A chegada da estação quente trouxera consigo acalmia às hostes em confronto e prazer redobrado aos guerreiros, que repousavam a carne macerada e os ossos doridos junto das suas amantes. Apenas ao entardecer o frio das estepes se fazia sentir de forma moderada. Uma ténue brisa de fim de tarde, acariciava indelével os cabelos dos que assomavam às janelas mergulhando na frescura das estepes ou regressavam a casa antes que o sol se desvanecesse por detrás da mais alta montanha.
Havia já quarenta dias que Segomo e Tutates não se defrontavam em campo aberto. Apenas pequenas escaramuças pontilhavam o território, sempre que patrulhas avançadas, inadvertidamente, ou em sinal de desafio, ultrapassavam as linhas imaginárias de divisão do território de cada um daqueles povos guerreiros. Em regra, estas contendas visavam, antes de mais, testar a guarda de cada um deles e trocar avisos de alerta, à mistura com juras de mortífera vingança, sobre soldados, famílias e tudo o mais que mexesse do outro lado da fronteira.
O Conselho de Sábios Segomo aproveitava as tréguas para rever estratégias, desdobrando-se em pedidos de colaboração e auxilio junto dos povos vizinhos, para que os seus primogénitos engrossassem as fileiras Segomo, na luta contra os Tutates. Nem sempre eram bem sucedidos. Alguns dos povos circundantes preferiam manter a sua isenção, a comprarem uma guerra cujo desfecho lhes poderia ser bem desvantajoso.
Enquanto os Segomo procuravam alianças, os Tutates recrutavam ferozes mercenários oriundos da antiga Tibéria. Ler o resto desta entrada »

