Quarto d’hotel

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Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, faz hoje 65 anos. A importância da sua música e da sua atitude é por demais conhecida, sobretudo nos idos do século XX. Para celebrar mais um aniversário do mestre fica aqui um dos temas do album “Desire”, “One More Cup Of Coffee”, gravado ao vivo em 1975, disco de que tenho felizes recordações de adolescente e que um dia, quem sabe, vos contarei aqui.
Parabéns, senhor Robert Allen Zimmerman!
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(clique no convite ao lado)
Texto retirado do catálogo da exposição:
“Temos de deitar fora a camera, não passa de uma ferramenta que nos diz que o mundo existe, e o que ela nos mostra é quase sempre menos interessante do que o que realmente se passa.”
Peter Greenaway
A pintura clássica morreu no dia em que a fotografia nasceu, assim como o cinema se finou no dia em que o controle remoto foi introduzido nas nossas casas.
A fotografia não ficou a salvo desta sorte, já que muito provavelmente morreu em data incerta durante a década de noventa do século passado,
quando a utilização dos computadores se começou a vulgarizar, e se desenvolveram as suas capacidades de alterar tudo o que é passível de se transformar em linguagem binária.
Em qualquer destes meios de expressão, a maioria dos praticantes continuou a fazer o que sabia como se nada tivesse mudado, e não há nada de errado nisso.
No entanto, a partir do momento em que é possível utilizar vários meios de expressão artística e produzir um resultado final que não podemos classificar facilmente, houve artistas que começaram a pensar que podia ser muito estimulante trabalhar dessa forma. A partir dessa altura começámos a ter dificuldade em encaixar os artistas numa gaveta com uma etiqueta simples e segura.
Foram inventadas novas etiquetas, mas como acontece sempre, não chegaram para todos.
Os artistas fora da gaveta podem escolher entre querer entrar para uma, ou ficar de fora e preocuparem-se apenas com as suas criações, porque independentemente da técnica usada, o que conta é o resultado final.
Mário Filipe Pires
Fotógrafo e formador de fotografia
http://retorta.net
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Nos últimos tempos tenho conseguido fazer em simultâneo duas das coisas de que mais gosto: música e fotografia. Bem, quanto à música não é propriamente fazê-la até porque, para lá de ter deixado há muitos anos de tocar (talvez “tentado” seja melhor) bateria, abandonei, por razões depressivas (!) o curso de viola clássica, ao qual se eu quiser, e não Deus, hei-de voltar.
Há coisas que nos fazem correr. A mim, são aquelas duas por ora, mas não pensem que têm o exclusivo (as coisas, não vocês).
Ontem, respondendo a um desafio da “Maria Dollita”, desloquei-me 129 km para norte (segundo reza o “ViaMichelin”, que eu não me dei ao trabalho de os contar), para assistir a dois espectáculos, no Teatro Virgínia, em Torres Novas: um dos Dead Combo e outro dos The Doll and The Puppets. Note-se que no dia anterior, sexta-feira, tinha estado no Hard Club do Barreiro para ver os Mace e os Resignation. Sobre estes monologarei noutro artigo, o I, este é o II. Portanto, sexta a sul e sábado a norte, sintoma de que não faço distinções de credo, raça, som ou região.
Os sons daquelas duas bandas (como costuma agora dizer-se; antes era conjunto, apesar de talvez nenhum ser correcto, a crer no Dicionário de Língua Portuguesa, nos termos do qual uma banda é um “grupo musical que, quando civil, é o m. q. filarmónica”; ora aqueles são tudo menos filarmónicas) é totalmente diverso. Os Dead Combo, são uma combinação que, além de letal, é uma espécie de fusão entre Carlos Paredes e Durutti Column, que tocam Lisboa, o fado, o western vadio, voodoo, tango, flamengo, etc. e tal (o melhor é mesmo ouvir). Os “Puppets” são uma banda do panorama rock português, com traços muito característicos, pela energia que a vocalista, “Maria Dollita” imprime às canções e às suas actuações, que são a antítese dos Dead Combo: energia pura, alta voltagem até ao último pingo de suor, rock’n’roll verdadeiro e consistente, convidando o corpo a desconexas e libertadoras convulsões.
O espectáculo do Dead Combo foi o que era suposto ser: intimista, sereno, mas com picos de energia, incitando o bater de pé, só se fotografa sem flash para não danificar o ambiente e por aí adiante. Foi agradável e profissional q. b., para se perceber que são uma das peças maiores do cenário musical português.
Contudo, para aqueles que gostam de sair do espectáculo com um ligeiro zumbido nos ouvidos, sinal de exposição mais ou menos prolongada a demasiados decibéis, de beber uns copos e dançar ou abanar-se ferozmente ao som desses decibéis, foi na sala de cima do teatro que tudo se passou. De facto, o show (isto é só para não dizer espectáculo outra vez) dos The Doll and The Puppets teve tudo isso: decibéis, álcool e suor! Músicos e público, que vibrou com o som dos filhos da terra, pingavam suor e pedia-se “cerveja, cerveja”… Houve, durante todo o espectáculo, uma enorme interacção entre a banda e o seu público, que a acompanhava nos estribilhos. A “Maria Dollita” não resistiu e veio cantar para o meio da audiência: loucura total!
No desfecho, recordei-me de que, afinal o rock’n’roll é disso que trata. Ouvir e sentir no peito as pancadas da bateria, a cadência do baixo, os riffs desenfreados da guitarra, tudo caldeado com algum álcool, que o corpo não funciona sem combustível, e a atitude de quem quer passar por esta vida fazendo aquilo de que gosta, nem que seja transpirar o álcool bebido, por vezes em demasia, num concerto dos The Doll and The Puppets, porque acredita no rock’n’roll.
Depois de beber duas imperiais geladas, à janela do local onde a coisa se tinha dado e onde só havia duas (idiotices de arquitecto que desenha, mas não vive nos desenhos), fiz-me à estrada e era já dia 13 de Maio. Enquanto rolava ia avistando os peregrinos que, crentes na sua fé, se deslocavam em passo largo, para o Santuário de Fátima e disse para o meu fecho eclair:
- É isso! Eu sou crente! Sou um peregrino do rock!
*Clicar na foto para ouvir.
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Era um miúdo traquina. Nascido na província, o seu pequeno mundo de criança a quem tudo parece enorme, era confinado ao local onde vivia e à terra que o vira nascer. Lugares por onde se dispersava a família mais próxima. Isto para não mencionar os que, na busca de melhor sustento, tinham emigrado para terras de França, local predilecto da generalidade dos seus conterrâneos. Iam em busca de abastança, com a terra de origem na memória, esperando as férias para a visitar, sonhando com o dia em que voltariam, definitivamente, para gozar a opulência das moradias construídas com a suas próprias mãos, tijolo sobre tijolo, ano após ano. Assim tinha sido com as tias paternas. Quanto à família materna, essa preferira o calor do Brasil e o bulício da capital lisboeta, à estranja europeia. Uns e outros, porém, com a mira de melhores vidas, numa fuga desesperada à bonança doentia do interior português, incapaz de conter a hemorragia a que assistia impavidamente. Ler mais »
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