Arquivo para Março 2007

BallaOs Alunos da Imagem tinham um encontro no BAIRRO ALTO para fotografar, seguido de jantar no “Antigo 1º de Maio”, para depois, alguns irem até Corroios para continuar na senda da fotografia, mas desta vez de espectáculo. Decorria a 3ª sessão do XII Festival de Música Moderna de Corroios. Actuavam os Dioz (diose), The Wage (de uage) e, como convidados, Balla (bala).
À hora marcada lá foram chegando os “alunos” de mochila às costas ou saco ao ombro, qualquer um carregando o equipamento de muitas horas de prazer.
O ponto de encontro foi o Miradouro de S. Pedro de Alcântara, alvo de obras de reabilitação, digo eu, cujo termo, naturalmente se desconhece, à boa maneira portuguesa. Ou então, sendo conhecido, é meramente indicativo, podendo haver uma “ligeira” dilação entre um e vários anos.
Iniciamos a tarde tomando algo no café em frente, a cuja porta se encontrava um engraxador com roupas que já viram melhores dias e óculos de lentes retiradas do fundo de garrafa de um tinto qualquer. À primeira vista todos julgariam ser um individuo iletrado ou, pelo menos, padecendo de forte iliteracia. Daí a surpresa ao vê-lo sacar de um livro de folhas acastanhadas, gasto, rasgado nalgumas páginas, e iniciar uma leitura à distancia de não mais do que cinco centímetros dos olhos e a muito menos da ponta do seu nariz de tez avermelhada. Iniciou uma leitura em que aquele órgão do sistema respiratório desempenhava um papel de extrema importância, pelo que me foi dado perceber, e que era o de indicar o sentido da leitura: da esquerda para a direita e regresso à posição inicial para nova linha, tal qual o carro de uma Remington do século XIX, voando de um lado para o outro, ao sabor das ideias de um balzaquiano qualquer. Contudo, penso que apesar de seu vetusto aspecto, o livro devia ser de “última geração” e conter já uma outra propriedade, a qual seja, a de emanar os aromas dos locais onde se desenrolava a acção. Mas as surpresas não se ficaram por aí e mais espantado fiquei ao aperceber-me da consciência cívica daquele engraxador, de tal forma sensibilizado para a defesa do meio ambiente e para a necessidade de reciclagem dos desperdícios, que, depois de lidas as duas faces da mesma página, a arrancou do livro e a levou às fossas nasais assoando-se demoradamente. Ler o resto desta entrada »

Comments 1 Comentário »

Nú - RuínasTalvez paixão, porque não?
Avassaladora, que me arrasta impunemente,
Sem vergonha, sem pudor.
És tu, meu amor?

Ah, amada querida,
Como desejo satisfazer no teu corpo,
O que me vai no coração,
Com beijos loucos de paixão.

Um fogo imenso que me devora a lucidez,
Uma fome voraz, que insiste num repasto de carne crua,
Um afogar de volúpia como se fora a primeira vez,
Com corpos numa enérgica luta nua.

Paixão vertida numa cama de linho,
Num quarto solarengo da cidade,
Entre corações em desalinho
E onde não importa a idade.

Entusiasmo de adolescentes com vivências de outrora,
Espasmos de entrega e sussurros com ardor,
Carne viva sem pressa de ir embora,
Numa amálgama de prazer e furor.

Entrega total sem pressa do calor que jorra,
Sem noção do tempo que passa,
Num extase de afecto e de carne que torra,
Calor criado na verdade, sem farsa.

Carne que se mistura com rubor.
És tu, meu amor?

Comments 2 Comentários »

Fu ManchuNo próximo dia 26 de Abril, o dia seguinte ao do aniversário da libertação da opressão salazarista e se me mantiver vivo até lá, como tenciono, estarei no Paradise Garage com o “JM” para ver os Fu Manchu. Já que, imperdoavelmente, falhei o concerto dos Orange Goblin, é imperioso que assista de perto, primeira linha já se vê, mesmo no centro do mosh, à performance dos sucessores do maléfico génio chinês.
Hoje foi dia de dois em um: aquisição deste bilhete e do último registo dos moços da Califórnia, “We Must Obey”. Obedecer ao Rock’n’Roll é preciso, nestes tempos conturbados em que nós próprios elegemos mentecaptos para governarem o nosso destino, porque demasiado atarefados em assistir à cerimónia dos óscares, à novela não-sei-quantas e até às baboseiras do Alberto João.
Pois eu digo: “rock’n’roll free your soul!”
Ok, já sei, estou, dirão alguns eruditos, a falar de música sem qualidade, o que quer que isto seja, de uma arte menor. E vêm logo em minha defesa uns quantos seres proprietários de profundos complexos de inferioridade, dizendo que não, que o rock também é e que sim que até há o Frank Zappa e o Mike Oldfield e outros que tais. Que não é só Status Quo, que os eruditos rotularão de música quadrada, que aqueles também têm muita qualidade. Lá diz a outra que “qualidade é um conceito subjectivo que está relacionado directamente às percepções de cada indivíduo. Diversos factores como cultura, modelos mentais, tipo de produto ou serviço prestado, necessidades e expectativas influenciam directamente nesta definição.” Ler o resto desta entrada »

Comments 1 Comentário »

Beratan - BaliPara os que a ela não tiveram acesso, aqui fica o texto sobre a minha viagem a Bali, publicado na Revista Pessoal de Dezembro de 2006.

“Quando o convite chega, começo por desconfiar das intenções do remetente. Depois abro o envelope e confirmo que o pior aconteceu. Sucedem-se uma série de gestos e movimentos que exteriorizam o meu desespero: pouso o cartão na mesa de centro, deixando o corpo cansado cair pesado no ‘maple’ preferido, enquanto cruzo as mãos na nuca e fico atónito fitando um ponto imaginário na sala silenciosa. São admissíveis outros comportamentos de maior apoquentação, nomeadamente pontapear as cadeiras da mesa de jantar, enquanto se grita bem alto expressões contendo palavras tidas, socialmente, por indecorosas, mas realmente libertadoras. Como, segundo se diz, depois da tempestade vem a bonança, já mais calmo após uma refeição frugal, acorro ao computador pessoal e vou até à banca electrónica consultar a saúde financeira, quedando-me a fitar o ecrã para confirmar o que já sabia: «isto não vinha mesmo nada a calhar, sobretudo nos tempos que correm». Ler o resto desta entrada »

Comments 1 Comentário »

XII Festival de Música Moderna de CorroiosEstá a decorrer em Corroios o XII Festival de Música Moderna. Apesar de não entender porque é que é moderna, o facto é que se trata de um evento que, como o nome indica, vai já na sua 12ª edição, o que só por si é de se lhe tirar o chapéu.
O amigo “J” enviou-me um link e, à conta do concurso de fotografia integrado no mesmo certâme, lá fui eu e o “JM” até ao Seixal, com destino a um local designado por “Março Fora D´Horas”, guiados de inicio pela intuição e mais tarde por métodos bastantes mais sofisticados: GPS!
Saídos para chegar onde interessava e como desconhecíamos o tal “Março Fora D´Horas”, metemo-nos ao caminho, noite dentro, ponte fora e Cristo-Rei pelas costas, para chegar ao local onde semanas antes eu tinha ido ver os Blood Brothers, Corroios, até porque o dito festival ali tem lugar.
Chegados ao local de anteriores espectáculos, quedei a viatura e deixei o motor em andamento para uma previsível rápida saída, porque a hora do evento, fosse lá onde fosse, aproximava-se a passos largos. Atravesso a rua com passo apressado e dirijo-me à primeira alma que encontro: um jovem, mais jovem do que eu, com uma bolsa a tiracolo e camisa por fora das calças. Interroguei-o:
- “Sabe onde fica o espaço “Março Fora D´Horas?”
A resposta veio surpreendentemente rápida. Estava à espera de mais um “Não sei, não sou daqui!”, ou “Bem… isso… sei onde é, mas agora estar a explicar-lhe…”. Aquelas respostas simpáticas que me deixam boquiaberto e capaz de enviar os interlocutores para outro local, que aqui não pode expressamente referir-se. Ler o resto desta entrada »

Comments 1 Comentário »

Fotografia ♦ Photography ♦ 70-200.net ♦ Since 2005
Fotografia e Textos de © Arlindo Pinto, excepto onde indicado.
Best viewed with a resolution of 1024x768 (or higher).