Arquivo para 14 de Outubro de 2007

Olha,
Agora que os corpos se saciaram,
Em viagens de vai e vem,
Que comprazeram o apetite com que se deram,
Fala-me de ti e diz-me se o amor se tem.

Bem,
Agora que o amor despertou,
Por entre gemidos e uma adivinhada calma,
Encontrando o eu que sou,
Descanso o corpo suado olhando-te a alma.

Deixas-me na boca o fruitivo perfume de mulher
No inebriante abraço com que me arrastas para ti
Esquecido fico do tempo que passa, mas que se quer,
Acalentando o desejo de que permaneças aqui.

Na penumbra do quarto vejo o meu anjo-da-guarda sorrir,
Abençoando o que há em ti de mulher,
Lá fora, o vento sopra noticias que de ti hei-de ouvir,
E o meu coração diz-me que te quer.

Em sussurros de mim te falo,
E digo quanto amo o que me ofereces,
Replicas que tudo acaba, tarde ou cedo,
Mas que de mim não te esqueces.

E o amor, esse que sabe tão bem,
Por entre sussurros e gemidos, pertence a quem o tem.

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