Arquivo para 30 de Junho de 2006

O texto abaixo é de Fernando Pessoa, perante quem nos curvamos, e fica aqui como sentimento de muitos dos que agora se iniciam numa nova vida. A ideia de o deixar aqui foi da “L” a quem fica o agradecimento. Logo juntaremos foto ou pintura a condizer. Por dificuldades informáticas agora não é possivel! Bom, neste momento já é possivel, mas não me apetece!

“Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.

O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
…………………………………………….
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
…………………………………………….
Neófito, não há morte.”

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