Arquivo para Outubro 2008

Roy Stuart - Year Unknown

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“Graffiti”: arte ou vandalismo?

Graffiti Panorama

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Infelizmente, digo eu, para a estética das povoações e para o próprio ambiente, as paredes de muitos edifícios estão repletas de “Lettering” de péssima qualidade. Não falo de “Graffiti”, porque muito deste é produto da excelente capacidade artística de muitos. Mas também para outros tantos eu sei que não há distinção, e um e outro são apenas actos de vandalismo indesejáveis que conspurcam paredes públicas e propriedade privada, não respeitando o que quer que seja.
Não tenho essa opinião e entendo o “Graffiti” como uma forma de arte, que existe, aliás, segundo alguns, desde os tempos da antiga Grécia ou a da Roma antiga [“Graffito". Oxford English Dictionary 2. (2006).(Oxford University Press)]. Eu atrevo-me a dizer que as gravuras do Côa, como forma de arte pública, foram dos primeiros graffitis a ser produzidos, como forma de transmissão de mensagens, culturais, politicas ou de outro carácter. Tudo isto não retira a certos actos de “grafitismo” o epíteto de puro vandalismo, mas como em tudo, ao verso corresponde o reverso. O uso que fazemos das coisas pode ser bom ou mau, bem ao mal entendido! O Graffiti é uma arte de rua, que caminha a passos largos para as galerias de arte. Basta tão só que um qualquer manda-chuva das artes o classifique como tal, para que os acólitos acenem prontamente que sim, que é arte e que se faz já uma lei que proteja os graffitis de outros graffitis…
Por mim, em regra tendo a considerá-los como arte, tudo depende dos locais, da sua valia gráfica ou pictórica e da eventual mensagem ínsita nos mesmos.
Os que aqui deixo, encontrei-os em Faro, no nosso solarengo Algarve, ou como diz o outro “Allgarve”. Passei por lá a caminho do supermercado e voltei mais tarde para os guardar e para agora vos mostrar, já decorrido mais de um ano.

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nuvem-64-2

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A hora em que o céu e a terra se confundem!

Já todos sabemos que o pôr-do-sol é, em certos locais muito belo. Está-lhe associado um certo romantismo. No entanto, as fotos que hoje vos dou a conhecer não têm nada que ver com isso, ou melhor, quando as captei, não tinha em mente essa ideia, mas tão só a da composição plástica das cores e dos tons de que o céu a uma certa hora da tarde se veste. Aqueles que conhecem a minha fotografia, ou aquela que me dá mais gozo fazer, sabem que os motivos são de certa forma pouco importantes e que, fundamentalmente pretendo um quadro abstracto pintado à máquina, ao invés do realismo que as cenas revestem.
O ano passado o Instituto Português de Meteorologia lançou um concurso subordinado ao tema “Nuvens e outros fenómenos meteorológicos”, ou qualquer coisa do género. Não concorri. Em regra não o faço. Não concorro. Não porque tenha receio da concorrência, mas tão só porque desconfio dos concursos! Manias! Acabei, contudo, por fazer umas fotos pensando no mesmo.
Decorrido um ano tive tempo de me sentar e olhar para essas fotografias e gostei do que vi: uma mescla de tonalidades amarelas, azuis e pretas. O preto da terra, que por vezes se confunde, com o céu. O sol que definha anunciando o fim do dia e o azul que perdura noite dentro. Manchas de cor. É tudo. Mas de que outra forma posso eu ver essas manchas senão através da mina companheira semi-profissional da Nikon? Da Mesma forma que o pintor abstraccionista vê o resultado da sua imaginação corporizar-se na tela, através dou benquisto pincel.
Eu quero sempre ver o que não é visível. O visível está gasto e aborrece-me. Prefiro o sentimento egoísta de que só eu vejo o imperceptível. Contudo, acabo quase sempre por partilhar convosco o resultado dessas visões, dessa magia de que só a máquina fotográfica é capaz.
É assim, hoje pelo menos!

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