Há que tempos, hein!
É mesmo. Tempo demasiado. O tempo necessário para ir sarando algumas feridas. O restabelecimento é lento, mas consistente, espera-se. Entre cabeçadas na parede – em sentido figurado bem entendido, até porque as tipas não valem isso – e afundanços no sofá da sala, vou trilhando um novo caminho. É mentiroso quem afirma que só se nasce uma vez. Acredito, pois, no renascimento – sim, também no que marca o fim da idade média e o início da idade moderna. Quando vivemos uma mentira durante muitos anos, como foi o meu caso, acabamos por perceber, mais tarde ou mais cedo, que nos anulámos, que vegetámos, que aquilo teve tudo a ver com todos menos connosco. E depois o quê? Depois lembramo-nos da história do cavalo velho que caiu num poço seco e do qual, naturalmente, não conseguia sair pelas suas próprias patas. Nesta história o dono, decide que, como o animal era já velhote e que quer ele quer o poço pouco préstimo tinham, o melhor era enterrá-lo vivo, ignorando os seus lamentos. E com a ajuda dos vizinhos, toca de iniciar o macabro funeral. A cada pá de terra que lhe caía no lombo o cavalo sacudia-a e dava um passo sobre ela. Depois de muita terra sacudida, o cavalo conseguiu, Ler o resto desta entrada »

