Arquivo para 2007

Moonspell

A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase “Gostosuras ou travessuras”, exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração.
Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de Outubro e 2 de Novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente “fim do verão” na língua celta).
O fim do verão era considerado como ano novo para os celtas. Era pois uma data sagrada uma vez que, durante este período, os celtas consideravam que o “véu” entre o mundo material e o mundo dos mortos (ancestrais) e dos deuses (mundo divino) ficava mais ténue.
O Samhain era comemorado por volta do dia 1 de Novembro, com alegria e homenagens aos que já partiram e aos deuses. Para os celtas, os deuses também eram seus ancestrais, os primeiros de toda árvore genealógica.
Fonte Wikipédia

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A ComédiaClash…
O crânio sorvi-lho num ápice.
E o comboio desenvolvia uma velocidade estonteada
pelo calor sórdido dos carris obsoletos e inchados.
O passageiro escorreu sangue seco.
Era o calor!
Aproximou a língua vermelhamente salivante da janela quebrada e
abriu-se nos estilhaços do comboio voador.
Ressonávamos presos à cintura do maquinista de
uma tísica avançada que lhe corroía os ossos
esfacelados da velocidade mortífera das
angélicas asas dos priores de 1ª classe.
Lá no fundo, o riacho seco desertou o campo e
as areias soltas avançaram no sentido do cais.
Colhidos de surpresa, todos os passageiros gritaram horrivelmente
quando o pelotão de fuzilamento disparou à uma tiros certeiros e
o maquinista arreganhou os dentes ao carvão incandescente
daquela máquina traiçoeira…
Puta, puta… enquanto o petróleo escorria!

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Matando o papaCarbónicas as cidades do dióxido,
envenenaram cedo os rapazes e
corriam de cio na venta mulheres
por entre passeios empedrados de aldeias montanhosas.
Calculavam-se metricamente as possibilidades:
ascensão florida no cemitério e
o verde-escuro dos táxis acelerava veloz
cantigas de Edith Piaf.
Era ontem e hoje que caía sórdido e balofo
na armadilha das lambidelas do poder,
lembrando aos pecadores da carne puritana,
uma pasta ensanguentada, escorregadiça, lúgubre.
O Santo Oficio bailou na morgue
a dança ácida da chuva experimentalmente atómica.
O padre ajoelhou cabotino no altar da hipocrisia e
no pânico da revelação do Cristo crucificado
no monte das oliveiras;
cabelo oleoso no azeite das lamechices beatas.
747, caiu!
Todos caímos e
o sentido da escrita cai a pique nas “Bic” da ignorância.
Corpos apodrecidos aos milhares,
roídos pelos abutres do poder,
cromos de uma colecção sem caderneta.
Ciprestes cobertos de um negro carregado e
os mortos que riam do destino aéreo de aterrar
os cornos num descampado qualquer,
quando o voo perde a altitude da paz do Senhor,
sem que ainda os sobretudos do Inverno moral
caíam nos jazigos das mortalhas cantantes.
Achei divertido ter vontade de estrebuchar num jantar canibal e
condenar os criminosos à forca.
Como no “far-west”!

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Ora a propósito da arte, também o nosso Pessoa se pronunciou. Só não sei se foi em dia de se passear sóbrio pelo Chiado, ou alcoolizado pelo Martinho da Arcada. Seja como for, aqui fica o que ele e as suas multiplas personalidades sobre a matéria disseram:

A obra de arte é um pensamento tornado vida

A arte baseia-se na vida, porém não como matéria mas como forma. Sendo a arte um produto directo do pensamento, é do pensamento que se serve como matéria; a forma vai buscá-la à vida. A obra de arte é um pensamento tornado vida: um desejo realizado de si-mesmo. Como realizado tem que usar a forma da vida, que é essencialmente a realização; como realizado em si-mesmo tem que tirar de si a matéria em que realiza.

in “Ricardo Reis”

O Objectivo da Arte não é ser Moral nem Imoral

A arte não tem, para o artista, fim social. Tem, sim, um destino social, mas o artista nunca sabe qual ele é, porque a Natureza o oculta no labirinto dos seus desígnios. Eu explico melhor. O artista deve escrever, pintar, esculpir, sem olhar a outra coisa que ao que escreve, pinta, ou esculpe. Deve escrever sem olhar para fora de si. Por isso a arte, não deve ser, propositadamente, moral nem imoral. É tão vergonhoso fazer arte moral como fazer arte imoral. Ambas as [coisas] implicam que o artista desceu a preocupar-se com a gente de lá fora. Tão inferior é, neste ponto, um seminário católico como um triste Wilde ou d’Annunzio, sempre com a preocupação de irritar a plateia. Irritar é um modo de agradar. Todas as criaturas que gostam de mulheres sabem isso, e eu também sei.

in «Orpheu» Ler o resto desta entrada »

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O BanhoHá uns dias atrás alguém me dizia, que “a vida não é só arte”. Não posso refutar esta afirmação, que à primeira vista me parece uma verdade de Monsieur de la Palisse. É tão óbvia como a deturpação que Bernard de la Monnoye fez da suposta canção, que os soldados daquele marechal francês lhe dedicaram: “um quarto de hora antes da sua morte, ele estava bem vivo!”
Pois não, a vida não é só arte, mas é uma parte substancial desse efémero tempo terreno.
E não fora ela, este tempo seria para os terráqueos, bem mais soturno do que aquilo que já é e que se adivinha só possa piorar.
Abaixo ficam umas quantas citações, de uns outros tantos humanos que, em vida (lapalissada) proferiram o que julgaram ser, ou pelo menos alguém entendeu como tal, frases lapidares sobre a arte e o seu significado.
O rol foi coligido pelo E. N., a quem se agradece, excepto esta com que se inicia e que pode bem evitar-vos a leitura das restantes. Confio, no entanto, na curiosidade e estoicismo de alguns humanos e sei que esses hão-de ler até ao fim.

• Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. (Ernst Gombrich)
• Nunca devemos esquecer que arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade. (John Kennedy)
• A arte é feita para perturbar; a ciência tranquiliza. (Georges Braque)
• Religião e arte procedem da mesma raiz e são parentes próximos. Economia e arte não se conhecem. (Willa Cather)
• É incontestável que a arte deve conter valor social; como poderoso meio de comunicação que é, deve ser dirigida e em termos compreensíveis à percepção da humanidade. (Rockwell Kent)
• A arte de um povo é um reflexo autêntico de sua mentalidade. (Nehru)
• Só admito que uma coisa não seja natural: a arte. (André Gide)
• É preciso ter o diabo no corpo para alcançar êxito em alguma arte. (Voltaire) Ler o resto desta entrada »

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