Arquivo para 2007
Há uns dias atrás alguém me dizia, que “a vida não é só arte”. Não posso refutar esta afirmação, que à primeira vista me parece uma verdade de Monsieur de la Palisse. É tão óbvia como a deturpação que Bernard de la Monnoye fez da suposta canção, que os soldados daquele marechal francês lhe dedicaram: “um quarto de hora antes da sua morte, ele estava bem vivo!”
Pois não, a vida não é só arte, mas é uma parte substancial desse efémero tempo terreno.
E não fora ela, este tempo seria para os terráqueos, bem mais soturno do que aquilo que já é e que se adivinha só possa piorar.
Abaixo ficam umas quantas citações, de uns outros tantos humanos que, em vida (lapalissada) proferiram o que julgaram ser, ou pelo menos alguém entendeu como tal, frases lapidares sobre a arte e o seu significado.
O rol foi coligido pelo E. N., a quem se agradece, excepto esta com que se inicia e que pode bem evitar-vos a leitura das restantes. Confio, no entanto, na curiosidade e estoicismo de alguns humanos e sei que esses hão-de ler até ao fim.
• Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. (Ernst Gombrich)
• Nunca devemos esquecer que arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade. (John Kennedy)
• A arte é feita para perturbar; a ciência tranquiliza. (Georges Braque)
• Religião e arte procedem da mesma raiz e são parentes próximos. Economia e arte não se conhecem. (Willa Cather)
• É incontestável que a arte deve conter valor social; como poderoso meio de comunicação que é, deve ser dirigida e em termos compreensíveis à percepção da humanidade. (Rockwell Kent)
• A arte de um povo é um reflexo autêntico de sua mentalidade. (Nehru)
• Só admito que uma coisa não seja natural: a arte. (André Gide)
• É preciso ter o diabo no corpo para alcançar êxito em alguma arte. (Voltaire) Ler o resto desta entrada »
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Vivemos realmente o tempo, ou ele foge-nos por entre os dedos?
O relógio condiciona inexoravelmente o nosso quotidiano. Voluntariamente ou arrastados, vivemos o dia-a-dia com “falta de tempo”, recorrentemente verbalizando que “tempo é dinheiro”. Contudo, desaproveitamos tempo e perdemo-lo efectivamente, extraviados num mar de superficialidades, apanágio da “vida moderna”, das grandes cidades e das catedrais do consumo.
Também sabemos que o “tempo foge”, que não se regenera, que jamais poderá inverter a sua implacável marcha. Mas, mesmo sabedores de tal facto, caímos no insensato logro de pensar que o mesmo não finda, nem se nos acaba jamais. Quedamo-nos, dessa forma, numa letargia em que apenas olhamos insistentemente para o relógio que marca o compasso diário da pauta que constitui a soma dos nossos dias, divisando incrédulos o tempo que passa.
O relógio marca o tempo e nós, seus senhores, limitamo-nos a vê-lo passar, displicentemente.
O trabalho que agora se apresenta, visa abrir portas à reflexão sobre a efemeridade do tempo e a necessidade de o viver intensamente, como se cada dia fosse o último e o relógio pudesse parar logo ali.
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Olha,
Agora que os corpos se saciaram,
Em viagens de vai e vem,
Que comprazeram o apetite com que se deram,
Fala-me de ti e diz-me se o amor se tem.
Bem,
Agora que o amor despertou,
Por entre gemidos e uma adivinhada calma,
Encontrando o eu que sou,
Descanso o corpo suado olhando-te a alma.
Deixas-me na boca o fruitivo perfume de mulher
No inebriante abraço com que me arrastas para ti
Esquecido fico do tempo que passa, mas que se quer,
Acalentando o desejo de que permaneças aqui.
Na penumbra do quarto vejo o meu anjo-da-guarda sorrir,
Abençoando o que há em ti de mulher,
Lá fora, o vento sopra noticias que de ti hei-de ouvir,
E o meu coração diz-me que te quer.
Em sussurros de mim te falo,
E digo quanto amo o que me ofereces,
Replicas que tudo acaba, tarde ou cedo,
Mas que de mim não te esqueces.
E o amor, esse que sabe tão bem,
Por entre sussurros e gemidos, pertence a quem o tem.
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Há uns anos, alguns, bastantes porventura, havia no Martim Moniz uma feira ou o que quer que seja que lhe queiram chamar, que mais tarde foi transferida para um local muito mais apropriado (?), a Praça de Espanha. Tudo com vista a embelezar aquele emblemático local da cidade. No entanto, não embelezaram nada, digo eu, que sou do contra.
Bom, mas o que interessa é que havia uma feira e que essa feira, de entre as mil e uma bugiganga que vendia, vendia também discos! Vinil, naturalmente. LPs e Singles. O que ali se encontrava, só era comparável ao que se descobria naquela loja que havia ali para a Rua do Forno do Tijolo: A Grande Feira do Disco, onde adquiri muito do chamado “Rock Português”, do melhor ao mais bizarro, ou uma outra discoteca cujo nome não recordo na Rua do Ouro, se a memória não me atraiçoa.
A feira era visita obrigatória, quase diária, ainda que para isso as aulas ficassem para mais tarde, em busca de discos raros, perdidos na memória dos consumidores, mas apreciados pelos mais conhecedores e ainda por cima ao preço da uva mijona…
Num desses dias, enquanto empoeirava os dedos percorrendo uma caixa de singles, deparei-me com um disquinho de capa monocromática, em que uns tipos com aspecto muito hippie, posavam para a fotografia de uma forma descontraída e pouco ortodoxa, como seria de esperar de personagens daquela jaez. Ler o resto desta entrada »
Tags: Hawkwind
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