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O travo amargo do açúcar

27 Janeiro 2008

O travo amargo do açúcar

AçucarI - “Quem vê TV sofre mais do que no WC” TAXI
Aqueles que tratam mal a língua materna, pela simples razão de que a sua formação escolar mais não lhe permitiu, estão à partida perdoados. Se bem que poderia pensar-se que o facto de ouvirem rádio e ver televisão poderia melhor o seu domínio da língua, o verdade é que isso está total e irremediavelmente fora de questão. O motivo é até bastante simples: quer a rádio quer a televisão, sobretudo esta, persistem, como se mandatados por algum literato algoz estrangeiro estivessem, para assassinar com regularidade o Português. Ele são os repórteres de rua, ele são os pivots, ele são os convidados, ele são as legendas dos filmes, cada um produzindo um tratado de como falar mal e depressa a língua de Camões. Os que poderiam pensar que assistindo a programas televisivos melhorariam o seu domínio da língua, já, se inteligentes, tiraram daí o sentido, Ou não. É que se não sabem como falá-la e escrevê-la, assistir aos programas e filmes que passam na TV, só piora o seu mau domínio da língua. O mais grave de tudo isto é que estes crimes linguísticos passeiam impunes por todas as TV e Rádios e não há uma alma dessas que se autodenominam, políticos, institutos, reguladores, o que quer que seja, que mexa uma palha e ponha termo à situação.
A RTP tem uma rubricazita a que chama “Bom Português”, que todos os dias úteis, da parte da manhã, enquanto as ideias estão ainda pouco claras, vai à rua perguntar aos transeuntes, como se diz ou escreve esta ou aquela palavra. Uns acertam, outros nem tanto, colocando assim a nu a ignorância do povo, amesquinhando e ridicularizando os interpelados que, porventura, até redigem a palavra de forma errada, porque a viram nas legendas de um filminho da TV. Nesta matéria podia a RTP usar de um pouco de corporativismo e, ao invés de troçar do povo perante o qual tem a responsabilidades sociais e culturais, virar-se para dentro e achincalhar aqueles que colocam no ar, na forma oral ou escrita, verdadeiras pérolas da sua imbecilidade. E para dentro não significa apenas RTP, mas também todos os outros canais. Ler mais »

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26 Janeiro 2008

They are all stars!

The Allstar ProjectFaz hoje 8 dias, estive mais uma vez na Zé dos Bois. Fui ver, ouvir e fotografar, os portugueses “The Allstar Project” e “Bypass”. Ouvir, tenho ouvido na hi-fi cá de casa, porque adquiri há tempos o seu primeiro disco, os Allstar. Visto e fotografado ainda não, sendo certo que dos “Bypass” nem noticia tinha. Ok, sou um indivíduo desinformado, é certo, mas quase sempre por convicção. Não quero estar informado. Detesto informação, sobretudo a que me querem dar os jornais, TV e rádio cá do burgo. A informação transmite-me medo, ódio, terror, destruição, para já não falar das tropelias governamentais e da politiquice de sarjeta dos nossos “amados” “políticos”, que fazem os da antiga Grécia dar voltas na tumba. Acresce que passo muito melhor sem esse tipo de preocupações e escândalos. A teoria, que não é nova, é a de que “aquilo que não, sei não me preocupa”.
Dito isto e avançando na prosa, lá fui até à ZDB de mochila às costas. Os que conhecem o local sabem que se pode passar ali um bom bocado, apesar de ser desconfortável. É desconfortável e os empregados julgo até que são antipáticos, mas não tenho a certeza, por isso não levem em consideração estas palavras, porventura a despropósito. Estejam apenas atentos se por lá passarem…
Depois de trocar uma curtas palavras com o “Sawyer”, guitarrista do Allstar, penetrei no breu da sala de espectáculos que, cuidei eu, mal, que com o início do concerto se iluminasse um pouco mais. Pensamento estúpido, claro. Não só o ambiente não clareou, como se tornou ainda mais sombrio. Apesar da falta de luz poder ser propositada, ideia que mais tarde amenizei um pouco ao ouvir os músicos pedir mais luz, o facto é que não tinha qualquer tipo de estética subjacente: a luz da ZDB é aquela e mais nenhuma, e portanto, não teve piada. Ler mais »

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14 Janeiro 2008

Partir c’est mourir, un peu(?)

juppanese.jpgO dia de hoje ficará para sempre classificado na minha história pessoal, como “dia horribilis”: choveu, fez frio, a roupa dependurada não secou… enfim, tudo tragédias praticamente gregas, que só adensaram ainda mais o já de si perfeitamente obtuso e despojado dia da semana que é o Domingo.
O fim-de-semana acaba por salvar-se pelos encontros com amigos de longa data, proporcionados pelos implacáveis aniversários de alguns deles, tudo regado a preceito, por entre volumosas baforadas de charutos cubanos.
No entanto, este intróito a propósito de mais um melancólico Domingo, em nada está relacionado com a razão fundamental que hoje aqui me traz à vossa sempre digna e respeitosa presença.
A razão é bem outra. Dá-me para dissertar. Algo que não faço muito amiúde. Vem a dissertação a propósito do amor, do que fica quando ele acaba e do bem (ou mal) que nos fez ele. Escrever-se abertamente sobre relações é já de si admirável novidade, aqui por estes lados. Fazê-lo usando a minha própria experiência é, no mínimo, estranho ou, melhor, totalmente anormal e um provável desastre…
Há uns meses atrás, concordava com alguém do sexo oposto que afirmava, em traços largos, que as relações entre as pessoas, em particular entre homens e mulheres, só valem efectivamente a pena se os enriquecerem mutuamente, no plano intelectual, espiritual e, por que não, físico. Sim, sexo! E, digo eu, só devem durar enquanto assim fôr. Caso contrário, estaremos pateticamente a alimentar um morto-vivo, algo que, na gíria, “não é carne, nem é peixe”. Ler mais »

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3 Janeiro 2008

Pirelli 2008

pirelli-2008.jpg

Ora cá está!
Este ano as belezas são orientais e estão mais vestidas do que o habitual. Tudo bem. Para variar admite-se.
Fotos extraordinárias e rostos que brilham, mesmo no escuro, tipo Nossa Senhora de Fátima.
Dê um clique!

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1 Janeiro 2008

Homilia de ano novo

grosz-s40.jpgOntem foi tempo de balanço, hoje é tempo de recomeçar, logo que o álcool deixe as ideias clarear. Um recomeçar com dia e hora marcados, como se a vida de cada um dependesse deste novo ano para enxergar um novo impulso, como se as datas fizessem qualquer diferença. Na verdade, é só mais um pretexto para celebrar a vida e esperar que nos próximos 365 dias ela corra, senão melhor, pelo menos de forma similar. É que, como diz ditado, “do mal, o menos”, porque, como canta o Sérgio, “para pior já basta assim”. Seria hipócrita dizer, que não temos esperança em que os dias que se avizinham nos tragam o que mais desejamos, o que nos faz sentir bem, o que nos faz felizes. Mas isso desejamo-lo diariamente. No entanto, o calendário dá-nos agora a oportunidade de inumar o passado recente, para ficarmos com a ideia de que nos livrámos dele definitivamente e estamos de novo limpos, ocos, preparados para nos enchermos de algo novo e bom, melhor do que o que acabámos de enterrar. Assim perfeitos e alvos, sem mácula, cremos ter todo o direito do mundo a que a felicidade nos entre porta adentro, sem pedir sequer licença e, mais grave, muitas vezes sem sequer ter sido convidada. Não será que, tal como a sorte, a felicidade não se tem, mas antes se fabrica laboriosamente? É que se assim for, então o novo ano não tem, nesta matéria, o menor dos interesses e só nos resta continuar ou mudar o rumo que no nosso passado timonámos, como mais ajuizadamente entendermos, trilhando novos caminhos, fazendo os desvios que se mostrem necessários para os encontrar. Caminhos que requerem persistência, ânimo constante, genica de herói cinematográfico para não quebrantar. E ainda que caíamos de quando em vez, porque o caminho está apinhado de escolhos, glorifiquemo-nos e, com o esforço sobre-humano que o só ao “Beowolf” seria reconhecido, levantemo-nos enfrentando de novo a “besta”. Afinal quem manda? Nós ou essa coisa diáfana, que alguns nos querem impingir, a que chamam vida. Nós traçamos os nossos caminhos, sem ano novo, sem nada. Só connosco!
Sejam felizes, agora e sempre.
Ámen!

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  • Arlindo Pinto

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