28
Dezembro
2006
No dia 9 de Dezembro de 2006, eu, o Nuno e o João fomos fotografar uma Gala de Kick Boxing “just for fun”, até porque o material e a luz ambiente não ajudavam muito a bons “shots”. Mas, como já disse aqui, para fotografar não há maus motivos, pelo que assim sendo, lá fomos nós para os lados de A-dos-Cunhados “bater chapas” serão adentro. Os combates foram-se sucedendo, com KO à mistura e gritos da multidão que incitava os contendores a esmurrarem o adversário até este cair de borco espirrando sangue no tapete azul. E aqueles não se faziam rogados e vai directo de esquerda mais gancho de direita e agora toma lá um “upercut” à canhota e não digas que vais daqui, caso contrário ainda levas mais. O moço que veio de Matosinhos para alegrar a festa foi ao tapete no primeiro “round” e já só se levantou para ir até ao balneário colocar a mioleira no sitio, por certo pensando, “fiz eu tanto quilómetro para estar 2 minutos no ring”. É a vida, meu rapaz! Os meios artisticos são implacáveis. Seja como for o moço esteve bem: caíu airosamente sem estrebuchar demasiado e decidiu não se levantar mais, que o outro não era para brincadeiras. Além do mais era do ginásio Dina-Mite, que, se bem percebi, dominou a noite quase por completo e com explosivos não se brinca. Com o fogo ainda vá que não vá, agora explosivos…
Bom, por aqui ficam alguns retratos da malta a esmurrar-se desportivamente. Espero que gostem. Se não gostarem, “who cares”?
Se querem musica enquanto vêm, cliquem aqui, abrindo numa nova janela… ou não! Usem o Firefox em vez do Internet Explorer, este é uma treta…
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27
Dezembro
2006
Na montanha habitava toda a espécie de animais. Os Segomo nunca se aventuravam nas incertezas da montanha, prevendo os perigos que daí poderiam advir. Apesar da montanha ser um território relativamente desconhecido, os Segomo sabiam que era habitada, entre outros igualmente ferozes, por ferinas alcateias. O povo Segomo temia-as e conjecturava acerca da voracidade dos lobos das estepes, o que constituía razão mais do que suficiente para o manter afastados dos trilhos estreitos que serpenteavam a montanha. Já lhes bastava a luta quase diária contra os Tutates. A esta luta não se lhe conhecia um fim breve e o ventre fértil das mulheres Segomo, não dava à luz nada que se parecesse com Nuada, o eleito, o libertador. Aos lobos não se lhe conhecia nada de bom, daí que nem pela ideia lhes passasse que Nuada um dia chegasse descendo os trilhos envolto numa aura de salvação. Nem este ousaria enfrentar os lobos.
Apesar da guerra que opunha os Segomo e os Tutates, havia dias em que, fruto do mútuo cansaço das refregas nas planícies, os dois povos serenavam os ânimos e recolhiam às suas aldeias para uma pausa, restabelecendo forças e delineando estratégias de defesa e ataque, cada uma mais mortífera do que a anterior.
Esses dias, contudo, corriam rápidos e os prazeres carnais para os homens junto das suas amadas eram necessariamente breves, porque havia que dar atenção aos filhos, não fosse uma investida temerária dos Tutates aldeia adentro retirá-los das suas famílias e abandoná-los à entrada daquela, chacinados, envoltos numa papa ocre de sangue e pó. Ler mais »
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1
Dezembro
2006
É hoje e vou lá estar! E depois vou para o Lux. E depois atiro-me ao rio e vou desaguar sei lá onde!
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29
Novembro
2006
A fome corria veloz na vontade de descer rápido e
um corte abrupto de direcções
rodou tangente à direita,
quando a aflição da charada galinácea entoou seca
na orde das sombras entradas na nacional confeitaria.
Descalçamos o transpirar sôfrego e
despimos a virtude enferrujada pelo
cio virgem das porcas da rua do carmo
com zelo de engraxador barato,
enquanto o leite batido, num amargo de chá gelado,
nos sufocava a vontade de prostitutas e,
num ápice azedo de surdez,
colocámos monstruosos
os cornos do diabo em cima da mesa.
Numa aparição dantesca gritámos: “avante!” e
trespassámos, sem coerência, a córnea dum acordeon cego
quando as paredes sopraram exaustas a cedência de
milénios de encosto e
ruíram os dogmas no maremoto das cinzas do Ler mais »
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24
Novembro
2006
Caro “F”:
Por aqui vamos andando na forma do costume, excepto o cão que foi atropelado e deu entrada em Santa Maria já morto, apesar de ter sido tentada a reanimação com respiração boca a boca. Por seu lado, o gato apanhou sarna e coça-se constantemente, algo que é desagradável para as visitas, que acham estranho o gato ser careca e coçar-se daquela forma. Está a fazer um tratamento à base de cortisona e está muito inchado. De tal forma que as portas lá de casa tiveram que ser alargadas, o que me custou um dinheirão, ao preço que as coisas estão. Tu sabes, materiais, mão-de-obra e assim…
A acrescer a isto, houve uma inundação cá em casa, mas toda a vizinhança ajudou com baldes e esfregonas daquelas do DMail, que são muito boas e não deixam rasto, até porque depois da limpeza o algodão não enganou e ficou alvo como a cal das paredes recentemente pintadas, para cobrir os vestígios do último incêndio provocado pelo gato, que pegou fogo junto à lareira e desatou a correr apavorado pela casa fora. Primeiro incendiou os cortinados e depois a roupa das camas. Como se isso não bastasse meteu-se na gaveta das cuecas e agora, por causa disso, deixei de usar roupa interior, o que em certas situações tem dado imenso jeito, mas que no dia-a-dia nem sempre é muito prático. Tenho um amigo que lhe aconteceu a mesma coisa e entala constantemente o pilau no fecho éclair. A Éclair foi para o Brasil onde exerce uma profissão de baixa moral, tudo porque aqui não tinha clientela, em virtude do seu sotaque…
Quanto ao jantar estou totalmente de acordo, sem querer menosprezar o excelente evento organizado pelos Colegas que, além de ter sido um êxito, foi muito divertido. Mas têm que compreender que a gente tem outras necessidades também.
Olha, um grande abraço e se quiseres visita-me de quando em vez em www.70-200.net.
A malta fala-se, mas talvez só depois de resolver este problema do gato. Não gosto de o deixar sozinho. Da última vez que o deixei sozinho apanhou uma congestão porque foi ao frigorifico e comeu todos os gelados que tinha comprado no LIDL. Por isso agora só compro no Continente. Ele não gosta dos do Continente. Dá-me ideia que é por causa da embalagem. O veterinário diz que ele pode ser daltónico e os desenhos dos invólucros dos gelados do continente lhe causarem algum mau estar a nível psicológico. Eu tendo a estar de acordo. Por alguma razão, desde há uns tempos a esta parte, tem insistentemente dado com a cabeça nas paredes, após o que realiza uma série de mortais à retaguarda e cai exausto junto à lareira. Com o aproximar do Inverno vou ter que estar muito atento, não vá ele incendiar-se novamente. Dois incêndios num só ano é demais, mesmo para mim.
Aquele abraço!
AP
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23
Novembro
2006
Há canções que nos dizem tudo. Tudo daquilo que fomos, daquilo que somos, daquilo que desejamos, do bem e do mal, enfim, ouvimo-las e lá estamos nós, em sentido próprio ou figurado.
Johnny podia ser qualquer um de nós, ali erecto em plena rua, olhando o céu cinzento de Inverno, retina fixa nas nuvens que anuncíam borrasca ou tempestade mais séria, daquela que os jornais televisivos anunciam com mortos e inundações fenomenais de norte ao sul do país. O país imerso em águas turvas como sempre esteve e ficará “ad eternum”, sem rumo, sem leme, sem timoneiro. Com compadrio e corrupção.
Mas se Johnny podia ser um de nós, então todos podemos, algures, ter os nossos 15 minutos de fama, como professava o Andy Warhol, rapaz dado a comportamentos estranhos, mas de alguma forma um profeta dos nossos dias. Ascensão e queda. Sobretudo queda. Queda do pedestal dos nossos sonhos que nunca se concretizam, pelo que o infrutífero sonhar é apenas um exercício para entreter tolos, que acreditam que um dia, antes da sua morte, prematura ou não, podem alcançar algo que os satisfaça em pleno. Absurdezas do Homem. Se tudo é breve de que vale o investimento? Investir em quê? Nas nossas vidinhas de trazer por casa? Ler mais »
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