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25 de Abril

25 Abril 2006

25 de Abril

POVO/MFAAlguém, algures no tempo, me ofereceu um rádio transístor vermelho, da marca National. Estimava-o. Figurava na galeria dos pouquíssimos divertimentos que a infância e pré-adolescência juntas me haviam aportado. Onda média, já se vê, mas ainda assim dava-me a possibilidade de ouvir alguma da música que na altura passava na rádio. Alguma das estações nacionais, outra da Rádio Altitude da Guarda. Não me envergonho do passado e por isso posso dizer sem rebuço que ouvia as canções do “grande” Nelson Ned, Roberto Carlos e outros que tais. Mas também dos Beatles e dos Stones.
Durante o período em que fui proprietário do pequeno transístor, tiveram lugar acontecimentos que marcaram para sempre a minha história e a história deste miserável país.
Frequentava o ciclo preparatório. Destes tempos, para lá dos personagens dos livros de língua francesa, Robert, Nicole e Patapouf, reforçados com a tele escola e aquele professor que insistentemente repisava “repetez vous”, apenas recordo o dia em que uma violenta gripe me atacou e fiquei toda a tarde tremendo ao sol da Primavera, enquanto esperava a “carreira” para casa e o dia em que no intervalo matinal de uma das aulas alguém disse: “Há uma revolução em Lisboa!” Lisboa ficava a umas boas 8 horas de caminho, por isso não havia da revolução chegar ali. Os lisboetas que se desenrascassem. A palavra “revolução” não constava do nosso vocabulário. As pequenas revoluções que a aldeia ia conhecendo resultavam, quando muito, por entre os efeitos do álcool, de umas sacholadas bem assentes no lombo, às vezes na testa, de um vizinho menos ordeiro ou como ponto final de uma rixa de taberna mal resolvida por entre os copos de três. Por isso, nem sabíamos ao certo como interpretar o facto de haver uma revolução em Lisboa. Sabíamos que não era coisa que se desse todos os dias. Ler mais »

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24 Abril 2006

A estante

Nick Drake - Pink Moon Apesar de uma certa imbecilidade do próprio, o facto é que em casa dele ouvi e aprendi muito daquilo que constitui “nowadays” o meu universo musical. Não recordo já se os registos de Nick Drake foram ou não afectados pelo famigerado incêndio em casa do “J” que já aqui mencionei. Sei sim que, desde essa altura, os ambientes sonoros daquele foram sendo regularmente companhia nos mais variados momentos. Também não recordo se no dia da construção da estante no quarto do “J”, parte do projecto de remodelação dos seus anárquicos aposentos, no gira-discos rodava vinil de Drake. Rodavam, isso sim, pedaços de madeira, pregos e parafusos. Recordo ainda a expressão de terror seguida de desfalecimento do “J” quando, por entre a confusão instalada, se lançou ao serrote e cortou mais curto do que devia, um pedaço de madeira com aspirações a prateleira. Testada no local e verificado o irremediável erro, pousou a madeira, levou lentamente as mãos à cabeça caspada e deixou-se ficar ali, de pé, fitando incrédulo a madeira inanimada por longos segundos. Durante esse tempo a face habitualmente rosada e curtida pelo álcool de “J”, tornou-se alva como o lacado da madeira usada na bricolage. Podia ler-se-lhe na expressão: - Meu Deus o que fiz eu?!
E, no silêncio que entretanto se instalou quando todos demos pela asneira, quase podia ouvir-se a voz do próprio Deus responder-lhe na sua calma celestial: - Fizeste merda, como habitualmente! Ler mais »

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18 Abril 2006

Michelle - San Diego

Michelle.jpg

Steve Diet Goedde - 1999

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15 Abril 2006

The Mango Kid Voicst

Voicist - Whatever You Want From Life Terça-feira é feira da ladra. Semanas antes tinha já decidido ir com o “JM” ladrar para o Paradise Garage. Por ali passava “The Mango Kid”, acompanhado de duas bandas de apoio: Voicst e Tokyo Dragons. O projecto era chegar cedo, ficar bem junto ao palco, primeira fila entenda-se, e abanar violentamente a cabeça ao som do já conhecido Danko Jones. Com os outros, ilustres desconhecidos, logo se veria. A noite havia de consistir no frenético destilar de suor e sacudir as ancas oscilando o corpo entregue à potência dos amplificadores. Chegados ao local onde a celebração do rock’n’roll deveria ter lugar, ocupámos os lugares de acordo com plano antecipadamente traçado: temerariamente na dianteira. No proscénio estavam alinhados instrumentos e as baterias faziam fila indiana, prontas a ser descartadas à medida que fossem usadas. Eram uma espécie de instrumento de usar de deitar fora. Tocado que estivesse, ele aí ia direito ao canto esquerdo do palco, por onde haveriam de se escoar os instrumentos e amplificadores usados e já sem préstimo para aquela noite. Música descartável. Who cares?
Há hora marcada aparecerem os Voicst. Os presentes, escassos, fitavam o palco com a curiosidade de quem nunca lhes tinha posto a vista em cima, nem sequer lhes tinha feito ouvidos de mercador. Ler mais »

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8 Abril 2006

Arte na Planicie

Fazer download do catálogo

“Do sonho - um sonho antigo de Paco Bandeira, induzido por Artur Bual, Francisco Relógio e Mário Cesarinny (que teria por catalizadores a expertise e o know-how, o talento e o empenho de António Inverno e Eduardo Nascimento) - partiu-se para a aventura criativa de um projecto cultural interdisciplinar, aglutinador e promocional das Artes Plásticas e Visuais, das Artes Poética, Musicais e Performativas (como soe dizer-se). …e esta aventura criativa tomou forma, aqui (nos Foros do Cortiço), um pólo de convivialidade, um centro cultural em gestação (que congrega já a cooperação autárquica dos Municípios de Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Évora e Portalegre), afirmando a sua realidade em progresso - sob a forma responsável, alegre e viva de manifesto - nesta II Colectiva de ARTE NA PLANÍCIE.
Por isso e também porque integra uma homenagem imperativa, ao grande pintor Manuel d’Assumpção, ela é - ainda e, sobretudo! - a demonstração radical de quem acredita que todos os 1.000′agres são possíveis, quando e se as expectativas são genuinamente inspiradas pela Poesis, autenticadas pela força da convicção, animadas pela acção, em nome da Vida, com o sentido colectivo, gregário e unívoco da Amizade!
Esta é uma colectiva de facto consumado, uma iniciativa da Liberdade-sem-fronteiras, da criatividade assumida na plenitude do visível e do táctil, na diversidade actual aqui assumida, latu sensu, sob a “forma da fala humana”. Trabalhos expostos
O significado e a expressividade representativa desta mostra monumental, evidencia-se e torna-se absolutamente eloquente, na pluralidade de expressões, sensibilidades e linguagens, das centenas de obras aqui expostas, de 118 autores portugueses e (na versão deste ano) 6 galaicos: 92 Pintores (de entre as quais algumas masterpieces de mais de duas dezenas de pintores históricos, seniores e jubilados da Arte Portuguesa Contemporânea, na charneira dos sécs. XX/XXI), 22 Escultores (iniciados, profissionais e de carreira), 10 Fotógrafos (inovadores da imagem do simbólico e da arte-ensaio).
Estas não se pretendem referências strictu sensu estatísticas, apesar de outro qualquer propósito, de recensão nominal, ser, no âmbito deste texto, obviamente prematuro, desajustado e, porventura, elementarmente absurdo.”*

(*Texto retirado do catálogo)

Nesta exposição estão patentes trabalhos da minha série “Miopia”, que podem ver na Galeria. Para fazer o download do catálogo, clicar na primeira imagem.

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6 Abril 2006

O barrete!

Sisters of Mercy - Vision Thing Tenho, confesso, enfiado, de quando em vez, um ou outro barrete. Caído no logro. Ir ao engano. Tudo sinónimos do que ocorreu ontem no Coliseu dos Recreios de Lisboa.
Por 24 € dispus-me a ir até ao mítico local, arena de muitos circos, mal sabendo eu que quase iria assistir a um destes espectáculos, pelos quais nutro alguma indiferença, para não dizer mais.
Apesar de já não gravarem desde 1990, ainda assim, esperava mais dos Sisters of Mercy, que ontem se apresentaram (ou quase) no palco do Coliseu. Explico.
Ainda o glorioso não tinha terminado o seu sofrimento por terras da Catalunha, já eu ia entrando no recinto, quando o primeiro vislumbre do palco me fez temer o pior: não vi no palanque uma bateria. Medo. E ruminei: concerto ao vivo sem bateria… Afaguei o queixo com barba de fim de dia e continuei fitando o proscénio incrédulo. Tentei, em vão, encontrar indícios de instrumento tão característico do pop/rock. Apenas uma armação metálica com pequenas luzes que cintilavam oriundas do PA. Sempre tive algum rebuço em aceitar a substituição de instrumentos básicos do rock por sintetizadores ou fitas pré-gravadas. Ler mais »

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