Arquivo para Janeiro 2006

Masters of Reality - Jindalee jindalieAnteontem juntei-me, forçado, confesso, à carneirada.
Ao redil que no final da semana visita, sôfrega, as catedrais do consumo. E logo no pior dia: sábado.
Pensando bem, hoje nada tem de invés em relação ao dia transacto. Apenas a dimensão: uma casa maior, uma catedral. Por ali erram, sem destino, um número indeterminado de seres, em busca do sentido da vida. Para tanto, melhor seria dar uma olhada à fita dos Monty Python. É muito mais esclarecedora. Mas não. Vão para admirar as montras, os expositores e para se entreolharem. Como se fossem ao museu. Razão tinha o Andy Warhol.
Até ao local caminham em fila, logo após o almoço, e buzinam-se mutuamente na aflição de chegar antes de qualquer um e poder acomodar-se naquele lugar ideal, à porta da sacristia. Muitos preferem comungar na Ler o resto desta entrada »

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Vagina PaintingsO dever determinou que ficasse em casa todo o dia. Honrosa excepção feita à ida ao otorrinolaringologista. Desde há uns dias que um zumbido me não larga o ouvido direito. Passei a transportar, diariamente, na minha cabeça, uma estação televisiva, depois da hora de fecho. Bom, não sei se actualmente as televisões fecham. A minha desliga, as outras não sei. Não é fácil transportar uma televisão dentro da cabeça. No meio da desgraça e bem à portuguesa, acabei por ter sorte. É. Não conseguiria sobreviver a uma televisão em horário nobre. Seria incapaz de suportar tanta asneira congregada. Suportaria com dificuldade a associação de malfeitores da língua, que legenda tudo o que é estrangeiro, com um português de quem não passou do 1º ciclo. Grave, grave é que não há quem ponha termo à actividade destes “serial killers” da língua de Camões. Aliás, Camões e eu temos muito em comum: ele cego e eu com Ler o resto desta entrada »

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UHF - Jorge morreuVivia eu, juntamente com um número indeterminado de outros seres, em pleno Bairro Alto lisboeta, numa habitação a que chamavam pensão, quando um dia, de uma telefonia sem fios, de um quarto contíguo, me chegou o som abafado de “Cavalos de Corrida”, dos UHF. Assim acordado e de forma estremunhada, elevei o torso e apoie os cotovelos no colchão que ocupava na parte inferior do beliche, olhando fixamente para a porta dupla, alta, creme e suja, que dividia os meus parcos aposentos dos de onde provinha o som. Apanhei como que um KO matinal. Como se tendo estado a dormir, tivesse acordado e, sem mais, um directo de esquerda me colocasse de novo em hibernação. Que raio era aquilo?
Fui para o banho à socapa. Naquela altura, tinha já ultrapassado o limite máximo de dois banhos semanais, tal como o contrato verbal estabelecido entre os moradores e a proprietária estabelecia. Podíamos, no entanto, lavar tudo todos os dias: “as partes” e os pés e os sovacos. Mas, Ler o resto desta entrada »

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Ten Years After - Ssssh - 1969

Fotografia: John Fowlie/Graham Nash

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Flash - In the Can - 1972

Fotografia: Rick Rankin

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Neil Young - Here for youHá uma terra no norte do país onde os dias da infância eram eternos. Os montes erguiam-se verdes por entre a neblina da manhã. Entre a quinta e o povo, uns metros agora anulados pelo casario crescente da imigração regressada ou da imigração indecisa entre o ficar desinquieto e o regresso ao remanso.
Do alto do meu castelo avistava a aldeia vizinha e os pinheiros verdes, com um ribeiro ao fundo que corria célere e carregado. Entre o ribeiro e os pinheiros, uma estrada de terra batida e gravilha solta, serpenteava pelas encostas acidentadas.
Junto às muralhas, a vinha. Os cereais ao fundo, junto à estrada que o santo vigia dia e noite, e os legumes mais acima na várzea pequena. Em todos eles procurávamos, e encontrávamos, o sustento da vida. Depois da vindima e da ceifa. Do lagar e das cantorias dos homens rudes do campo, com um olhar de criança curiosa perante o visitante ocasional. Do mosto e do bagaço. Da matança do porco e dos guinchos desesperados do animal estendido na mesa Ler o resto desta entrada »

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