Arquivo para 24 de Outubro de 2007

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O BanhoHá uns dias atrás alguém me dizia, que “a vida não é só arte”. Não posso refutar esta afirmação, que à primeira vista me parece uma verdade de Monsieur de la Palisse. É tão óbvia como a deturpação que Bernard de la Monnoye fez da suposta canção, que os soldados daquele marechal francês lhe dedicaram: “um quarto de hora antes da sua morte, ele estava bem vivo!”
Pois não, a vida não é só arte, mas é uma parte substancial desse efémero tempo terreno.
E não fora ela, este tempo seria para os terráqueos, bem mais soturno do que aquilo que já é e que se adivinha só possa piorar.
Abaixo ficam umas quantas citações, de uns outros tantos humanos que, em vida (lapalissada) proferiram o que julgaram ser, ou pelo menos alguém entendeu como tal, frases lapidares sobre a arte e o seu significado.
O rol foi coligido pelo E. N., a quem se agradece, excepto esta com que se inicia e que pode bem evitar-vos a leitura das restantes. Confio, no entanto, na curiosidade e estoicismo de alguns humanos e sei que esses hão-de ler até ao fim.

• Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. (Ernst Gombrich)
• Nunca devemos esquecer que arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade. (John Kennedy)
• A arte é feita para perturbar; a ciência tranquiliza. (Georges Braque)
• Religião e arte procedem da mesma raiz e são parentes próximos. Economia e arte não se conhecem. (Willa Cather)
• É incontestável que a arte deve conter valor social; como poderoso meio de comunicação que é, deve ser dirigida e em termos compreensíveis à percepção da humanidade. (Rockwell Kent)
• A arte de um povo é um reflexo autêntico de sua mentalidade. (Nehru)
• Só admito que uma coisa não seja natural: a arte. (André Gide)
• É preciso ter o diabo no corpo para alcançar êxito em alguma arte. (Voltaire) Ler o resto desta entrada »

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Watch(in') Time (one)Vivemos realmente o tempo, ou ele foge-nos por entre os dedos?
O relógio condiciona inexoravelmente o nosso quotidiano. Voluntariamente ou arrastados, vivemos o dia-a-dia com “falta de tempo”, recorrentemente verbalizando que “tempo é dinheiro”. Contudo, desaproveitamos tempo e perdemo-lo efectivamente, extraviados num mar de superficialidades, apanágio da “vida moderna”, das grandes cidades e das catedrais do consumo.
Também sabemos que o “tempo foge”, que não se regenera, que jamais poderá inverter a sua implacável marcha. Mas, mesmo sabedores de tal facto, caímos no insensato logro de pensar que o mesmo não finda, nem se nos acaba jamais. Quedamo-nos, dessa forma, numa letargia em que apenas olhamos insistentemente para o relógio que marca o compasso diário da pauta que constitui a soma dos nossos dias, divisando incrédulos o tempo que passa.
O relógio marca o tempo e nós, seus senhores, limitamo-nos a vê-lo passar, displicentemente.
O trabalho que agora se apresenta, visa abrir portas à reflexão sobre a efemeridade do tempo e a necessidade de o viver intensamente, como se cada dia fosse o último e o relógio pudesse parar logo ali.

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