70-200.net

O Comboio

30 Outubro 2007

O Comboio

A ComédiaClash…
O crânio sorvi-lho num ápice.
E o comboio desenvolvia uma velocidade estonteada
pelo calor sórdido dos carris obsoletos e inchados.
O passageiro escorreu sangue seco.
Era o calor!
Aproximou a língua vermelhamente salivante da janela quebrada e
abriu-se nos estilhaços do comboio voador.
Ressonávamos presos à cintura do maquinista de
uma tísica avançada que lhe corroía os ossos
esfacelados da velocidade mortífera das
angélicas asas dos priores de 1ª classe.
Lá no fundo, o riacho seco desertou o campo e
as areias soltas avançaram no sentido do cais.
Colhidos de surpresa, todos os passageiros gritaram horrivelmente
quando o pelotão de fuzilamento disparou à uma tiros certeiros e
o maquinista arreganhou os dentes ao carvão incandescente
daquela máquina traiçoeira…
Puta, puta… enquanto o petróleo escorria!

colocado em Textos Insanos, Word of Mouth | 0 Comentários

29 Outubro 2007

747

Matando o papaCarbónicas as cidades do dióxido,
envenenaram cedo os rapazes e
corriam de cio na venta mulheres
por entre passeios empedrados de aldeias montanhosas.
Calculavam-se metricamente as possibilidades:
ascensão florida no cemitério e
o verde-escuro dos táxis acelerava veloz
cantigas de Edith Piaf.
Era ontem e hoje que caía sórdido e balofo
na armadilha das lambidelas do poder,
lembrando aos pecadores da carne puritana,
uma pasta ensanguentada, escorregadiça, lúgubre.
O Santo Oficio bailou na morgue
a dança ácida da chuva experimentalmente atómica.
O padre ajoelhou cabotino no altar da hipocrisia e
no pânico da revelação do Cristo crucificado
no monte das oliveiras;
cabelo oleoso no azeite das lamechices beatas.
747, caiu!
Todos caímos e
o sentido da escrita cai a pique nas “Bic” da ignorância.
Corpos apodrecidos aos milhares,
roídos pelos abutres do poder,
cromos de uma colecção sem caderneta.
Ciprestes cobertos de um negro carregado e
os mortos que riam do destino aéreo de aterrar
os cornos num descampado qualquer,
quando o voo perde a altitude da paz do Senhor,
sem que ainda os sobretudos do Inverno moral
caíam nos jazigos das mortalhas cantantes.
Achei divertido ter vontade de estrebuchar num jantar canibal e
condenar os criminosos à forca.
Como no “far-west”!

colocado em Textos Insanos, Word of Mouth | 0 Comentários

25 Outubro 2007

A arte em Pessoa

Ora a propósito da arte, também o nosso Pessoa se pronunciou. Só não sei se foi em dia de se passear sóbrio pelo Chiado, ou alcoolizado pelo Martinho da Arcada. Seja como for, aqui fica o que ele e as suas multiplas personalidades sobre a matéria disseram:

A obra de arte é um pensamento tornado vida

A arte baseia-se na vida, porém não como matéria mas como forma. Sendo a arte um produto directo do pensamento, é do pensamento que se serve como matéria; a forma vai buscá-la à vida. A obra de arte é um pensamento tornado vida: um desejo realizado de si-mesmo. Como realizado tem que usar a forma da vida, que é essencialmente a realização; como realizado em si-mesmo tem que tirar de si a matéria em que realiza.

in “Ricardo Reis”

O Objectivo da Arte não é ser Moral nem Imoral

A arte não tem, para o artista, fim social. Tem, sim, um destino social, mas o artista nunca sabe qual ele é, porque a Natureza o oculta no labirinto dos seus desígnios. Eu explico melhor. O artista deve escrever, pintar, esculpir, sem olhar a outra coisa que ao que escreve, pinta, ou esculpe. Deve escrever sem olhar para fora de si. Por isso a arte, não deve ser, propositadamente, moral nem imoral. É tão vergonhoso fazer arte moral como fazer arte imoral. Ambas as [coisas] implicam que o artista desceu a preocupar-se com a gente de lá fora. Tão inferior é, neste ponto, um seminário católico como um triste Wilde ou d’Annunzio, sempre com a preocupação de irritar a plateia. Irritar é um modo de agradar. Todas as criaturas que gostam de mulheres sabem isso, e eu também sei.

in «Orpheu» Ler mais »

colocado em Diário Ocasional, Word of Mouth | 2 Comentários

24 Outubro 2007

Atenção ao urinol!

atencao_urinol.jpg

colocado em Diário Ocasional, Word of Mouth | 0 Comentários

24 Outubro 2007

A arte o quê?

O BanhoHá uns dias atrás alguém me dizia, que “a vida não é só arte”. Não posso refutar esta afirmação, que à primeira vista me parece uma verdade de Monsieur de la Palisse. É tão óbvia como a deturpação que Bernard de la Monnoye fez da suposta canção, que os soldados daquele marechal francês lhe dedicaram: “um quarto de hora antes da sua morte, ele estava bem vivo!”
Pois não, a vida não é só arte, mas é uma parte substancial desse efémero tempo terreno.
E não fora ela, este tempo seria para os terráqueos, bem mais soturno do que aquilo que já é e que se adivinha só possa piorar.
Abaixo ficam umas quantas citações, de uns outros tantos humanos que, em vida (lapalissada) proferiram o que julgaram ser, ou pelo menos alguém entendeu como tal, frases lapidares sobre a arte e o seu significado.
O rol foi coligido pelo E. N., a quem se agradece, excepto esta com que se inicia e que pode bem evitar-vos a leitura das restantes. Confio, no entanto, na curiosidade e estoicismo de alguns humanos e sei que esses hão-de ler até ao fim.

• Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. (Ernst Gombrich)
• Nunca devemos esquecer que arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade. (John Kennedy)
• A arte é feita para perturbar; a ciência tranquiliza. (Georges Braque)
• Religião e arte procedem da mesma raiz e são parentes próximos. Economia e arte não se conhecem. (Willa Cather)
• É incontestável que a arte deve conter valor social; como poderoso meio de comunicação que é, deve ser dirigida e em termos compreensíveis à percepção da humanidade. (Rockwell Kent)
• A arte de um povo é um reflexo autêntico de sua mentalidade. (Nehru)
• Só admito que uma coisa não seja natural: a arte. (André Gide)
• É preciso ter o diabo no corpo para alcançar êxito em alguma arte. (Voltaire) Ler mais »

colocado em Diário Ocasional, Word of Mouth | 2 Comentários

24 Outubro 2007

Watch(in’) Time

Watch(in') Time (one)Vivemos realmente o tempo, ou ele foge-nos por entre os dedos?
O relógio condiciona inexoravelmente o nosso quotidiano. Voluntariamente ou arrastados, vivemos o dia-a-dia com “falta de tempo”, recorrentemente verbalizando que “tempo é dinheiro”. Contudo, desaproveitamos tempo e perdemo-lo efectivamente, extraviados num mar de superficialidades, apanágio da “vida moderna”, das grandes cidades e das catedrais do consumo.
Também sabemos que o “tempo foge”, que não se regenera, que jamais poderá inverter a sua implacável marcha. Mas, mesmo sabedores de tal facto, caímos no insensato logro de pensar que o mesmo não finda, nem se nos acaba jamais. Quedamo-nos, dessa forma, numa letargia em que apenas olhamos insistentemente para o relógio que marca o compasso diário da pauta que constitui a soma dos nossos dias, divisando incrédulos o tempo que passa.
O relógio marca o tempo e nós, seus senhores, limitamo-nos a vê-lo passar, displicentemente.
O trabalho que agora se apresenta, visa abrir portas à reflexão sobre a efemeridade do tempo e a necessidade de o viver intensamente, como se cada dia fosse o último e o relógio pudesse parar logo ali.

colocado em Photopass, Word of Mouth | 2 Comentários

  • Arlindo Pinto

  • Listen...
  • Google It

  • Tópicos de Conversa

  • Melhor visualizado com Firefox

  • Hora Local

  • Translator

  • Tempo em Lisboa

    • Nuvens e visibilidade OK
    • Temperatura: 22°C
    • Humidade: 64.5%
    • Vento: N em 2 km/h
    • Ponto de orvalho: 15°C
    • Visibilidade: 10km
    • Nuvens: Nuvens e visibilidade OK
  • Links Patrocinados

  • Publicidade

  • Anúncios

  • Subscrever Artigos

  • Email: