes a tornar-nos uma colónia castelhana. No entanto, o Norte do país tem investido e tornado efectiva a ligação entre os dois territórios, nomeadamente através de colaborações conjuntas nas áreas cultural e científica. Ler o resto desta entrada »
No próximo dia 26 de Abril, o dia seguinte ao do aniversário da libertação da opressão salazarista e se me mantiver vivo até lá, como tenciono, estarei no Paradise Garage com o “JM” para ver os Fu Manchu. Já que, imperdoavelmente, falhei o concerto dos Orange Goblin, é imperioso que assista de perto, primeira linha já se vê, mesmo no centro do mosh, à performance dos sucessores do maléfico génio chinês.
Hoje foi dia de dois em um: aquisição deste bilhete e do último registo dos moços da Califórnia, “We Must Obey”. Obedecer ao Rock’n’Roll é preciso, nestes tempos conturbados em que nós próprios elegemos mentecaptos para governarem o nosso destino, porque demasiado atarefados em assistir à cerimónia dos óscares, à novela não-sei-quantas e até às baboseiras do Alberto João.
Pois eu digo: “rock’n’roll free your soul!”
Ok, já sei, estou, dirão alguns eruditos, a falar de música sem qualidade, o que quer que isto seja, de uma arte menor. E vêm logo em minha defesa uns quantos seres proprietários de profundos complexos de inferioridade, dizendo que não, que o rock também é e que sim que até há o Frank Zappa e o Mike Oldfield e outros que tais. Que não é só Status Quo, que os eruditos rotularão de música quadrada, que aqueles também têm muita qualidade. Lá diz a outra que “qualidade é um conceito subjectivo que está relacionado directamente às percepções de cada indivíduo. Diversos factores como cultura, modelos mentais, tipo de produto ou serviço prestado, necessidades e expectativas influenciam directamente nesta definição.”Ler o resto desta entrada »
Sempre me interroguei por que razão todos os aniversariantes desejam, ao invés de o serem, não o ser. No meu humilde ponto de vista, aquele desejo é um desejo de morte! Pois só os mortos não fazem anos, salvo os que se contam já com os sete palmos de terra da ordem em cima: “faz chis anos que morreu…” Eu, se me permitem, prefiro fazer épsilon anos que nasci! E porque não havia de festejar os meus aniversários? Nunca obtive resposta para esta pergunta, se bem que os que o não desejam sempre digam: “por que fico um ano mais velho.” E? Pergunto eu. Vá lá, dêem espaço a outros, morram mesmo, caramba! Sempre a lamentar-se que estão mais velhos. Se não querem ficar mais velhos têm a solução na ponta da corda ou da faca de matar porcos ou ainda de uma arma de candonga! Pois não é fazer anos um motivo de sobra para festejar a vida?
Já sei, a vida é uma puta! Ok! Grande coisa! Putas sempre houve e não consta que o mundo tivesse acabado por isso. Não querendo errar, creio até que contribuíram significativamente para o crescimento populacional e, portanto, para a vida. Ler o resto desta entrada »
Jimi nasceu num estábulo perto de El Paso, no rancho de um abastado proprietário, possuidor de centenas de cabeças de gado. Os pais trabalhavam para este proprietário havia já vários anos. O pai cavalgava o seu Appaloosa de sol a sol, cuidando que o gado não se extraviasse, ou fosse vitima dos despudorados foras-da-lei, que rondavam as cabeças de gado como abutres circulando alto em torno de mais uma vitima do violento oeste, aguardando a oportunidade para iniciarem o repasto do dia. A mãe de Jimi era criada, curando da limpeza da casa dos patrões que lhe pagavam o salário em géneros: alimentação e dormida.
Jimi corria pelos corredores da casa e era alvo da atenção de todos, incluindo dos patrões dos pais que acreditavam poder, um dia, Jimi ser um grande vaqueiro a quem confiariam a gestão do rancho e das centenas de cabeças de gado que possuíam, uma vez que “O Senhor não os havia abençoado com a dádiva da criação”, no dizer de Ema, a patroa.
Contudo, Jimi cedo mostrou mais disposição para acompanhar o pai nas saídas diárias para a pradaria. Apreciava a brisa quente das tardes de canícula, os riachos onde o gado saciava a sede, os prados que renasciam a cada primavera e os dois Colt de calibre 45 que o pai usava à cintura. Ler o resto desta entrada »
Há canções que nos dizem tudo. Tudo daquilo que fomos, daquilo que somos, daquilo que desejamos, do bem e do mal, enfim, ouvimo-las e lá estamos nós, em sentido próprio ou figurado.
Johnny podia ser qualquer um de nós, ali erecto em plena rua, olhando o céu cinzento de Inverno, retina fixa nas nuvens que anuncíam borrasca ou tempestade mais séria, daquela que os jornais televisivos anunciam com mortos e inundações fenomenais de norte ao sul do país. O país imerso em águas turvas como sempre esteve e ficará “ad eternum”, sem rumo, sem leme, sem timoneiro. Com compadrio e corrupção.
Mas se Johnny podia ser um de nós, então todos podemos, algures, ter os nossos 15 minutos de fama, como professava o Andy Warhol, rapaz dado a comportamentos estranhos, mas de alguma forma um profeta dos nossos dias. Ascensão e queda. Sobretudo queda. Queda do pedestal dos nossos sonhos que nunca se concretizam, pelo que o infrutífero sonhar é apenas um exercício para entreter tolos, que acreditam que um dia, antes da sua morte, prematura ou não, podem alcançar algo que os satisfaça em pleno. Absurdezas do Homem. Se tudo é breve de que vale o investimento? Investir em quê? Nas nossas vidinhas de trazer por casa? Ler o resto desta entrada »