Arquivo para 6 de Fevereiro de 2008

No passado dia 31 de Janeiro, “A Barraca” mostrou à imprensa, num ensaio para o efeito, a peça que haveria de estrear no também passado dia 2 de Fevereiro: “Antígona”.
Integrado no Curso de Fotografia Aplicada do Movimento de Expressão Fotográfica, lá fui marcar a minha modesta presença, fotografando numa área que, claramente, não só não domino, como não é das minhas favoritas. Mas sou um tipo esforçado, que, quando faz, gosta de fazer bem. Vai daí, convenci-me de que meia dúzia das fotos nem estão más de todo, pelo que até tenho a ousadia de as publicar na Galeria.
Não creio que Sófocles, alguma vez tivesse tido o arrojo de pensar sequer, que eu, filho de um electricista e de uma doméstica, natural do interior ostracizado, alguns séculos mais tarde, iria fotografar a sua “Antígona”, filha de Édipo e Jocasta. O facto é que o fiz.
Também o Alfred Jarry ou o Franz Kafka, nunca pensaram que eu seria o luminotécnico de, respectivamente, “Ubu” e “O Processo”, e fui. Portanto, está tudo certo.
A propósito da nossa amiga Antígona, o que posso dizer é para irem ver. Deviam ir mais ao teatro. É no palco que se vêem os bons actores, não na tela. E “A Barraca”, tem muitos e novos.
Para lá de tudo isto, “Antígona” é uma tragédia… grega!
Senão, leiam:

A história tem início com a morte dos dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, que se mataram mutuamente em busca do trono de Tebas. Com isso sobe ao poder Creonte, parente próximo da linhagem de Jocasta. Seu primeiro édito dizia respeito ao sepultamento dos irmãos Labdácidas. Ficou estipulado que o corpo de Etéocles receberia todo cerimonial devido aos mortos e aos deuses. Já Polinices teria seu corpo largado a esmo, sem o direito de ser sepultado e deixado para que as aves de rapina e os cães o dilacerassem. Creonte entendia que isso serviria de exemplo para todos os que pretendessem intentar contra o governo de Tebas. Ao saber do édito, Antígona deixa claro que não deixará o corpo do irmão sem os ritos sagrados, mesmo que tenha que pagar com a própria vida por tal ação. Mostra-se insubmissa às leis humanas por estarem indo de encontro às leis divinas. Ainda no primeiro episódio, Creontes é informado por um guarda de que o corpo de Polinices havia recebido uma camada de pó e com isso seu édito havia sido desrespeitado, colocando sua autoridade à prova. Ele se enfurece ainda mais quando o coro interroga-se, questionando se não teria sido obra dos próprios deuses.

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