Na montanha habitava toda a espécie de animais. Os Segomo nunca se aventuravam nas incertezas da montanha, prevendo os perigos que daí poderiam advir. Apesar da montanha ser um território relativamente desconhecido, os Segomo sabiam que era habitada, entre outros igualmente ferozes, por ferinas alcateias. O povo Segomo temia-as e conjecturava acerca da voracidade dos lobos das estepes, o que constituía razão mais do que suficiente para o manter afastados dos trilhos estreitos que serpenteavam a montanha. Já lhes bastava a luta quase diária contra os Tutates. A esta luta não se lhe conhecia um fim breve e o ventre fértil das mulheres Segomo, não dava à luz nada que se parecesse com Nuada, o eleito, o libertador. Aos lobos não se lhe conhecia nada de bom, daí que nem pela ideia lhes passasse que Nuada um dia chegasse descendo os trilhos envolto numa aura de salvação. Nem este ousaria enfrentar os lobos.
Apesar da guerra que opunha os Segomo e os Tutates, havia dias em que, fruto do mútuo cansaço das refregas nas planícies, os dois povos serenavam os ânimos e recolhiam às suas aldeias para uma pausa, restabelecendo forças e delineando estratégias de defesa e ataque, cada uma mais mortífera do que a anterior.
Esses dias, contudo, corriam rápidos e os prazeres carnais para os homens junto das suas amadas eram necessariamente breves, porque havia que dar atenção aos filhos, não fosse uma investida temerária dos Tutates aldeia adentro retirá-los das suas famílias e abandoná-los à entrada daquela, chacinados, envoltos numa papa ocre de sangue e pó. Ler o resto desta entrada »

