27
Fevereiro
2008
Hoje mesmo, dia da publicação da já infame Lei n.º 12-A/2008, que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, alguém me enviava um SMS, de um número que continuo sem reconhecer, dizendo que o Eng.º (carece de confirmação) “Sócrates perdeu hoje a maioria absoluta em 2009 e talvez as eleições.” E continuava pressagiando que aquele diploma “ foi a sua sentença de morte”. E ainda que “os funcionários públicos não vão perdoar a Sócrates e a ÚNICA forma de demonstrar a sua insatisfação é “NÃO VOTAR PS em 2009!” Rogava no fim a reexpedição para todo o circulo de amigos, conhecidos, de pouca e de há longa data e blá, blá, blá.
Apesar de não saber quem foi na verdade o mensageiro, interrogo-me quem lhe terá confiado a mensagem. Ou nem quiçá existiu mandante. Foi o mensageiro, ele próprio, áugure de tão grande desdita para o partido do governo, o engendrador do texto que tão má fortuna augura, a quem daquela forma amesquinha os funcionários públicos.
Seja como for, com ou sem mandante, o facto é que, sem desmerecer do carácter patrício e oportunidade da mensagem, temo que o postilhão seja apenas mais um carneiro, perdido no rebanho nacional da porca da nossa democracia, onde todos querem mamar. Repentinamente fugiu-me a escrita para a brejeirice. É da raiva, da raiva de pertencer aqui e gostar.
O postilhão, augure da derrota eleitoral do engenheiro (a confirmar), é, em boa verdade, um carneiro, qualidade que sobrevém do facto de enfatizar que “NÃO VOTAR PS”, como maiusculiza na mensagem, é a “ÚNICA” feição que o rebanho tem de mostrar ao líder, que definha, que mais apostado está na morte ou numa débil sobrevivência, num amorfismo que o conduzirá, agora profetizo eu, à destruição, do que num balir alto que o líder é falso e embusteiro e que não precisa dele. Se pudesse seria assim, mas não é. E não é porque o povo é um rebanho e os rebanhos, e só os rebanhos, carecem de líderes. Líderes, pretensos arautos da interpretação da vontade popular, mas, no fundo, mamões numa porca já subnutrida.
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26
Fevereiro
2008
Daqui a uns dias, aparecerá por aqui o resultado da sessão de nú, que teve lugar na Flamenga, durante o Curso de Fotografia Aplicada promovido pelo MEF. Se há algo dificil de fotografar é, por mim falo, o corpo nú. Não por razões de intimidade, pudor, ou o que quer que seja, mas pelo simples facto de que se exige do fotógrafo um domínio acima da média, das formas, dos contrastes, das posições e das possibilidades plásticas que o corpo nú oferece.
Eu fiz as minhas tentativas. E aqui está a prova. O resultado virá depois. Está na incubadora…
Da esquerda para a direita, sem qualquer conotação política: Luís, eu, modelo.
A foto é do João Vasco, meu assistente na sessão, que, ao invés de assisitir, também intervinha. Já não há assistentes como outrora…
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21
Fevereiro
2008

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19 de Fevereiro de 2008
Resultados da votação do público
Tal como está definido no artº nono do regulamento, a votação do público tem um peso de 20% na selecção dos três projectos finalistas. Na primeira edição, os Anne Love Joy obtiveram 82 votos e os Anjo Cão 72 preferências.
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18 de Fevereiro de 2008
Anjos e Demónios
Anne Love Joy e Anjo Cão abriram, Sábado às 22.30, o palco do Ginásio Clube na primeira sessão da XIII edição do Festival de Música Moderna de Corroios. A diversidade marcaria a noite num arranque com chave de Ouro. Porque se em palco os músicos se portaram como profissionais, o público ao aparecer em força, realçou o trabalho de todos. Apareceu gente da terra, assim como dos concelhos vizinhos ou mesmo de Lisboa. Menos expansivo que o público habitual dos Festivais, de notar que os músicos tocaram para quem realmente os queria ouvir, a prová-lo, o silencio quase total que por vezes se instalava. Verdadeiros amantes de música, até João Aguardela (ex-Sitiados e actual Megafone e A Naifa) marcou uma presença discreta mas atenta ao trabalho das bandas, enquanto se fundia com o público anónimo. As estrelas da noite eram os Almadenses Anne Love Joy e os Lisboetas Anjo Cão – revelaram variantes diferentes na música, atitude e objectivos – oferecendo-nos, por isso, uma noite surpreendente e recheada qual bombom suíço.
A primeira banda a actuar – Anne Love Joy – causou-nos a estranha sensação de viajar no tempo. Estaríamos em Corroios ou algures num clube dos subúrbios da Nova Iorque do final dos anos 70? Helga, a vocalista, de look punk/rocker a fazer lembrar a Madonna dos primeiros tempos - as pulseiras coloridas, a fita no cabelo ou mesmo os suspensórios - com direito a pulinhos joviais e despretensiosos. David, o guitarrista tinha-nos avisado “ela costuma dançar muito durante os espectáculos”.É ele que liga a dupla à terra acompanhando a batida tecnho com as suas guitarras eléctricas. Assim, mergulhamos em Manchester, ou como lhe chamaram nos loucos anos 80 “Mad Chester”, a lembrar os Happy Mondays ou New Order. Ficámos a saber que Anne Love Joy foi uma das impostoras mais famosas do mundo. Na noite de Sábado, a banda que escolheu um nome icónico para se apresentar ao público, deixou bem claro que a música é uma linguagem universal e isso é audível sob uma batida techno onde povoam mil e uma referências musicais. Até a voz de Helga nos momentos mais intensos assemelhava-se ao registo de uma Diva negra da Motown. Podemos dizer que estão b em longe de ser uma farsa!
Logo depois ecoava poesia pura na língua de Camões. Anjo Cão gostam pouco de falar do que são enquanto banda. Guardam a energia vibrante do bom Rock n’ Roll à antiga para o palco. Se por um lado, os Anne Love Joy fizeram a festa usando e abusando das novas tecnologias a favor de uma actuação cujo objectivo era fazer as pessoas dançar, a banda de Lisboa, deixou-nos literalmente aterrados com os pés no chão. E se às vezes as palmas custavam a romper não era por falta de interesse, mas era difícil para o público recuperar daquela dose industrial de rock cavernoso e visceral. Antes do concerto o vocalista vagueava para onde o levavam, de olhos colados ao chão, note-se tom azul gélido a antítese do que seriam na noite de estreia em Corroios. Provavelmente estava a preparar-se para um processo de exorcismo público. Os demónios tinham dia e hora marcada e surgiram em palco ao serviço dos Anjo Cão. Um registo de voz grave - e embora não assumam, as primeiras impressões foram inevitavelmente para uma sonoridade semelhante a Mão Morta - é fantástico saber que nem todas as influencias musicais têm de vir de fora. Um rock e stridente a contrastar com a atitude compenetrada dos músicos e a aparente contenção do “front man” que lutava permanentemente entre anjos e demónios.
Por fim, os cabeça de Cartaz, Plastica. O passado da banda de Almada há muito que está intimamente ligado ao Festival e por isso estiveram a tocar em casa. Apresentaram músicas dos 3 Cds e passaram ao lado dos singles orelhudos – “Sleep All Day” ou “Around”. Houve ainda tempo para a versão de “Two Hearts” que ultimamente temos ouvido na versão mais Cabaret Rock de Kylie Minogue e uns pozinhos de “pirlimpimpim” para cair nas boas graças da MTV. Ao vivo o colectivo é francamente mais rock e menos psicadélico. Experimentaram ao vivo alguns temas que vão começar a gravar esta semana. Miguel Fonseca, o vocalista, revelou em primeira mão que a banda entra em estúdio na Segunda-Feira para a gravação do sucessor de “Kaleidoscope”.Não deixa de ser interessante que menos de uma hora antes os Plastica tocaram na Cova de Piedade, voaram até Corroios, entraram em palco a horas e enquanto o guitarrista Pedro Galhoz elogiava o poster de promoção da primeira noite do Festival, o baterista Rui Berton ainda embalado pelo espectáculo anterior confidenciava no backstage que nem teve tempo para tomar um banho “estou a cheirar a cavalo”. Mas o rock n’ roll é mesmo assim suado e apaixonado e nisso a primeira sessão do Festival de Corroios foi pródiga!
Texto: Claudia Matos Silva
Fotos: Arlindo Pinto
Fonte: XIII Festival de Música Moderna de Corroios
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11
Fevereiro
2008
A chegada da estação quente trouxera consigo acalmia às hostes em confronto e prazer redobrado aos guerreiros, que repousavam a carne macerada e os ossos doridos junto das suas amantes. Apenas ao entardecer o frio das estepes se fazia sentir de forma moderada. Uma ténue brisa de fim de tarde, acariciava indelével os cabelos dos que assomavam às janelas mergulhando na frescura das estepes ou regressavam a casa antes que o sol se desvanecesse por detrás da mais alta montanha.
Havia já quarenta dias que Segomo e Tutates não se defrontavam em campo aberto. Apenas pequenas escaramuças pontilhavam o território, sempre que patrulhas avançadas, inadvertidamente, ou em sinal de desafio, ultrapassavam as linhas imaginárias de divisão do território de cada um daqueles povos guerreiros. Em regra, estas contendas visavam, antes de mais, testar a guarda de cada um deles e trocar avisos de alerta, à mistura com juras de mortífera vingança, sobre soldados, famílias e tudo o mais que mexesse do outro lado da fronteira.
O Conselho de Sábios Segomo aproveitava as tréguas para rever estratégias, desdobrando-se em pedidos de colaboração e auxilio junto dos povos vizinhos, para que os seus primogénitos engrossassem as fileiras Segomo, na luta contra os Tutates. Nem sempre eram bem sucedidos. Alguns dos povos circundantes preferiam manter a sua isenção, a comprarem uma guerra cujo desfecho lhes poderia ser bem desvantajoso.
Enquanto os Segomo procuravam alianças, os Tutates recrutavam ferozes mercenários oriundos da antiga Tibéria. Ler mais »
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6
Fevereiro
2008
No passado dia 31 de Janeiro, “A Barraca” mostrou à imprensa, num ensaio para o efeito, a peça que haveria de estrear no também passado dia 2 de Fevereiro: “Antígona”.
Integrado no Curso de Fotografia Aplicada do Movimento de Expressão Fotográfica, lá fui marcar a minha modesta presença, fotografando numa área que, claramente, não só não domino, como não é das minhas favoritas. Mas sou um tipo esforçado, que, quando faz, gosta de fazer bem. Vai daí, convenci-me de que meia dúzia das fotos nem estão más de todo, pelo que até tenho a ousadia de as publicar na Galeria.
Não creio que Sófocles, alguma vez tivesse tido o arrojo de pensar sequer, que eu, filho de um electricista e de uma doméstica, natural do interior ostracizado, alguns séculos mais tarde, iria fotografar a sua “Antígona”, filha de Édipo e Jocasta. O facto é que o fiz.
Também o Alfred Jarry ou o Franz Kafka, nunca pensaram que eu seria o luminotécnico de, respectivamente, “Ubu” e “O Processo”, e fui. Portanto, está tudo certo.
A propósito da nossa amiga Antígona, o que posso dizer é para irem ver. Deviam ir mais ao teatro. É no palco que se vêem os bons actores, não na tela. E “A Barraca”, tem muitos e novos.
Para lá de tudo isto, “Antígona” é uma tragédia… grega!
Senão, leiam:
A história tem início com a morte dos dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, que se mataram mutuamente em busca do trono de Tebas. Com isso sobe ao poder Creonte, parente próximo da linhagem de Jocasta. Seu primeiro édito dizia respeito ao sepultamento dos irmãos Labdácidas. Ficou estipulado que o corpo de Etéocles receberia todo cerimonial devido aos mortos e aos deuses. Já Polinices teria seu corpo largado a esmo, sem o direito de ser sepultado e deixado para que as aves de rapina e os cães o dilacerassem. Creonte entendia que isso serviria de exemplo para todos os que pretendessem intentar contra o governo de Tebas. Ao saber do édito, Antígona deixa claro que não deixará o corpo do irmão sem os ritos sagrados, mesmo que tenha que pagar com a própria vida por tal ação. Mostra-se insubmissa às leis humanas por estarem indo de encontro às leis divinas. Ainda no primeiro episódio, Creontes é informado por um guarda de que o corpo de Polinices havia recebido uma camada de pó e com isso seu édito havia sido desrespeitado, colocando sua autoridade à prova. Ele se enfurece ainda mais quando o coro interroga-se, questionando se não teria sido obra dos próprios deuses.
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