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Confeitaria Nacional

29 Novembro 2006

Confeitaria Nacional

Confeitaria NacionalA fome corria veloz na vontade de descer rápido e
um corte abrupto de direcções
rodou tangente à direita,
quando a aflição da charada galinácea entoou seca
na orde das sombras entradas na nacional confeitaria.
Descalçamos o transpirar sôfrego e
despimos a virtude enferrujada pelo
cio virgem das porcas da rua do carmo
com zelo de engraxador barato,
enquanto o leite batido, num amargo de chá gelado,
nos sufocava a vontade de prostitutas e,
num ápice azedo de surdez,
colocámos monstruosos
os cornos do diabo em cima da mesa.
Numa aparição dantesca gritámos: “avante!” e
trespassámos, sem coerência, a córnea dum acordeon cego
quando as paredes sopraram exaustas a cedência de
milénios de encosto e
ruíram os dogmas no maremoto das cinzas do Ler mais »

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24 Novembro 2006

E-mail a um amigo de longa data

Caro “F”:
Por aqui vamos andando na forma do costume, excepto o cão que foi atropelado e deu entrada em Santa Maria já morto, apesar de ter sido tentada a reanimação com respiração boca a boca. Por seu lado, o gato apanhou sarna e coça-se constantemente, algo que é desagradável para as visitas, que acham estranho o gato ser careca e coçar-se daquela forma. Está a fazer um tratamento à base de cortisona e está muito inchado. De tal forma que as portas lá de casa tiveram que ser alargadas, o que me custou um dinheirão, ao preço que as coisas estão. Tu sabes, materiais, mão-de-obra e assim…
A acrescer a isto, houve uma inundação cá em casa, mas toda a vizinhança ajudou com baldes e esfregonas daquelas do DMail, que são muito boas e não deixam rasto, até porque depois da limpeza o algodão não enganou e ficou alvo como a cal das paredes recentemente pintadas, para cobrir os vestígios do último incêndio provocado pelo gato, que pegou fogo junto à lareira e desatou a correr apavorado pela casa fora. Primeiro incendiou os cortinados e depois a roupa das camas. Como se isso não bastasse meteu-se na gaveta das cuecas e agora, por causa disso, deixei de usar roupa interior, o que em certas situações tem dado imenso jeito, mas que no dia-a-dia nem sempre é muito prático. Tenho um amigo que lhe aconteceu a mesma coisa e entala constantemente o pilau no fecho éclair. A Éclair foi para o Brasil onde exerce uma profissão de baixa moral, tudo porque aqui não tinha clientela, em virtude do seu sotaque…
Quanto ao jantar estou totalmente de acordo, sem querer menosprezar o excelente evento organizado pelos Colegas que, além de ter sido um êxito, foi muito divertido. Mas têm que compreender que a gente tem outras necessidades também.
Olha, um grande abraço e se quiseres visita-me de quando em vez em www.70-200.net.
A malta fala-se, mas talvez só depois de resolver este problema do gato. Não gosto de o deixar sozinho. Da última vez que o deixei sozinho apanhou uma congestão porque foi ao frigorifico e comeu todos os gelados que tinha comprado no LIDL. Por isso agora só compro no Continente. Ele não gosta dos do Continente. Dá-me ideia que é por causa da embalagem. O veterinário diz que ele pode ser daltónico e os desenhos dos invólucros dos gelados do continente lhe causarem algum mau estar a nível psicológico. Eu tendo a estar de acordo. Por alguma razão, desde há uns tempos a esta parte, tem insistentemente dado com a cabeça nas paredes, após o que realiza uma série de mortais à retaguarda e cai exausto junto à lareira. Com o aproximar do Inverno vou ter que estar muito atento, não vá ele incendiar-se novamente. Dois incêndios num só ano é demais, mesmo para mim.
Aquele abraço!
AP

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23 Novembro 2006

Shooting Star

Bad Company - Shooting StarHá canções que nos dizem tudo. Tudo daquilo que fomos, daquilo que somos, daquilo que desejamos, do bem e do mal, enfim, ouvimo-las e lá estamos nós, em sentido próprio ou figurado.
Johnny podia ser qualquer um de nós, ali erecto em plena rua, olhando o céu cinzento de Inverno, retina fixa nas nuvens que anuncíam borrasca ou tempestade mais séria, daquela que os jornais televisivos anunciam com mortos e inundações fenomenais de norte ao sul do país. O país imerso em águas turvas como sempre esteve e ficará “ad eternum”, sem rumo, sem leme, sem timoneiro. Com compadrio e corrupção.
Mas se Johnny podia ser um de nós, então todos podemos, algures, ter os nossos 15 minutos de fama, como professava o Andy Warhol, rapaz dado a comportamentos estranhos, mas de alguma forma um profeta dos nossos dias. Ascensão e queda. Sobretudo queda. Queda do pedestal dos nossos sonhos que nunca se concretizam, pelo que o infrutífero sonhar é apenas um exercício para entreter tolos, que acreditam que um dia, antes da sua morte, prematura ou não, podem alcançar algo que os satisfaça em pleno. Absurdezas do Homem. Se tudo é breve de que vale o investimento? Investir em quê? Nas nossas vidinhas de trazer por casa? Ler mais »

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22 Novembro 2006

Ah, mulheres dum raio!

Juliette and the Licks

Juliette and the Licks - clicar na capa para ouvir

A Juliette, como sabem, é actriz e conta já na sua carreira com inumeros titulos, vejam aqui. Agora deu-lhe para o rock’n'roll e deu-lhe forte. Vai-te a eles miuda…
*********
Por outro lado, a estas aqui já lhes deu há muito tempo, mas não menos forte. São giras como tudo e mesmo se um tipo não for à bola com o rock’n'roll, vai à bola com elas… Eu ia a todo o lado, até ao inferno… até porque lá é quentinho, segundo se diz.

The Donnas - clicar na capa para ouvir

The Donnas

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22 Novembro 2006

Dia de raiva!

Manifesto - Ricardo Figuinha(Atenção: no texto abaixo é usada linguagem vulgarmente reconhecida como calão e obscena. Seria socialmente correcto não o fazer. Mas eu não sou hipócrita, nem bebi chá em criança. Apenas café que me excitou suficientemente o cérebro, não só para dizer estas besteiras, mas também para saber que todos o fazem, ainda que digam que não. Fingimento inaceitável e moralmente reprovável. Se a linguagem da natureza citada o (a) choca, ou se é menor, peço-lhe encarecidamente que não leia o texto abaixo. Se o fizer e não estiver em sintonia, seja ela FM ou OM, não diga que não foi avisado(a) e enxovalhe depois o autor e o citado, fazendo comentários à impropriedade da linguagem e da falta de educação dos mesmos, correndo dessa forma o risco de estar deliberadamente, e por culpa própria, a difamar pessoas de bem, que podem perfeitamente pôr-lhe um processo em cima, ou em baixo, como mais lhes aprouver.)

Andava eu de volta da limpeza e arrumação da garagem, deitando fora vestígios do meu passado, duvidoso ou não, quando por entre um trago de gin tónico bem frio (que as limpezas requerem calma e descontracção etílicas) e um tema - The Hunter - dos Free (uma das maiores bandas rock que o planeta já conheceu), quando inopinadamente deparo com um dos livros que mais marcas deixou na minha pouco sóbria juventude. Nada menos de que o “Manifesto” de Ricardo Figuinha, uma “proposta de anarquia corporal, sem erva, sem ácido, sem nada”, algo de que considerando o conteúdo tenho sérias dúvidas,

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20 Novembro 2006

Rock, filho de Elvis

Elvis Presley - (You're The) Devil in Disguise[O texto abaixo (o Rock) usa palavras obscenas. Se tem menos de 18 anos não leia sff.]

Rock, além de filho de Elvis, já defunto, era e é um filho da terra. Emigrado por alguns anos, a ela voltou saudoso, por certo, do vinho que outrora Elvis cultivara e que Rock nunca deixou de amar. Fazia, aliás, questão de viver intensamente essa paixão. Outras houvera é certo, mas manteve-se sempre celibatário. O vinho, esse, jamais o abandonou. No entanto, de quando em vez derivava para outros territórios mais etílicos até: as bebidas brancas, as cor de caramelo, as vermelhas, as verdes, etc. Nesta matéria, Rock revelou-se sempre um homem de carácter que, fiel aos seus princípios vinícolas, não desprezava as concorrentes de maior graduação. Além do álcool, sisma herdada de Elvis que dele faleceu transportando em si não um fígado mas tão só uma pequena isca, apenas o seu fiel amigo, de que não recordo o nome, com o qual durante a madrugada por vezes se fazia acompanhar, exibindo com frequência o bilhete de identidade do animal, era seu fiel amigo.

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