Arquivo para a categoria “Blues Index”
Negros, negros como breu!
O dia de hoje ficará para sempre classificado na minha história pessoal, como “dia horribilis”: choveu, fez frio, a roupa dependurada não secou… enfim, tudo tragédias praticamente gregas, que só adensaram ainda mais o já de si perfeitamente obtuso e despojado dia da semana que é o Domingo.
O fim-de-semana acaba por salvar-se pelos encontros com amigos de longa data, proporcionados pelos implacáveis aniversários de alguns deles, tudo regado a preceito, por entre volumosas baforadas de charutos cubanos.
No entanto, este intróito a propósito de mais um melancólico Domingo, em nada está relacionado com a razão fundamental que hoje aqui me traz à vossa sempre digna e respeitosa presença.
A razão é bem outra. Dá-me para dissertar. Algo que não faço muito amiúde. Vem a dissertação a propósito do amor, do que fica quando ele acaba e do bem (ou mal) que nos fez ele. Escrever-se abertamente sobre relações é já de si admirável novidade, aqui por estes lados. Fazê-lo usando a minha própria experiência é, no mínimo, estranho ou, melhor, totalmente anormal e um provável desastre…
Há uns meses atrás, concordava com alguém do sexo oposto que afirmava, em traços largos, que as relações entre as pessoas, em particular entre homens e mulheres, só valem efectivamente a pena se os enriquecerem mutuamente, no plano intelectual, espiritual e, por que não, físico. Sim, sexo! E, digo eu, só devem durar enquanto assim fôr. Caso contrário, estaremos pateticamente a alimentar um morto-vivo, algo que, na gíria, “não é carne, nem é peixe”. Ler o resto desta entrada »
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À luz escassa do monitor deste portátil e a coberto da noite, após um louco e fogoso momento de amor, veio-me novamente à ideia um dos maiores e, porventura, mais subestimado tocador de Blues do século passado: Hound Dog Taylor! E veio-me à ideia não por questões de natureza amorosa, mas porque durante o dia ouvi pela enésima vez, alguns excertos de um dos seus discos, após o ter transformado no formato da moda, MP3, e transposto para o meu leitor pessoal. Um disco que para mim tem um especial significado, como aliás, muitos outros da minha modesta colecção.
Enquanto estudante universitário, migrante do Norte estabelecido na capital, fui fixando a minha residência aqui e ali, ao sabor do que a parca mesada parental me permitia. O quarto da cidade onde me estabeleci por um maior período de tempo (toda a faculdade, na verdade) situava-se em Campo de Ourique. Foi aí que pela primeira vez ouvi na rádio (até porque na altura não havia dinheiro para qualquer hi-fi, nem mesmo low-fi) Hound Dog. Cerca de 1982 anos após a morte daquele a que chamaram “Messias”, na Rádio Comercial passava o “Blues Índex”. Ler o resto desta entrada »
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Ainda hoje há quem reclame, sobretudo nos fantásticos USA, ter visto Elvis vivo, não sei se actuar ou não. Na Europa não há notícia de tal avistamento. Em Portugal, para lá dos pastorinhos de Fátima, cujo santuário vai passar a ser gerido directamente pela Santa Sé, por via das coisas, muito menos. Os que não o viram crêem absolutamente nos que afirmam tê-lo visto. Eu não o vi! Ainda. Digo ainda porque acho que um destes dias o vou ver, aperaltado com o seu fato de gola alta adornado de brilhantes e lantejoulas ou lá o que é que eram. Há quem diga que a gola alta era para esconder o surro do pescoço. Elvis era homem de pouca higiene, dizem os que sabem, salvo se a confusão desta manhã dominical me atraiçoa e falo de outro Elvis, o pai do Rock. Este, Elvis por alcunha e não por nome de baptismo aos olhos do Criador.
Eu não sei se o Elvis está vivo. Sei apenas que o Elvis, pai do Rock, está morto e era coveiro. Não consta, contudo, que tivesse sido ele próprio a cavar a sua sepultura, mas corre à boca cheia no povoado que foi a bebida quem lha abriu. Não interessa.
O que eu sei é que, pelo menos eu vi, o deus da guitarra está vivo. Numa brecha do tempo, entre um poste de iluminação Ler o resto desta entrada »
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Domingo, dia de chuva.
Pensei em recostar-me abovinado num maple e deixar o tempo correr, sem preocupações, sem leitura, sem nada, apenas o passar do tempo, com um ruído de fundo proveniente do televisor. Contudo, a estratégia gorou-se. Alguém se adiantou e ocupou a posição. Bati em retirada.
Reconstruí então o meu fim de tarde: pegar na guitarra “cuenca” e fazer umas escalas com o senhor professor mandara. E porque não fazê-lo com o ruído de fundo proveniente de um duplo dvd que acabara de adquirir, por me ter parecido interessante. Dito e feito. Coloquei o dvd na consola de jogos (todo o restante material estava ocupado) e aguardei, de pé, que desaparecesse a chatice total que são os genéricos, com aquela impossibilidadezinha irritante de avançar rapidamente para o que interessa.
Permaneci de pé, a ver no que aquilo dava. E dava. E continuava a dar. Esqueci a “cuenca” e pensei no cão de Pavlov. A única diferença era a de que, efectivamente, eu estava já a ser alimentado. Talvez a teoria não se aplique ao caso. Fosse como fosse, babava-me! Como podia não o fazer? Estava a assistir à actuação conjunta de tipos como Eric Clapton, Robert Cray, Buddy Guy, Hubert Sumlin e Jimmie Vaughan. Todos em simultâneo, no mesmo palco. E mais à frente J.J. Cale e Eric Clapton; James Taylor e Joe Walsh. Ler o resto desta entrada »
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Talvez existam os milagres! Pessoalmente, no caso concreto, poderia até dizer que não acredito neles, mas que eles acontecem, lá isso acontecem! Muitas vezes andam até de braço dado com as desgraças. Senão atente-se: a escravatura, facto lamentável, associado à também, bastas vezes, não menos lamentável história da América do Norte, destilou, sobretudo após a guerra civil americana (esta será mote para audições futuras), o milagre dos “blues”, o vocabulário básico do “rock”. Aqui está a prova que era necessária para confirmar a ocorrência de milagres e a sua ligação inevitável às maiores desgraças da humanidade. Por exemplo, a Virgem apareceu aos pastorinhos, quando no país se vivia, ao que sei, uma desgraça ainda maior do que a actual… A confirmar esta mesma desgraça, está outro facto histórico: o de que as novas tendências, seja em que domínio fôr, chegam ao nosso jardim à beira mar plantado (votado à extinção segundo as últimas previsões da UE, no que toca à emissão de poluentes) cerca de 20 anos depois do facto Ler o resto desta entrada »
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