24
Dezembro
2007
Eu nem devia! Porque considero o Natal, tal como o concebe e alardeia o meio excessivamente consumista onde vivo, uma autêntica e desbragada hipocrisia. Por que é só (com todos os significados desta pequena e solitária palavra) nesta época, que todos se lembram, e pouco mais, dos mais necessitados. Porque é nesta altura do ano, que os humanos quase se consciencializam de que são seres sociais e que há até seus pares a quem chamam sem abrigo, de que recordam tropeçar de quando em vez, numa das muitas noitadas bem bebidas, à saída das discotecas e para os quais cozinham agora uma fingida ceia, com direito a bacalhau com todos e tudo resto, que a mesa da classe média (em vias de extinção) é suposto exibir.
Porque é agora que, do alto da sua pelintrice espiritual, muitos percorrem os corredores das catedrais do consumo, em tudo vendo motivo justificado para calcinar o parco 14º mês, se é que por tanto foram abençoados, ou agigantar as suas já gulivescas prestações mensais. Mas pronto, eu entendo, todos temos que ser iguais, para que a galinha da vizinha não seja melhor do que a minha. Só que a igualdade é como um porco, não ronca sempre para o mesmo lado. Ronca, em regra, para onde melhor lhe cheira.
Nesta vertigem da época natalícia, somos todos irmãos, ainda que alguns de pai incógnito. Eu nem tenho qualquer interesse em chamar irmão a certos indivíduos que envergonham a raça humana, mas que, porque é Natal, coitados, “também têm direito”, de modo que passam também à classe de gente.
O Natal é sobretudo uma época, dissimulada, deprimente, potencial causadora de graves desavenças familiares e consumidora de amizades. Por que é dissimulada já sabemos. É deprimente porque constrange os que não têm família Ler mais »
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11
Dezembro
2007
Faz hoje, neste dia, nesta hora, dois anos que o 70-200.net foi formalmente inaugurado! Dois anos em que muita coisa sucedeu, em que o seu “layout” foi modificado por três vezes, em que se foram somando artigos e fotografias. Não posso dizer que não estou satisfeito com o resultado, apesar deste ser, talvez, apenas roupa para me aquecer o ego. Mesmo assim, penso que os que por aqui têm passado, com mais ou menos tempo, não o têm dado por desperdiçado.
Próximo de atingir os 40.000 visitantes únicos, é para mim um motivo de regozijo saber que estas cerca de 40.000 almas daqui levaram algo, bom ou menos bom, dependendo da visão de cada uma, das suas convicções literárias ou estéticas.
Como disse no artigo de abertura, este é o meu canto. Aqui deixo sempre que posso, o que me ocorre, venha ele da caneta ou da máquina fotográfica ou ainda dos discos que ouço e dos livros que vou lendo.
Muita coisa se passou, também, do lado de cá. A vida dá muitas voltas, diria Monsieur de La Palisse. E deu mesmo. Que interessa? Nada em absoluto. Apenas o que fica importa verdadeiramente. O passado morre no dia em que deixa de ser presente.
Por isso, vamos ao futuro. Qual político da nossa praça, aqui fica prometido que continuarão a ser importunados pela minha pessoa, sempre que nisso tiverem ou não interesse. Fotografias, textos, discos, tudo aquilo em que a politica editorial do site vir interesse e, se mais não houver, é porque ninguém deste lado está para aí virado.
Obrigado pelas vossas visitas e pelo apoio dos que a tal se disponibilizaram.
Até ao próximo artigo!
foto: autor desconhecido.
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5
Dezembro
2007
Tipos que misturaram as entranhas na terra barrenta da tundra.
Dependuraram corações exangues em altos embondeiros,
projectados do solo pelo músculo de uma anti-pessoal.
Saíram de lá tocos magníficos!
A selva verde tornada numa antonímia vermelha pelas explosões da libertação,
esperando o castanho da terra.
Num ápice a esperança de vida tolhida pelas minas e
armadilhas do destino pátrio.
Os despojos do dia num saco negro e
um bilhete de regresso ao solo materno e
às carpideiras da ultima viagem em terra firme.
Pó ao pó com guarda de honra e
tiros certeiros aos pombos do padastro que gozou da morte,
no entorpecimento da embriaguez diária.
Um buraco de dois metros e
a madeira assenta silenciosa na memória dos demónios da noite,
que abrem finalmente os olhos e
o calor da putrefacção alimenta o orgulho da nação,
inchada de jovens cadáveres chacinados.
Sim, sem coragem não há glória.
Glória à mutilação, violação insana,
crânios arreganhados pelo movimento veloz de lâminas artesanais,
estômagos vazios perfurados pela rectidão dos projecteis.
Regresso mutilado,
cadeiras rodadas e muletas de madeira traumatizada,
apostas na morte lenta do esquálido subsídio governamental.
Formar!…
À vontade!
*foto: autor desconhecido
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