Há uma terra no norte do país onde os dias da infância eram eternos. Os montes erguiam-se verdes por entre a neblina da manhã. Entre a quinta e o povo, uns metros agora anulados pelo casario crescente da imigração regressada ou da imigração indecisa entre o ficar desinquieto e o regresso ao remanso.
Do alto do meu castelo avistava a aldeia vizinha e os pinheiros verdes, com um ribeiro ao fundo que corria célere e carregado. Entre o ribeiro e os pinheiros, uma estrada de terra batida e gravilha solta, serpenteava pelas encostas acidentadas.
Junto às muralhas, a vinha. Os cereais ao fundo, junto à estrada que o santo vigia dia e noite, e os legumes mais acima na várzea pequena. Em todos eles procurávamos, e encontrávamos, o sustento da vida. Depois da vindima e da ceifa. Do lagar e das cantorias dos homens rudes do campo, com um olhar de criança curiosa perante o visitante ocasional. Do mosto e do bagaço. Da matança do porco e dos guinchos desesperados do animal estendido na mesa Ler o resto desta entrada »
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Domingo, dia de chuva.
Pensei em recostar-me abovinado num maple e deixar o tempo correr, sem preocupações, sem leitura, sem nada, apenas o passar do tempo, com um ruído de fundo proveniente do televisor. Contudo, a estratégia gorou-se. Alguém se adiantou e ocupou a posição. Bati em retirada.
Reconstruí então o meu fim de tarde: pegar na guitarra “cuenca” e fazer umas escalas com o senhor professor mandara. E porque não fazê-lo com o ruído de fundo proveniente de um duplo dvd que acabara de adquirir, por me ter parecido interessante. Dito e feito. Coloquei o dvd na consola de jogos (todo o restante material estava ocupado) e aguardei, de pé, que desaparecesse a chatice total que são os genéricos, com aquela impossibilidadezinha irritante de avançar rapidamente para o que interessa.
Permaneci de pé, a ver no que aquilo dava. E dava. E continuava a dar. Esqueci a “cuenca” e pensei no cão de Pavlov. A única diferença era a de que, efectivamente, eu estava já a ser alimentado. Talvez a teoria não se aplique ao caso. Fosse como fosse, babava-me! Como podia não o fazer? Estava a assistir à actuação conjunta de tipos como Eric Clapton, Robert Cray, Buddy Guy, Hubert Sumlin e Jimmie Vaughan. Todos em simultâneo, no mesmo palco. E mais à frente J.J. Cale e Eric Clapton; James Taylor e Joe Walsh. Ler o resto desta entrada »
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