The Allstar Project

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Havia répteis:
lagartos e ministros multinacionais da cultura fumada
nos espelhos da casa branca que,
corroída pelo cair da democracia ocidental,
comia o monco das minorias proliferantes na zona Este
dos bairros mal cheirosos de Chicago.
Colhíamos alegres a marijuana ao cair da tarde nova iorquina,
enquanto da Califórnia chegava a senilidade dos presidentes,
os secretários desfloravam a virgindade das putas americanas e
os assaltantes passeavam em ferrugentas viaturas da maldição
as velhas encerouladas,
corredores estéreis da possibilidade dos filhos do metropolitano.
Num adormecer de tardes escuras, trouxemos de Los Angeles os rituais
dos ácidos franciscanos e percorremos voadores o universo da galáxia
aspirando o nevoeiro tóxico que embrenhava os pneus da quinta avenida.
Eu sorria esburacado ao sangue que me adornava a fronte desfeita da máfia citadina.
Sim, eu vendia castanhas!
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Fora… lá fora o vento sibilante,
o chuvisco gelado do Inverno…
O Inverno humano.
Rosto no vidro batido… rosto dilacerado.
Agora o “já” eterno…
Lá fora o Inverno.
Vago… o pensamento!
Fome do outro lado…
A força, raiva… raiva… lá fora o Inverno!
O zumbido repentinamente estatelado… o zumbido.
A voz… por terra o pedaço vivo… de humanidade morta!
A destruição quente… Quente o Inverno?
Lá fora o frio… o Inverno frio.
Fome virgem deste lado?
Abundância… fome parida!
Agora sim! A fome parida…
Gritos… gritos… tantos gritos.
O desespero solitário lido no rosto…
Rosto no vidro batido… partido!
E o Inverno cá dentro…
A pele nua… no frio.
Pesado o pedaço morto… aquele rosto no vidro antes batido.
Lágrimas pelo rosto despedaçado…
Agora é o Inverno, o pedaço gelado… tudo gelado.
A terra quente… por terra o morto… frio.
Agora o “já” eterno… a ausência do rosto no Inverno…
O Inverno no rosto!
O sentir… um sentimento ido… um pedaço…
Lá fora o vento sibilante… o Inverno… o chuvisco gelado…
… a morte!
(Meda, 1982)
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Revelação surgida do finito núcleo solar,.jpg)
recém caído na distante linha do horizonte longínquo.
Um verão glaciar de planetas sobrepostos,
miríade de selvagens apocalípticos,
monstros estranhos às portas orientais do reino.
Líderes de antanho e
brilhantes capacidades esgotadas nos
discursos prenhes de nada.
Mediocridade hipócrita de políticas insanas.
Bestas sem carga,
carregando nos pródigos da produção esgotada
de países sem norte, outrora neutros,
projectados com violência no presente sem futuro,
próximo ou longínquo.
Luz obliterada da claridade pretendida.
Nulidade absoluta da criação divina.
Semicerro o olhar e discirno o amanhã coberto do
nada acumulado dos dias anteriores.
Toco no sol e dissolvo os sentidos.
Destruo-o!
Velocidade sem tréguas.
Sem espada, sem remorso.
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Só Deus e Demónio sabem
o que aquele orelhudo fazia olhado numa toma baixa,
naquela árvore ressequida pelo tempo em desespero de causa.
Abocanhava cebolas, inchado pelo fausto do momento.
Latia a vizinhança, uivava a cobiça.
Tudo perguntas vazias a um amigo,
distanciado pela sua própria pena.
Cansaço da existência moribunda,
de esquinas e calçadas poídas de arrasto vagaroso.
Liberdade sem som, sem chamada para o céu
ou outro lugar qualquer, iluminura de séculos anteriores.
Castração da moral barroca.
Viagens ao desconhecido paraíso da fé católica.
Istambul, Madrid, Reikjavik.
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